30 de maio de 2024
Erika Bento

Contato – As vidas de Sofie: Capítulo 17

capa livro 1

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Continuação…

Capítulo 17

— Venha, Jesse, vamos comer alguma coisa — convidou Anne tão logo chegaram a casa.

Sophie olhou o relógio e viu que, embora sentisse um cansaço colossal, ainda eram sete e meia da noite. Decidiu ligar para Paul, mas sabia que Anne ficaria furiosa porque já haviam tido o bastante por um dia. Mas não para ela. Algo lhe dizia que estava correndo contra o relógio. Subiu para o quarto para ligar do celular enquanto Jesse e Anne conversavam um pouco sobre trabalho e culinária, um dos hobbies de Jesse.

— Oi, Paul, tudo bem? — perguntou em tom amigável. — A pequena Sophie está bem?

— Olá, Sophie! — respondeu Paul com entusiasmo. — Que surpresa! Sim, estamos todos bem. Acabei de chegar do trabalho e me parece que a pequena dorme. A casa está tão silenciosa! E você, como está? Está em casa? — perguntou, com a voz preocupada.

— Sim, estou. Está tudo bem, mas… — Sophie fez uma pausa e foi em frente. — Eu gostaria de conversar com você. Estive com a Dra. Nancy e o Dr. Barkley hoje e eles me falaram sobre o pai de Anne — Sophie esperou, mas Paul ficou calado. — Paul?

— Estou aqui, Sophie — respondeu receoso. Temia por mais uma discussão, e esperou.

— Está tudo bem, Paul. Eu entendo… — disse Sophie sentada na cadeira da escrivaninha, com a cabeça apoiada em uma das mãos, de olhos fechados, sentindo a tensão na respiração de Paul do outro lado da linha. — Entendo que vocês sempre quiseram nos proteger. A mim e a Anne. E… — sentiu que estava para chorar, mas não o faria — eu agradeço muito, Paul. De verdade.

— Oh, querida. Se você soubesse o quanto Elena e eu … — Paul respirou mais profundamente e Sophie ouviu um baque seco do outro lado da linha.

— Paul!

— Estou aqui, estou aqui! Não foi nada, acho que me sentei pesado demais no sofá. — na verdade, suas pernas haviam cedido num lapso momentâneo, fazendo-o cair sentado no sofá.

— Não precisa me dizer nada, Paul. Eu entendo, de verdade. E eu sinto muito. Muito mesmo — a voz falhava, mas Sophie fazia um esforço para se controlar. — Sinto por Anne, pelo pai dela e… ah, Paul… se eu pudesse ao menos fazer tudo isso desaparecer!

— Sophie, acredite. Eu e Elena passamos anos pensando a mesma coisa. Como queríamos que você não sofresse mais! Eu cheguei a conversar com alguns psiquiatras, escondido dela, tentando sondar a sua … a sua habilidade, mas Elena nunca quis colocar você sob tratamento — a voz de Paul caiu um tom voltando no tempo em sua mente. — Você era tão pequena, Sophie, e as visões não eram muito frequentes. Pensávamos que fosse passar à medida que você crescesse, mas…

— Não passou, não é? — concluiu Sophie, controlando a voz, deixando, finalmente, as lágrimas rolarem por Paul e por Elena.

— Eu sinto muito que tenha durado tanto, Sophie, mas quanto mais você crescia, mais difícil ficava contar-lhe a verdade. Você foi crescendo tão inteligente, tão saudável, tão cheia de sonhos! Eu não pude. Não consegui.

— Passou, Paul. Aquele período passou, ficou para trás. Agora eu entendo porque você sempre insistiu em encontrar alguma informação sobre a minha família.

— Sim, Sophie. Eu acho que podemos encontrar algumas respostas lá.

— No Brasil? Encontrou alguma coisa?

— Tenho apenas informações que um amigo no Brasil me passou. Alguém ligado à falsificação de documentos, um funcionário do Consulado Britânico na África do Sul. Parece que esta pessoa usou do cargo para falsificar alguns documentos, mas não tem nada que ligue a você, por enquanto.

— África do Sul? — questionou Sophie, sentindo-se deslocada. O que poderia ter em comum com um lugar tão longe?

— Não vamos nos precipitar. Eu prometi que lhe contaria toda a verdade e estou contando. Acredite em mim, Sophie. Vão me mandar todo o relatório em alguns dias e prometo manter-lhe informada. Eu prometo! — enfatizou Paul.

— Está bem, Paul — e Sophie fez uma última pergunta antes de desligar. — O nome Thomas te diz alguma coisa? — Sophie apertou os olhos com força, sentindo o medo e a ansiedade invadindo a sua mente. Não sabia se queria ouvir a resposta.

— Não, Sophie. Nada — e ela respirou aliviada. — Por que?

— É um nome que apareceu em uma visão, nada mais.

— E você descobriu alguma coisa sobre a tal Claire?

— Nada, ainda — respondeu desanimada. Assim como Paul, não parecia que estava indo muito bem em suas descobertas. — Bem, Paul. Eu espero você me ligar, então. Mande abraços a todas.

— Obrigado, Sophie. E Anne, como está?

— Está bem, eu acho. Não foi fácil para ela, também, coitadinha… — Paul suspirou do outro lado. — Mas ficaremos todos bem.

— Com certeza, garota. Um beijo pra você e pra Anne. Cuidem-se bem! Vocês duas!

Sophie ficou parada alguns minutos, olhando para o celular em sua mão com a costumeira foto sua com Anne de fundo de tela. Anne tinha o mesmo sorriso de quando eram crianças, que erguiam as bochechas, e Sophie sorriu de volta para ela.

— África do Sul? — perguntou Anne com um pedaço de filet mignon no canto da boca.

— Estranho, não é? — comentou Sophie, mexendo com o garfo na comida sem muita fome. Havia perdido peso nas últimas semanas, sentia-se fraca, cansada e, mesmo assim, não tinha vontade de comer nada. O estômago estava de braços cruzados, em greve.

Jesse mastigava com vontade o jantar, embora sua mente estivesse percorrendo o mapa e a história geral daquele país. Sabia que a África do Sul fora uma colônia britânica, que vivera anos de intensos conflitos, era o país mais rico da África, graças ao solo rico em minérios e nada mais.

— Não adianta tentarmos fazer o trabalho dos outros, Sophie — disse ele. — Se Paul falou que vai ter alguma novidade em breve, o jeito é esperar. Aposto que ele já colocou um monte de gente pra trabalhar. Agora mesmo — olhou o relógio de pulso — às oito da noite, deve ter um monte de gente cruzando informações para apresentar um relatório ao chefe — brincou Jesse, mas sabendo que provavelmente era isso mesmo que Paul teria feito como chefe do Departamento de Menores, cargo ao qual havia sido promovido há cerca de três anos.

— Você tem razão. Acho que não tem outro jeito — concordou Sophie, levando a primeira garfada à boca.

—Boa menina! — comemorou Anne se esforçando para empurrar para o fundo de sua mente a imagem do acidente do carro que matara seus pais.

— E então, vai sair com Brandon hoje? — perguntou Sophie, mudando de assunto e Anne lhe deu uma olhada nervosa.

— Hã… talvez. E vocês, por que não vão dar uma volta? Um cinema faria bem, não acha? — sugeriu Anne.

— Quer ir, querida? — perguntou Jesse, passando uma rebelde mecha do cabelo de Sophie para trás da orelha.

— Acho que prefiro ver um dos nossos filmes na sua casa, o que você acha? — perguntou ela com um brilho intenso surgindo em seu olhar. Jesse tinha, de novo, a barba por fazer. Parecia cansado, como ela. Mas continuava lindo, com seus olhos de um mel claro. Sophie teve vontade de mergulhar dentro deles e não sair nunca mais.

— Fechado — sorriu Jesse de volta e, imediatamente, sentiu algo doce inundar o seu estômago. Quis tê-la em seus braços, mimá-la e fazê-la esquecer das últimas horas.

Assim que chegaram a casa de Jesse, Sophie tirou os sapatos e se acomodou no canto do sofá de couro, encolhendo as pernas e abraçando os joelhos, apoiando a cabeça sobre eles vendo Jesse se mover pela casa. Passou pela cozinha iluminada por pequenas luzes que caíam sobre a pia como vagalumes escondidos atrás dos armários. Ele abriu a geladeira, pegou dois copos e estava para servir um vinho quando parou e devolveu a garrafa na geladeira lembrando que Sophie, pelo menos enquanto estivesse tomando os remédios, não podia beber nada de álcool.

— Tome você, eu só quero um copo de água — falou uma voz baixa vindo do canto da sala.

— Se você não pode, eu também não — respondeu, servindo água para ambos, sorrindo para ela com cumplicidade.

— Jesse?

— Mmmm…

— Você acha que tudo isso vai acabar um dia?

— Tudo o que, querida? — de verdade, não sabia se Sophie se referia ao relacionamento dos dois ou aos seus problemas. Sophie estava mudada, com certeza, mas não poderia saber até quando. Com Sophie, Jesse sempre pisaria em um terreno instável.

— As minhas visões, desmaios, derrames, você sabe, esse show de horror todo — respondeu ela, ainda observando Jesse que vinha com os copos de água gelada nas mãos, caminhando lentamente e olhando-a profundamente nos olhos. Sophie sentiu-se despida, apertando com mais força os joelhos entre os braços.

— Eu só posso dizer que espero que sim — respondeu, erguendo as sobrancelhas e apoiando os copos na mesa de centro. — É a única resposta que posso te dar.

Infelizmente, não sou médico, mas o seu namorado — respondeu acariciando-lhe os cabelos, tirando-os dos ombros e empurrando-os levemente para trás descortinando o belo rosto de Sophie pouco nítido entre as sombras que vinham da janela e da pouca iluminação na sala. Jesse sabia que era assim que ela gostava de estar, na penumbra, escondida de seus demônios. E ela ficava linda daquele jeito.

— Se eu pudesse, minha querida. Eu tiraria todo este peso de dentro de você. Te libertaria de todas as suas angustias e te encheria de paz e tranquilidade — Jesse a olhava com ternura. Seus olhos eram instigantes e esforçava-se para não transparecer o desejo que sentia de deitá-la no sofá e fazer amor com ela a noite toda.

Sophie encarou-o e, por um instante, pensou que não conseguiria deixá-lo uma segunda vez. Embora ainda sentisse medo de tudo isso, medo de se abrir, de viver intensamente uma paixão, ela estava disposta a tentar. Não se sentia mais a jovem independente de antes. Precisava de Jesse assim como precisava de Anne, de Paul e de… Elena. Precisava de Elena, mas ela se fora. Assim como se foram os pais de Anne. Se não fosse assim, nunca teriam se encontrado e Sophie não sabia o que seria dela se não fosse por Anne. Sentiu-se agradecida à tragédia que levou Anne até o orfanato e escondeu o rosto entre os joelhos.

— O que foi?

— Ah, Jesse, se você soubesse em que eu penso às vezes. É tão cruel! É tão… egoísta! — exclamou, ainda abafando a voz entre as pernas.

— Cruel? Egoista? — indagou Jesse, erguendo a cabeça de Sophie delicadamente. — Você é uma pessoa que canaliza o sofrimento das pessoas para dentro de você e você se diz cruel e egoísta?

— Não é isso, Jesse. É que eu… — ela não conseguia admitir. Não podia admitir que se sentia uma menina escondida sob a mesa do jantar, tremendo de medo e, por isso, precisava de todos ao seu lado.

— Shh…. vem cá — puxou-a carinhosamente para os seus braços, girando-a e fazendo-a deitar a cabeça em seu peito, colocando-a em seu colo como um pai primoroso. — Não pense muito, meu amor. Não pense. Você já pensou demais por hoje. Aliás, pensou, viveu e sofreu demais estes últimos dias. Tente esquecer um pouco. Descanse e fique aqui comigo esta noite — inclinou a cabeça para o lado para olhá-la nos olhos. — Você quer? — Sophie concordou, cedendo à tentação de ser paparicada, admirando Jesse com seus cabelos amarelo escuros caídos sobre ela, aproximando-se para beijá-la.

Sentiu a sua língua quente e cheia de desejo acariciando-a, e se entregou. Como uma menina apaixonada, deixou-se levar por aquele homem que a amava tanto, por aquele homem que estava lhe ensinando, pouco a pouco, a confiar.

— Ah, Jesse… se você soubesse…

— Shhh… — sussurrou ele passando o dedo sobre os lábios de Sophie, desejando apenas beijá-la e fazê-la esquecer-se de tudo em seus lábios, em suas mãos. Acariciou seu rosto, agora mais iluminado e sorriu admirado. — Você é tão linda! Fica divina quando para de se culpar, quando para de se cobrar… — abraçou-a com força, apertando os olhos — ah, Sophie… me deixe cuidar de você.

Sophie queria gritar que Sim, que queria ser cuidada, queria ser amada, mas não conseguia. Anne cuidara dela durante vinte anos, não poderia ser um fardo para Jesse, também. Mas ela queria, queria muito poder ter sempre aquele peito para se deitar, aquelas mãos para lhe acariciar os cabelos, aquele sorriso iluminado que faziam tudo desaparecer. Sophie queria entregar-se inteira, mas sabia que não era o momento. Teria que concluir o que havia começado. Tinha que encontrar a verdade sobre si mesma e, se ainda sobrasse algo para lhe dar, ela seria uma pessoa diferente. Deixaria que Jesse entrasse em seu mundo. Deixaria que ele a amasse e o amaria sem limites. Mas não agora.

Enquanto a noite se fazia cada vez mais escura sobre a cidade de Londres, Jesse sentia Sophie pesar também cada vez mais em seus braços. Sentia-se envolvido pelo calor intenso de seus corpos colados um ao outro, apenas abraçados e, embora Jesse a desejasse imensamente, naquele momento, ela precisava mais do seu silêncio do que de qualquer outra coisa. Precisava sentir-se segura e amada e ele faria qualquer coisa por ela. Até mesmo refrear a sua vontade de tocá-la intimamente, beijar todo o seu corpo e amá-la até explodir o seu desejo dentro dela. Sophie caíra no sono, enquanto Jesse não conseguia fazer outro que amá-la em silêncio. E ficou assim por incontáveis minutos até que ela acordou assustada, ainda envolta nos braços dele, sentindo o coração pular dentro do peito.

— Calma, está tudo bem — sussurrou ele em seus ouvidos.

— Acho que estava sonhando. Mas não sei o que era.

— Não foi nada. Você teve um dia cheio, precisa descansar. Venha, vamos para a cama.

Jesse a levou pelas mãos até o quarto. Sophie foi até o banheiro e despiu-se, voltando apenas de calcinha e uma camiseta que usava por baixo da blusa de moletom. Jesse levantou o lençol convidando-a a se deitar ao seu lado. Usava apenas um shorts preto de seda. Sophie deitou-se ao seu lado beijando-lhe o peito nu suavemente sentindo o seu cheiro e o seu calor em seus lábios. Jesse acariciou seus cabelos, desceu a mão em suas costas exercendo uma ligeira pressão, puxando-a.

Sophie sentia o desejo aumentar e passou uma das mãos pelo seu tórax, descendo até o abdômen, admirando a beleza e a perfeição do corpo do homem que estava ao seu lado. Tirou a camiseta e deitou-se nua sobre Jesse, sentindo o contato da sua pele. Pressionou os quadris sobre ele sentindo a sua ereção. Jesse abraçou-a acariciando-lhe as costas com mais intensidade, subindo uma das mãos sob os cabelos de Sophie, apertando levemente a sua nuca, e puxando-a para os seus lábios. Beijou-a com intensidade e Sophie movimentou os quadris massageando-se contra o corpo de Jesse.

— Quero fazer amor com você — murmurou Sophie com a voz trêmula de desejo.

— Oh, querida… — sussurrou Jesse. — se você soubesse o quanto eu amo você… o quanto te quero…. — disse, virando Sophie sobre o colchão, beijando-lhe um dos seios, delicadamente.

Sophie sentia os cabelos macios de Jesse entre seus dedos, que se fechavam, puxando-os levemente, liberando um pouco a tensão que as carícias de Jesse faziam aumentar dentro do seu ventre. Sentiu uma de suas mãos descer até a sua barriga e os dedos longos se abrindo, abraçando-a quase de um lado ao outro. Jesse passou a ponta dos dedos ligeiramente por baixo do elástico da calcinha, fazendo Sophie desejar que descesse mais e mais. Jesse beijou-lhe delicadamente os lábios e, pouco a pouco, o beijo se transformou em intenso e selvagem. Jesse deslizava a mão por baixo até tocar a sua parte mais íntima, massageando-a, sentindo o desejo da mulher que amava umedecer os seus dedos. Acariciou-lhe inteira entre as pernas enquanto suas línguas trocavam segredos e promessas não ditas.

Sophie puxou Jesse para cima do seu corpo, empurrando o shorts para baixo, desejando senti-lo por inteiro. Jesse se livrou de suas roupas e da de Sophie deitando-se nu sobre ela, sentindo o calor da sua pele e a sua respiração ofegante.

— Oh, Jesse, eu te quero tanto… — sussurrava Sophie, enquanto ele passava os olhos pela sua boca e por seus olhos escuros desejosos. Adorava ver a excitação no olhar de Sophie, como uma mulher livre de todos os problemas; leve e entregue ao prazer.

Penetrou-a lentamente assistindo maravilhado à Sophie que virava a cabeça ligeiramente para o alto e para os lados, com a boca semiaberta. Sentia o seu hálito quente e suas pernas trêmulas enquanto a penetrava vagarosamente, sentindo o seu sexo envolto no dela. Sentiu-a se contrair e relaxar à medida que a penetrava mais até tocar-lhe o fundo.

Sophie o pressionava com os quadris, numa dança a dois perfeitamente sincronizada, em movimentos delicados, subindo e descendo, num vai e vem de corpos que se encaixavam entre as pernas.

— Oh, Jesse, me faz esquecer de tudo. Me faz sentir livre, por favor — implorava Sophie, com os lábios entreabertos e a voz rouca de desejo. E era tudo o que Jesse queria, fazê-la se esquecer, sentir-se segura e amada.

Penetrava-a com paixão, enquanto uma das mãos massageava-lhe o seio e sua boca beijava-lhe os lábios e o pescoço, descendo a língua até os mamilos, forçando-a a abrir sempre mais as pernas com a pressão de seus joelhos, posicionando-se quase ajoelhado sobre o seu corpo nu, em um último esforço antes de senti-la gemer ainda mais forte, soltando todo o seu prazer entorno ao dele e, finalmente, relaxando em seus braços. E Jesse desmanchou-se de prazer.

As palavras sumiram de Sophie, assim como a angustia, a tensão e o medo. Sentia apenas a deliciosa paz e a ausência. Um caloroso vazio aonde ela ia caindo lentamente como uma pluma, e sentiu-se livre, como há muito tempo não se sentia. Livre de todas as vozes em sua mente. Livre, simplesmente livre e feliz.

— Oi… — murmurou Jesse deitado ao seu lado, abraçando-a e puxando-a com um dos braços.

— Você vem sempre aqui? — brincou Sophie, ainda de olhos fechados.

— Só quando tenho uma mulher bonita na cama… — provocou.

— “Uma mulher bonita”? Qualquer mulher, então? — indagou, virando-se para ele procurando pelos seus olhos.

— Você sabe que não… — disse Jesse, beijando-lhe os cabelos — Você é a única em minha vida. Desde que eu te conheci, você sempre foi e sempre será.

Sophie queria poder dizer o mesmo, mas não disse. Apenas beijou-lhe o peito dourado

nu e abraçou-o. Queria que aquele momento não terminasse nunca.

— Eu amo você, Sophie. Amo de verdade e, a menos que você me deixe de novo, eu não vou desistir de você — disse ele, acariciando-lhe os cabelos, enquanto Sophie passava a ponta do dedo levemente sobre os seus músculos definidos.

— Você merece algo melhor, Jesse — sussurrou.

— Eu só quero você — mas Sophie continuou, ignorando as palavras dele.

— Merece alguém que não esteja sempre à beira de uma explosão mental — abraçou-o com mais força. — Estou andando em uma corda bamba, Jesse. Eu posso… você sabe, posso não estar aqui, de um minuto ao outro. Basta que algo dê errado dentro da minha cabeça e lá se foi a Sophie — disse amargamente.

— Não é assim. Você sabe que não é — discordou, calmamente.

— Eu não sei e nem você sabe.

— A única coisa que eu sei já me basta, Sophie. Eu sei que quero você. Olhe para mim

— pediu Jesse, virando-se de lado apoiando o corpo com o cotovelo na cama, vendo Sophie deitada ao seu lado, com o rosto virado para baixo, evitando o seu olhar. — Olhe para mim, por favor — e Sophie olhou-o com os olhos de uma menina assustada.

Jesse abaixou-se e beijou-lhe a testa.

— Eu amo você e só quero vê-la feliz. Por isso — beijou-lhe os olhos —, estarei do seu lado, sempre — beijou-lhe a ponta do nariz —, em todos os seus momentos, bons e ruins, eu quero estar ao seu lado — sorriu para ela. —Se você cair — beijou-lhe o canto da boca —, eu quero estar lá para te amparar e te carregar nos braços, se for preciso

— os olhos de Sophie brilhavam umedecidos por lágrimas que ela não deixaria cair. — E você vai conseguir, meu amor. Eu sei que vai, porque você é a pessoa mais teimosa, mais forte e decidida que eu conheço — finalizou, cobrindo-a de beijos por todo o rosto fazendo Sophie rir.

Ela não disse uma palavra. Queria apenas acreditar que tudo terminaria bem. E, com este pensamento, adormeceu uma hora depois, ouvindo o ronco suave de Jesse.

No dia seguinte, ele levou-a cedo para a casa. Tinha compromissos no escritório e queria vê-la mais tarde, por isso, tinha que se livrar de tudo, rapidamente. Sophie sentiu-se privilegiada por não estar trabalhando nesses dias. Não sabia como faria para conciliar tudo se estivesse cumprindo às oito horas de trabalho por dia e mais as reuniões extras. E tem só mais dez dias! Pensou, com tristeza.

Quando entrou em casa, Anne não estava e Sophie foi até o seu quarto. Quase morreu de susto quando viu Brandon dormindo na cama com a amiga. Fechou a porta rapidamente, sem fazer barulho, com um sorriso divertido nos lábios. Anne vai morrer de vergonha quando souber o que eu vi!

Foi para o seu quarto, tomou um banho e deitou-se. Lembrou-se que, na noite anterior, não precisou do remédio para dormir. Sorriu para si mesma pensando que, talvez, Jesse fosse um remédio melhor do que o ansiolítico de Brandon!

Ouviu vozes no corredor e ficou em silêncio. Anne e Brandon sussurravam, descendo as escadas rapidamente. Sophie podia apostar que ele estava atrasado e não se conteve. Sorria largamente, ainda feliz e relaxada pela noite anterior.

— Ei…! — disse Anne abrindo a porta lentamente.

— E então, o senhor Nove passou para Dez essa noite? — perguntou Sophie, caindo na gargalhada.

— Oh, não, você viu? — choramingou Anne, corando.

— Eu não sabia que ele estava aqui e fui até o seu quarto! — respondeu erguendo os lábios e os ombros se desculpando.

— Ai…! – exclamou, cobrindo o rosto e se jogando na cama de casal de Sophie, escondendo o rosto no colchão.

— Que besteira! Até parece que é a primeira vez alguém passa a noite em casa.

— Ah, Sophi — disse Anne, com voz melosa. — Ele é tão maravilhoso! — Sophie rolou os olhos para cima.

As duas ficaram horas deitadas juntas na cama, trocando confidências como adolescentes. Riam e provocavam-se mutuamente e os problemas haviam desaparecido. Depois, desceram até a cozinha, prepararam um café da manhã reforçado para ambas com ovos, bacon, suco e frutas. Conversavam sobre homens e sexo; sobre filmes e comida; sobre viagens e compras. Falaram sobre o dinheiro de Elena e não conseguiram chegar a uma conclusão. Por ora, ficaria sob a administração do escritório de advocacia até que Paul falasse com outro advogado.

E, falando em advogado…

— Anne! — exclamou Sophie.

— Nossa, que susto! Que foi?

— Liam! Já sei porque ele me deixa nervosa e insegura. Ele me lembra Thomas!

— Thomas?

— Sim! O cabelo, com certeza não, porque os de Thomas são revoltos e os de Liam, bem, você viu. Todo penteadinho para trás. Nem as roupas. Thomas usa sempre jeans com camiseta. Acho que são os olhos. Verdes e penetrantes. Acho que eu não gosto de olhos verdes e penetrantes… ele me irrita porque eu gosto do Thomas e é como se o Lima roubasse as feições dele, ah, sei lá. Ele é falso.

— Tomara que seja só isso mesmo porque você, quando implica com alguém, dá até medo… — Sophie bufou.

Combinaram mil coisas para fazer juntas e fizeram. Quase todas. Caminharam no parque, fizeram compras, ficaram horas em um café e no final do dia, Brandon ligou para Sophie, o que pareceu estranho. Brandon, pra mim? Sentiu um fio gelado escorregar como uma navalha no estômago.

— Oi, Brad — disse Sophie desconfiada.

— Oi, Sophie! Como você está? — a voz parecia normal.

— Estou bem. Aconteceu alguma coisa? — perguntou, aflita.

— Não, nada! Eu só queria lhe dizer que falei há pouco com a Dra. Parker e, se estiver bom pra você, podemos fazer a sessão amanhã — esperou um pouco. — O que você acha?

Sophie emudeceu. Sentia-se como cachorro quando corre atrás do rabo. Não sabia o que fazer agora que a coisa iria realmente acontecer. Mas tinha que demonstrar segurança. Sabia que, ao menor sinal de fraqueza eles cancelariam tudo.

— Por mim, tudo bem. Onde vai ser?

— Eu queria que fosse no meu consultório, mas ela acredita que você vai se sentir mais a vontade na casa do Dr. Barkley, então, levo os equipamentos para lá.

— Sem problemas. A que horas? — Sophie tinha os olhos cerrados de tensão, mas sua voz não transmitia nada.

— Às dez da manhã.

— Tudo bem — relaxou as pálpebras. — E, Brad…

— Sim? — perguntou distraído.

— Obrigada — sussurrou, complacente.

— Vai correr tudo bem, Sophie, Eu não permitiria isso se não tivesse certeza de que você está pronta. Fique tranquila. Vai dar tudo certo.

Sophie encerrou a ligação sentindo que a trégua, a paz e a serenidade lhe escorriam pelos dedos. De novo! As rugas estavam de volta. Passou as mãos pelas pálpebras limpando a preocupação do seu olhar e virou-se para Anne, que não pôde deixar de sentir uma pontinha de medo, embora confiasse fielmente em Brandon. Tinham conversado sobre a sessão de hipnose na noite anterior – nos poucos momentos em que conversaram – mas, mesmo assim, temia por Sophie.

— Talvez eu precise de dois remédios pra dormir esta noite… — suspirou Sophie, sorrindo para Anne que lhe sorriu de volta, nervosa.

— Vai dar tudo certo, Sophi — encorajou. — Agora, você tem que ir dormir. Vai!

O quarto estava escuro e a noite quieta lá fora. Rolou uma vez na cama, rolou de novo, mas nem as pílulas mágicas ajudaram naquela noite. Sentindo a ansiedade trabalhar contra a sua necessidade de dormir, Sophie chutou o lençol para o lado e se levantou como um soldado pronto para a batalha. Acendeu o abajur, foi até o armário e tirou a sua maleta de trabalho que, pensava, só a veria novamente quando as férias terminassem. Colocou-a na cama e tirou o notebook para fora. Levou-o até a escrivaninha, sentou-se diante dele e a luz azulada e fria do monitor inundou o quarto.

Sophie nunca fora uma cyber girl. Usava a internet para pesquisas, tarefas bancárias e agendamento de viagens, mas detestava redes sociais e usava emails somente para o trabalho; preferia, também, sentir as páginas dos livros em seus dedos a ebooks. Mas se existia uma pessoa contraditória, seu nome era Sophie. Apesar de todos os esforços para não se render à tecnologia, diante do computado não tinha o que ela não fizesse. Aprendera muito jovem a trabalhar com programas de tratamento de imagens. Em suas mãos, qualquer mulher se tornava magra, bonita e jovem; livre de manchas e celulite. Uma simples foto de paisagem se transformava em uma capa de revista de turismo e seria capaz de fazer uma montagem de qualquer pessoa, em qualquer lugar, como se fosse real.

Naquele momento, porém, ela tinha outro objetivo. Pesquisar sobre Simbiose Psicológica. Em suas poucas tentativas de encontrar explicações sobre as suas visões, nunca havia se deparado com o termo antes. Esbarrou várias vezes em esquizofrenia e distúrbios mentais e, por motivos óbvios, evitava se aprofundar no tema. Mas, agora, poderia ser diferente. Nancy lha havia dado algo a que pensar. Algo menos doentio, espero!

Encontrou poucos artigos sobre o assunto e todos falavam sobre primeira infância e a incapacidade da criança distinguir entre a própria mente e as experiências de seus pais, conceito difundido por uma psicanalista chamada Melanie Klein, no início do século XX.
Primeira infância? Relação com os pais? Nada sobre Anne ou Elena ou a minha tendência masoquista de sofrer as dores alheias. Sentiu-se frustrada e cansada.

Fechou o monitor sobre o teclado com mais força do que deveria e um som agudo ecoou pelo quarto. Vai pra cama e durma! Ordenou a si mesma. Arrastou-se até a cama e apagou a luz novamente. Ajeitou o travesseiro e afundou a cabeça nele. Levou incontáveis minutos até que sua mente se desligasse de tudo e entrasse no acolhedor vazio da escuridão.

Continua na próxima semana…

bruno

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