Comida também é saudade


Hoje acordei saudosa de comidas. Adoraria comer:
– aquele bolo simples com açúcar, farinha de trigo, ovos, leite, mas só vale o da minha mãe.
– banana cortada em rodelinhas com leite condensado em cima. Qual o mistério desse prato? Nenhum, mas ninguém faz igual ao da minha avó paterna.
– batata frita da minha avó paterna. Totalmente branca, desbotada, mas macia por dentro e crocante por fora. Um verdadeiro mistério.
– a fritada da minha avó materna. Não sei se o nome fritada é da minha família ou do Maranhão. É o que você quiser, colocado em um tabuleiro, depois joga claras em neve com gemas ligeiramente batidas por cima. Coloca no forno e espere.
– o feijão preto da minha mãe. Outro mistério, visto que ela só refogava com alho e sal.
– a canja da minha sogrinha.
– os peixes do Amazonas que a minha sogrinha fazia como ninguém.
– o arroz da minha mãe que ela deixa queimar, só um pouquinho no fundo e ficava aquele douradinho crocante. Não era assim todos os dias.
– o café com leite da minha mãe. 95% leite e apenas 5% de café só para ficar moreninho. Já quis fazer igual, mas não fica a mesma coisa.
Enfim, saudades de quem já se foi. Minha filha tem saudades do queijo do Vovô José que ele cortava em pedacinhos e dava para ela. Mãe, compra o queijo do vovô. Eu comprava e nada era igual. Que queijo seria esse? Nada de especial, é o minas frescal, mas ela poderá viver 100 anos e nunca mais na vida comerá queijo igual ao do avô.
Dos vivos, eu adoro aquele bolo com confeito duro da época que eu era criança. Se quero comer aquele quase tijolo cheio de açúcar? Acho que não, pois perdi o gosto pelo doce, mas vou pedir para a minha tia fazer para mim, preferencialmente naquela forma de coelhinho, leque ou gramado de futebol.
Quero pedir também para a minha prima e o maridão cozinharem farofas para mim. Vou me sentar, comer um tanto de cada um e escolher qual delas é a mais gostosa. Difícil escolher, pois ambos são imbatíveis nesta arte.
Vou querer também provar o sorvete napolitano da Kibon, mais uma vez, para constatar se o da minha época era melhor.
E por favor, se alguém souber de algum bar ou restaurante que venda Guaraná Antártica que tenha as bolinhas entrando no meu nariz, me recomendem rapidamente.
Lembrei também da Dona Ester, uma senhora amiga, já falecida que fazia pratos da culinária judaica e que eram maravilhosos. Ela também já se foi.
Enfim, muitos se foram, então quero aproveitar os vivos para não sentir saudades depois.
Resumindo, comida também é saudade.
Um lindo final de semana para todos e até o próximo Boletim.

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