9 de maio de 2026
Luiz Philippe de Orléans

Cinquenta anos em 1: o salto econômico que o Brasil ignora

Brasil pode atrair investimentos recordes com reformas e ajuste fiscal — falta coragem para romper a mediocridade e destravar esse potencial. (Foto: Imagem criada utilizando Chatgpt/Gazeta do Povo)

A verdade é nua e crua: o Brasil está sentado sobre uma mina de ouro de investimentos, mas prefere manter a porta trancada. Se o próximo governo conseguir equilibrar as contas e estabelecer uma política monetária estável, é muito provável que o volume de investimento direto dobre ou quadruplique em questão de meses.

Mas o cenário pode ser ainda mais fascinante. Se o país de fato abraçar reformas estruturais que impeçam o retorno aos erros do passado, os investimentos diretos podem atingir a marca astronômica de meio trilhão a um trilhão de dólares em um único ano. Para colocar em perspectiva: hoje, o Brasil atrai entre 50 e 80 bilhões de dólares anuais. Estamos falando de um salto de 50 para 200 bilhões apenas com o básico — equilíbrio fiscal e estabilidade da política monetária.
O poder das reformas e a liquidez global

Se somarmos a isso um programa robusto de privatizações e concessões em portos, aeroportos, hidrovias e ferrovias, além da mineração, ultrapassaríamos qualquer marca histórica. Isso sem contar o capital das empresas que já operam aqui e que estão apenas esperando um sinal de segurança e estabilidade fiscal e jurídica para expandir seus negócios e reposicionar o país no radar do capital internacional.

Por que essa previsão é possível? Porque a liquidez dos mercados globais é recorde. Nunca houve tanto “dinheiro em caixa” pronto para ser investido em ativos reais que rendam algo seguro. O mundo busca oportunidades, e o Brasil é um mercado vasto, porém hoje fechado devido a inseguranças de toda sorte: física, fiscal, jurídica e política.

Nossa bolsa de valores é pateticamente pequena. Muitos a consideram uma mera “pochete”. E a tendência, com esse governo, é ficar mais insignificante ainda. Os desincentivos regulatórios e tributários, mais uma vez, são os grandes culpados, e o resultado é que empresas preferem abrir capital, buscar financiamento e alternativas de capitalização em outras bolsas fora do Brasil. Mas tudo isso pode mudar, e muito rápido.

Um pacote liberalizando os mercados internos, a criação de novas bolsas de valores, a facilitação da abertura de capital e o cancelamento de todas as medidas tributárias dos últimos quatro anos pode ser adotado no primeiro ano de um novo governo.
Além do básico

Mexer no Estado social é tabu. Falar em mexer nas instituições de bem-estar social é garantir a perda eleitoral. Mas é necessário. Uma reestruturação completa dos serviços públicos, inibindo a capacidade de futuros governos de destruírem o país com gastos desenfreados, corrupção e políticas sociais sem lastro, tornaria o Brasil um país de primeiro mundo em tempo recorde.

O fluxo de investimento que o Brasil tem capacidade de atrair e absorver chegaria a meio trilhão de dólares com tranquilidade

Se houver compromisso profundo com as reformas, o aporte financeiro pode bater um trilhão de dólares em um ano.

Imagine o impacto de investir cinco trilhões de reais em um ano. A infraestrutura, a dinâmica das cidades e a logística explodiriam (para o bem), criando vários polos de desenvolvimento e tecnologia pelo país. O efeito seria uma ascensão sem precedentes da classe média.

A demanda por mão de obra qualificada geraria um ganho real de salários em todos os setores, além de reverter o fluxo migratório de trabalhadores qualificados para fora do país — algo que eu jamais imaginei ver no Brasil, mas que vi acontecer nos Estados Unidos.

A tecnologia a favor do progresso

Essa transformação acelerada — 50 anos em um — não é ficção. Hoje é viável por um motivo muito simples: os custos de construção e infraestrutura caíram drasticamente em relação ao volume disponível para investimento. Explico.

No final dos anos 90, o Brasil não tinha poupança interna capaz de dar liquidez para bancos financiarem a criação de qualquer rede de infraestrutura. Nas telecomunicações, por exemplo, as operadoras tinham que se financiar no mercado externo, pois suas necessidades eram maiores que o capital de diversos bancos nacionais.

Entretanto, com a desregulamentação mundial das telecomunicações, o custo da tecnologia caiu de 25% a 50% por ano; portanto, o capital necessário para se fazer a mesma rede seria proporcionalmente menor. É competição gerando inovação e redução de custos. Esse mesmo fenômeno se notou em todos os outros setores.

Hoje, o mesmo ocorre na construção civil e pesada. A China provou que é possível erguer prédios e obras públicas gigantescas em semanas. O custo de implementar infraestrutura baixou. Temos, portanto, a “tempestade perfeita” para o progresso: alta liquidez internacional, baixo custo de execução e um mercado interno grande e carente de modernização.

O custo da mediocridade

Em quatro anos de um novo mandato, com visão de mercado, o Brasil poderia saltar da 10ª para a 5ª ou até mesmo a 3ª maior economia do mundo. Seria um dos maiores cases de sucesso econômico mundiais, e só um país com nossos números pode ser esse case. No entanto, com o governo atual, esse sonho nunca irá se realizar.

Exigir honestidade e bom senso da administração pública sempre foi ficção, e, com esse governo, é uma realidade impossível

O governo atual acha que é o investimento do Estado que faz o país crescer e prefere tirar renda e poupança da classe média brasileira, tributando-a ad nauseam, para que o Estado invista em seu lugar. Erro criminoso. Não há benefício social sustentável sem que se tenha uma classe média consumidora pujante. E esse governo pensa exatamente o oposto. O resultado é inflação, baixo crescimento econômico, baixo investimento, juros a 15% e a debandada de empresários e consumidores do país.

Mas todo esse cenário pode mudar rápido, assim que desvendemos as possibilidades, como tento fazer neste artigo. Nosso maior inimigo é a cegueira ideológica que impede o brasileiro de enxergar o que ele poderia ser, ter, poder e tudo mais que ele e sua família estão perdendo.

É o medo natural de pular do barco que está afundando para subir em outro que ele ainda não vê. Mas esse medo há de ficar menos importante quando o brasileiro perceber que ficar preso na mediocridade, na baixa autoestima e na omissão de reassumir a liderança mundial é muito pior.

O futuro promissor está logo ali, ao alcance de quem enxerga os benefícios de uma mudança de rumo. O potencial é brutal. Eu enxergo isso. E você? Escreva aqui nos comentários.

Fonte: Gazeta do Povo

Luiz Philippe de Orléans

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é deputado federal por São Paulo, descendente da família imperial brasileira, trineto da princesa Isabel, tetraneto de d. Pedro II e pentaneto de D. Pedro I, sendo o único da linhagem a ocupar um cargo político eletivo desde a Proclamação da República, em 1889. Graduado em Administração de Empresas, mestre em Ciências Políticas pela Stanford University (EUA), com MBA pelo Instituto Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), França.

Luiz Philippe de Orleans e Bragança é deputado federal por São Paulo, descendente da família imperial brasileira, trineto da princesa Isabel, tetraneto de d. Pedro II e pentaneto de D. Pedro I, sendo o único da linhagem a ocupar um cargo político eletivo desde a Proclamação da República, em 1889. Graduado em Administração de Empresas, mestre em Ciências Políticas pela Stanford University (EUA), com MBA pelo Instituto Européen d'Administration des Affaires (INSEAD), França.

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