
Hoje a Vó da Grazielle fechou os olhos. E a dor dela doeu em mim.
E me fez respirar fundo, e procurar o que eu sei onde encontrar.
A minha “Vó Maria” também se foi. Já faz um tempinho. Esse tempinho nosso de mineiro que não passa. Tem outro tempo pra nós.
Só o trem…
Ele leva dores, decepções, fracassos e desilusões.
O trem vai, parte, mas não leva as lembranças, nem o amor. Aquele trem que fica em nós pra todo o sempre é um trem que não sai da estação.
Fica aquele trem ali, no nosso coração.
Cheio de boas lembranças.
O amor, os pequenos gestos e os grandes também. Sorrisos, delicadezas. Imagens que pulsam.
Um trem de doido que alimenta nossa alma, nosso tempo de horizonte largo do alto das montanhas. E até bem ali no pé delas. Aí olhamos para o alto ensimesmados.
Seja do alto ou no pé do morro, Minas é onde quem parte, fica. E quem fica, vai.
Nada acaba nesse amor maior que é o trem nosso de cada dia…
Ah, e hoje tem festa no céu. cafezim no cėu. Será que tem broa de fubá, pão de queijo,?
Não sei ao certo. Certo é que aquele cafezim tem sim, coado na hora, bem forte. Ou nenhuma Vó Maria ficaria por lá.
Bora tomar um café e aquecer o coração. De olhos fechados, encharcados de lágrimas que cismam em cair.
Vó Maria…
As Vós Maria.
Vós, Maria!
Favor não nos esquecer.
Porque mineiro é gente do mundo, de todos os mundos. Sempre procuramos “ser”.
Em anexo: Imagem e texto da foto por Grazielle Moreira

