8 de maio de 2026
Adriano de Aquino

“Onde até o passado é incerto”

Foto aérea de pessoas cruzando o corredor Netzarim ao sul da faixa de Gaza em 11/02/2025- AFP/Getty Images

Se existe uma justiça imparcial ela não se encontra nas barras dos tribunais, sobretudo no Brasil.

Aqui, “onde até o passado é incerto” (frase atribuída a Pedro Malan), o presente é pautado num show de notícias e o futuro é imprevisível, o brasileiro, que deseja ter uma visão da realidade, tem que fazer uma maratona global atrás dos fatos que envolvem os conflitos sociais.

O ciberespaço é o ambiente mais confiável para essa atividade.

Contar com os veículos da grande imprensa brasileira para se ter uma ideia, ainda que vaga, sobre os complexos problemas que rondam o planeta, torna o cidadão um consumidor indefeso de produtos contaminados pelo vírus da farsa.

Ao abrir minha rede digital, deparei-me com compartilhamentos de interpretações alarmantes e comentários apocalípticos do elenco de uma rede de noticias.

Num jornal paulistano tradicional, uma atriz, decana da imprensa, deu um show de alarmismo. Disse: ” ao contrário da Cop30, que pretende salvar o mundo, Trump deseja destruí-lo”.

Meu Deus! Corram para as montanhas. Não será o tão esperado meteoro que destruirá o planeta mas sim um homem.

Antes de preparar minha mochila de sobrevivência no dilúvio, corri para os veículos de imprensa mais ponderados para saber o que estava acontecendo, já que o deadline dado por Trump para que os terroristas do Hamas parem com os tumultos desumanos e libertassem de vez todos os reféns israelenses é no sábado 15/2.

Ufa! tranquilizei ao saber pelo The Free Press que:

Na segunda-feira, o Hamas anunciou que estava suspendendo a libertação de mais reféns e acusou Israel de quebrar o acordo de cessar-fogo.

O ministro da defesa de Israel chamou a medida de uma “violação total do cessar-fogo” e disse que havia ordenado que as IDF “se preparassem no mais alto nível de alerta para qualquer cenário possível em Gaza”.

Em outras palavras, o cessar-fogo já parecia instável antes de Trump abrir a boca. Então ele aumentou a aposta(“Se eles não forem devolvidos — todos eles, não em gotas e gotas… Sábado, disse Trump . “Depois disso, eu diria que o inferno vai explodir)”.

Realmente! Nações democráticas se dobrarem aos descalabros de uma falange terrorista é o fim do mundo

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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