Fosse eu presidente da república, vestiria o melhor traje, a mais bonita gravata e compareceria pessoalmente ao interrogatório, atendendo à intimação do ministro relator Celso de Mello.

Foto: Google – Jornal Somos (meramente ilustrativa)
Não perderia por nada um evento onde, publicamente, manifestaria meu desejo de abrandar confrontos ruins para a nação.
Seria um espetáculo!
Atenderia orgulhosamente todas as exigências impostas pelo vetusto decano, diluindo um hipotético constrangimento com respostas objetivas e claras às indagações do inquisidor.
Cumpriria com rigor e respeitosamente todo o rito determinado pelo relator/inquisidor, concedendo-lhe sutilmente e por antecipação, minhas condolências por sua atuação como ministro da suprema corte.
Por um lado essa atitude supriria a imensa vaidade do único ser supremo que tem um epitáfio concedido em vida e a ele dedicado por Saulo Ramos e, por outro, dirimiria possíveis dúvidas e ofereceria farto material para a excitada rede de comunicação social.
Ora, Bolsonaro apareceu de surpresa na inócua e teatral despedida do Toffoli da presidência do STF.
Custa atender à intimação do decano? Isso em nada fere a dignidade de um governante! Ao contrario.
É razoável que o decano Celso de Mello, agora enfiado em uma bata hospitalar em razão da sua moléstia e que brevemente terá o pijama e o robe de chambre como trajes cotidiano, sinta-se desprestigiado caso sua partida não seja anunciada pelo toque do clarim.
Presidentes da república, ungidos pelo voto popular, devem praticar a clemência e atender aos pedidos dos seus subalternos cheios de pompa, mesmo os mais prosaicos.

