20 de maio de 2024
Ligia Cruz

Sem redenção

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No apagar das luzes de 2015 há mais motivos para chorar do que para comemorar qualquer coisa aqui no Brasil. Mundo afora então, é outro drama, de proporções ainda piores. Nem vamos olhar para lá, porque o nosso buraco só se alarga enquanto o tempo passa e se mantém as lacraias no poder.

Numa análise bem ordinária, o que se destaca para qualquer aspecto que se olhe é o total desprezo das instâncias políticas, somando todas as esferas de governos, municipais, estaduais, federal, câmara dos deputados e senado e agora o STF, Supremo Tribunal Federal, ao povo – que acaba de dar um golpe violento na democracia. Coisa fresca, desta semana.

O voto do brasileiro, que só erra por ignorância, virou pó, foi jogado no lodaçal sangrento do desgoverno e da corrupção. Nem é o do Rio Doce, aquele mesmo que fluía livre em Mariana, que se virou contra os próprios peixes e soterrou humanos, animais e história para sempre, pelas mãos da Vale e sua co-ligada Samarco. Ambas impunes! E pelo mesmo motivo: ganância. Isto só para jogar tintas no descalabro fleumático que foi a decisão dos togados do STF contra a cidadania nesta semana. Um golpe certeiro no direito do povo, de decidir o rumo do país, através de seus representantes eleitos, sejam eles bons ou ruins, antes que nada mais se possa fazer para livrar o país do pior desastre da história republicana.
Sem nenhum direito, o STF reinterpretou a constituição num duelo de oratória interminável, puro jogo de cena, e sobrepôs poderes para mudar as regras para impichar a presidente. Eles mesmos que não receberam voto do povo, foram indicados por presidentes, feriram de morte o que deveriam defender: o direito.
Ora, pois, como dizem os portugueses, foi dada a largada para todos os aliados do governo esvaziarem as gavetas antes que o tsunami putrefato de mazelas feitas por eles mesmos chegue aos seus pés antes que possam correr. Uma redenção, uma permissão para macular ainda mais a instituição-país e entregar tudo “de mão beijada” para os bolivarianos e seus apaniguados que se instalaram no governo há quatorze anos. Hoje, todos bilionários.
Enquanto as “cepeís” em curso emperram aqui e ali, a vida do brasileiro despenca em todos os índices de qualidade de vida e os da classe “C” emergente já foram direto para a “E”, falidos, devedores, com lojas e bancos em seus encalços. O povão empobrece em direitos, mas não em deveres, pagam alto a conta de toda essa corja.
O Brasil encerra o ano, daqui a poucos dias, com um milhão de vagas de empregos extintas e, numa progressão aritmética, nem precisa ser a outra, mais bocas nas famílias para comer o que não se tem. Para cada empregado, mais quatro ou cinco dependentes. Essa é a conta mais torpe da desgraceira. Saúde, escolas, moradias… esqueçam.
A “dama de copas” – a mais perfeita definição de folhetim da senhora do planalto – segue teimosa e crente, em sua avaria cerebral, que não merece ser tirada do comando e que ela, “mártir”, está sendo perseguida por um golpe contra a sua já decaída moral. E os paus mandados, os “reis de paus” da jurisprudência lhes garantem a sobrevida. Traição ao povo! Avisem a Alice e o coelho!
Vamos começar 2016 com a mesma azia de 2015. O empresariado não tem alento, recursos e nem mercado para investir, para alegria da China. Alguns arriscam: se houver crescimento, não passará de pouco mais de 1% – estes são os otimistas. Os demais se preparam para a sangria, o que significa dizer, cancelar a ampliação de parque industrial, enxugar a máquina, retirar-se do Brasil, diminuir postos de trabalhos e por aí vai.

Resta dizer que, aqueles que são pagos e sustentados pela máquina pública para pensar e fazer, ignoram os que de verdade lhes sustentam, escolhem caminhos contrários. O brasileiro segue com seu processo revolucionário de dor sem prazer, um imbecil com todas as letras! Incluo-me.

bruno

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