
A vulgarização de palavras grosseiras, posta em prática pelos meios de comunicação e pelas redes sociais, empobrece a linguagem. Esse empobrecimento reduz nossa capacidade de expressão e diminui, por consequência, nossa possibilidade de enfrentar os desafios do raciocínio ou de raciocinar com clareza e precisão.
Usado de forma indiscriminada, o palavrão, que é um recurso literário como qualquer outro, perde o vigor que poderia ter em momentos oportunos.
O palavrão constitui, em si, uma forma de violência verbal. A esse respeito, esclarece a Dra. Nise da Silveira, fundadora do Museu de Imagens do Inconsciente: “a violência é uma só, não importa de que maneira ela se manifesta”, seja contra pessoas, plantas, animais ou ideias.
Nos domínios da filosofia analítica, uma linha de pensadores ilustres considera desnecessária a distinção entre linguagem e pensamento, uma vez que não há como exprimir o pensamento a não ser por meio da linguagem.
“A linguagem existe para ocultar os pensamentos”, definiu Talleyrand. Kierkegaard, por sua vez, observou que “muita gente se serve da linguagem para ocultar o fato de que carece de pensamentos”.
Amáveis ironias à parte, com palavras declaramos guerras e com palavras assinamos a paz. Com palavras revelamos amor ou ódio.
Por possuírem acepções diferentes, sinônimos perfeitos não existem.
Para usarmos as palavras sem corrermos o risco de sermos usados por elas, faz-se imperativo o domínio do idioma que falamos.
Impropriedades de significação podem criar situações embaraçosas e o mau uso torna a linguagem pobre, seja quando não empregamos as palavras apropriadas de que a língua dispõe, seja quando lhes atribuímos sentidos que não possuem.
Fazer-se compreender com clareza e elegância em nossa formosa língua vernácula constitui um desafio arrebatador numa época em que a inversão de valores é tão acentuada, que a frase de fulgurante sabedoria de São Francisco de Assis — é dando que se recebe — foi pervertida e transformada em símbolo de corrupção política.
Se é para o palavrão ser usado, que o seja intencionalmente, com consciência de sua conotação rude, agressiva e vulgar. A não ser assim, trata-se de pura falta de educação, e mais nada.
P.S.: O Dia Mundial da Língua Portuguesa foi celebrado em 5 de maio.

