A Rosa da Etiópia e a Tulipa da Eritréia


Porque ando muito ocupado e encantado com o Extremo Oriente, há mais de três meses, eu não pensava na Etiópia.
Mas acho lindos estes nomes: Etiópia, Eritréia, Vietnã, Saigon, Hanói, Tânger, Detroit e Catas Altas da Noruega.
A Etiópia é famosa pela fome.
Mas tenho uma relação carinhosa com esta terra triste.
Meu bisavô, italiano, Rômulo Stefani, serviu o Exército, na Etiópia. Foi assim que descobri a Etiópia como a única colônia italiana na África. Acho…
Tudo isso, enquanto Inglaterra, França, Portugal e até a Bélgica, escravizavam outros mil países, na mesma África.
Tenho duas fotos grandes, do meu bisavô envergando o uniforme italiano, na Etiópia.
Ele nasceu em Trieste, outro nome bonito.
Até hoje não entendi como, de Lucca, na Toscana, meu bisavô pegou minha bisavó, Genny, e juntos vieram para o Brasil. Chegaram em Santos e foram distribuídos para Barbacena.
Eu podia ter nascido na Etiópia, pela lógica, sem lógica.
E assumo, sei nada sobre a Etiópia e muito menos sobre os conflitos com a Eritréia, que me lembra Tróia e Grécia.
Sei que ficam no Chifre da África, um continente lindo, que parece o Brasil amplificado.
Não me chamo João, nem sequer nasci em Niterói.
Nem em Nairóbi, outro belo nome.
Niterói tem a vista mais impecável do mundo e é lugar de comer mulher feia, para ninguém ficar sabendo.
E como está longe da Etiópia e da Eritréia!
Rômulo, Remo e a Loba peituda, fundadores de Roma. Outro nome bacana.
Por isso, minha avó, chamava-se Rema. Anny Rema.
Ela era irmã do Tio Remo e do Tio Aristeu, que bebia vinho vagabundo com meu pai. E da Tia Aristéia, que me lembra Eritréia.
Não sei por que minha mãe é Cléa, mas rimou.
Os nomes italianos são bonitos também. Como Marcello Mastroianni e Andréa, que lá é nome de homem.
Como Gabriele.
Como meu amigo Gabriele Annis, embaixador da Itália, no Paraguai, um nome feio.
Argentina é bacana, é de prata. Tanto que, dinheiro, em francês, é “argent”.
“Yo quiero la plata, l’argent”.
O “Cherchez l’argent” que substituiu o “Cherchez la femme”.
O Prêmio Nobel da Paz foi para um etíope de nome complicado.
E paz, na paz de Deus, é do que a gente mais precisa.
E o mundo em paz um dia será um jardim.
PS: Enquanto não é, a gente vai se distraindo e distribuindo rosas e tulipas. Pétalas rosas de grandes e pequenos lábios vietnamitas.

Notícias Relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *