Bike elétrica na ciclovia dá pedal? Um test-drive diferente


Faz um tempinho, recebi uma proposta um pouco diferente das que costumam me fazer. A oferta tratava do empréstimo de um veículo para que eu avaliasse – e, até aí, nada de mais. Mas, em vez de um carro, o simpático assessor paulista colocava a minha disposição uma bicicleta. Elétrica. Bom, pra quem não sabe, informo que além de motorista sou ciclista habitual e, não raro, uso a minha magrela – alguém ainda as chama assim? – para cobrir os perto de três quilômetros que separam miha casa de nosso escritório. E, uma vez ou outra, nos finais de semana, faço longos passeios a pedal pela paisagem carioca. Então, por que não topar? A Vela 1 – esse é seu nome – foi então minha companheira constante durante uma semana, em pleno alto outono carioca. E é sobre ela que falo neste post e, também, no vídeo da TV Rebimboca abaixo.

A Vela 1 é do tipo pedal assistido, ou seja, elá não tem um acelerador e você precisa mover os pedais para que o motor de 350 watts (equivalentes a pouco menos de 0,5 cv) seja acionado e atue sobre a roda traseira. Com o sistema ligado, basta empurrar levemente os pedais para sentir essa atuação. E basta parar de mover os pés para que a propulsão pare de agir também. Quando os freios são acionados, o motor ajuda um pouquinho na desaceleração, também. Desligada, ela se comporta como qualquer outra bicicleta “mecânica” comum e, diferentemente da maioria das elétricas, não é tão pesada a ponto de transformar o passeio em uma sessão radical de musculação – ela pesa entre 19 e 22kg, dependendo dos acessórios. A autonomia, segundo o fabricante, é de até 40 km.

Na ponta da manete esquerda do guidom, um botão serve para alternar entre as duas formas de condução – uma com velocidade máxima de 10 km/h, outra, mais forte, com máxima de 25 km/h. Na ponta da manete direita há outro botão, que serve para acender o farol dianteiro – de led e que ilumina até bem direitinho – e a lanterna traseira. A buzina, pelo menos no exemplar que eu usei, é do tipo sineta, e além de ser charmosa se mostrou bem eficiente.

Vendidas por encomenda, as bicicletas da Vela permitem uma série de customizações. A começar pelo quadro – que pode ser reto ou baixo e oferece três opções de tamanho, de acordo com a sua altura, numa escala que considera gente de 1,54m a 2,00m. Há também uma série de acessórios que combinam com o estilão clássico do modelo, como bagageiros dianteiros e traseiro, alforges, caixotes e espelhos.

Antiga só no visual
Se fosse uma moto, acho que a Vela 1 seria classificada como “custom”. Isso porque seu nbelo desenho é clássico e, não fossem a seção mais grossa do quadro (onde fica guardada a bateria) e o cubo de roda traseiro (que abriga o motor elétrico) poderia ser perfeitamente confundida com uma bicicleta antiga um pouco tunada. Isso por conta de detalhes somente visíveis com mais atenção, como freios e aros de rodas modenos e uma útil tomada usb para recarregar o celular.

Entre os acessórios disponíveis e que estavam instalados no exemplar que eu usei, estão um bagageiro traseiro e outro dianteiro, no formato de uma pequena cesta vasada, com um nicho para colocar uma pequena garrafa. Essa cesta, cá entre nós, é mais charmosa do que propriamente útil, pois não há pontos de fixação para esticadores na parte de baixo. Além disso, colocando ali qualquer objeto um pouco maior, o – bom – farol de led ficará coberto. A bicicleta tem selim, manetes e um pequeno compartimento (onde fica sua central eletrônica) forrados em couro sintético e seu acabamento é bem caprichado.

No dia a dia
Como disse, tenho o hábito de fazer parte dos meus trajetos de bicicleta e, por isso, usar a Vela durante uma semana não me exigiu maiores esforços. Antes o contrário. No início, estranhei um pouco ter de destravar e ligar uma bicicleta usando um controle remoto parecido com os dos carros. E custei um pouquinho – não mais que a primeira viagem – para me habituar com a lógica de funcionamento da coisa. Mas já dominando os movimentos, dosando a força do motor e confiando nos (bons) freios, curti bastante essa magrela retro-futurista.

Não cheguei a descarregar completamete a bateria, pois sempre que chegava em casa de um trajeto mais longo, a retirava do quadro (operação relativamente simples) e levava para carregar em casa. Se quisesse, poderia também conectar o carregador diretamente em uma tomada embutida no quadro, sem precisar desmontar nada.

Em relação a minha bicicleta do dia a dia – um modelo bem simples, de 18 marchas –, a principal vantagem da elétrica, claro, foi a ausência de suor ao chegar ao trabalho. Isso e poder subir pequenas rampas e ladeiras sem fazer careta. Em termos de rapidez do deslocamento, a despeito da Vela desenvolver bastante bem, não tive ganhos assim tão expressivos, fazendo os percursos mais ou menos no mesmo tempo com o que estava acostumado. Isso porque a imensa maioria deles é feita em ciclovias que cortam bairros bem movimentados e meu juízo e minha civilidade me fazem manter velocidades mais baixas.
No domingo, porém, aproveitando que as pistas expressas do Aterro do Flamengo ficam fechadas aos carros, pude “acelerar” com mais liberdade e foi quase como se estivesse passeando em uma pequena motocicleta, leve, silenciosa e… lenta, mas inebriante.
Pedal nacional
A Vela Bikes foi fundada em 2012 pelo engenheiro brasileiro Victor Hugo Cruz. Foi ele tambémo responsável pelo projeto da bicicleta elétrica que, desde 2015, é produzida em sua fábrica em São Paulo e vendida em quatro lojas – na capital paulista, no Rio, em Brasília e em Curitiba, e também no site da marca. Os preços começam a partir de R$ 5.990, para o modelo S, e R$ 6.390, para a Vela 1. Pela tabela de acessórios do site, um modelo equipado como o que usei sairia por R$ 7.184. Não é barato. Só como comparação, uma Honda Pop 110i, com seu motorzinho a gasolina de 110cc e 7,9cv custa hoje cerca de R$ 5.900. Só que diferentemente da bicicleta, a motoneta polui, faz barulho, consome combustível, exige carteira de habilitação, não pode circular em ciclovias e, acima de tudo, não tem – nem de perto – o mesmo charme.
Qual delas você teria?

Ficha técnica
(dados do fabricante)
Motor: elétrico com 350W de potência instalado no cubo da roda traseira
Aceleração por movimento dos pedais
Velocidade máxima: 25km/h
Bateria removível de 360 Wh,
2,2kg e autonomia de 25 a 40km
Tempo de recarga completa da bateria: até 3h
Voltagem do carregador: 110/220v 130W 3.0A
Freios Promax eBikes do tipo V-Brake com sistema de inibição de motor
Quadro em aço liga 4130 Cr-Mo
Rodas com aro aero de parede dupla em alumíno e raios em inox aro 29”
Pneus CST C1103 38mm – 30 TPI e C1880 45mm – 60 TPI;
Peso: entre 19 e 22kg (dependendo dos acessórios)
Preço para um modelo equipado como o das fotos e do vídeo: R$ 7.184,00
Mais informações em velabikes.com.br

Fonte: Blog Rebimboca

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