1 de outubro de 2026
Junia Turra

Pra Grazielle e a Vó Maria

Hoje a Vó da Grazielle fechou os olhos. E a dor dela doeu em mim.

E me fez respirar fundo, e procurar o que eu sei onde encontrar.

A minha “Vó Maria” também se foi. Já faz um tempinho. Esse tempinho nosso de mineiro que não passa. Tem outro tempo pra nós.

Nada passa.

Só o trem…

Ele leva dores, decepções, fracassos e desilusões.

O trem vai, parte, mas não leva as lembranças, nem o amor. Aquele trem que fica em nós pra todo o sempre é um trem que não sai da estação.

Fica aquele trem ali, no nosso coração.

Cheio de boas lembranças.

O amor, os pequenos gestos e os grandes também. Sorrisos, delicadezas. Imagens que pulsam.

Um trem de doido que alimenta nossa alma, nosso tempo de horizonte largo do alto das montanhas. E até bem ali no pé delas. Aí olhamos para o alto ensimesmados.

Seja do alto ou no pé do morro, Minas é onde quem parte, fica. E quem fica, vai.

Nada acaba nesse amor maior que é o trem nosso de cada dia…

Ah, e hoje tem festa no céu. cafezim no cėu. Será que tem broa de fubá, pão de queijo,?

Não sei ao certo. Certo é que aquele cafezim tem sim, coado na hora, bem forte. Ou nenhuma Vó Maria ficaria por lá.

Bora tomar um café e aquecer o coração. De olhos fechados, encharcados de lágrimas que cismam em cair.

Vó Maria…

As Vós Maria.

Vós, Maria!

Favor não nos esquecer.

Porque mineiro é gente do mundo, de todos os mundos. Sempre procuramos “ser”.

Em anexo: Imagem e texto da foto por Grazielle Moreira

Junia Turra

Jornalista internacional, diretora de TV, atualmente atuando no exterior.

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Jornalista internacional, diretora de TV, atualmente atuando no exterior.

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