20 de abril de 2024
Adriano de Aquino Colunistas

Circunstâncias adversas

Na sexta feira passada, saindo de um táxi, fui atropelado por uma jovem audaz em sua scooter colorida.

Ainda me restam bons reflexos. Graças a isso, o acidente resultou numa contusão muito dolorida no joelho esquerdo e na mão direita. Felizmente, o acidente que tinha potencial de ser bem mais grave, foi atenuado pelo meu reflexo ágil.

Vai daí que, no correr da semana, após exames radiológicos, o médico recomendou repouso, anti-inflamatórios e analgésicos. Com isso, o trabalho diário no ateliê teve que ser interrompido e alguns  compromissos adiados.

Em trânsito entre uma poltrona e o leito, me entreguei à leitura, reflexões e devaneios que me tragam algum conforto. Ainda bem que não sou russo opositor ao Czar e nem a moça um míssil humano letal do Putin.

Entre devaneios e reflexões, a mais divertida é acompanhar a epopeia do líder populista nativo na sua batalha contra o imperialismo ianque.

A nova empreitada do líder brasileiro, dispensa empreiteiras. Lula tem viajado pelo mundo para expor e convencer líderes das nações com conta-corrente no Brics, a ampliar o contingente de correntista, com o objetivo de naufragar o dólar americano como moeda corrente nas transações internacionais.

Essa missão quixotesca tem um lado divertido. O antiamericanismo se arrasta no tempo acumulando  performances simbólicas contra ícones norte-americanos.

Queimar bandeira dos EUA, pode ser considerado hoje uma performance clássica que não teria mais espaço expositivo nos eventos de vanguarda.

Defecar sobre uma foto do Ronald Reagan, foi uma ousadia estética nos anos 80 do século passado. Esse clássico da performance de coletivos estéticos,como de praxe em culturas periféricas, foi replicado 40 anos depois no Brasil, sobre a foto de um candidato rotulado ‘fascista’ que, diga- se de passagem, é uma pecha tão velha e desgastada  quanto as palavras de ordem “ianques go home”.

Ora, amiguinhos, a globalização, que ativistas progressistas hoje se engajam, é a prova do êxito estratégico dos EUA.

Na globalização, o mundo todo mergulhou e se esbaldou no ideário expansionista norte americano.

Foi lá, nos EUA, mais precisamente no Consenso de Washington(1989), que a ideia tomou corpo e se espalhou mundo afora.

Governança global, exaltada por líderes do Ocidente, como fórmula para políticas ambientais (Amazônia como alvo) é  um dos filhotes da placa mãe da Globalização, gestada na ONU.  

Lembro como se fosse hoje. Fernando Henrique Cardoso voltando de Washington, jogando no lixo da memória seu livro “Dependência e Desenvolvimento da América Latina” (1984) e anunciando com ênfase o novo tempo para a região com a Globalização como a  doutrina pós-moderna de prosperidade e reparação do desequilíbrio econômico mundial.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *