22 de junho de 2024
Walter Navarro

Moro num País Tropical, morou?


Hoje, dia 1º de agosto, deve ter festa no apê do ministro Sérgio Moro, para comemorar sua inauguração no mundo e seus primeiros 47 anos.
Ou então ele está em algum restaurante com a família e guarda-costas ou, por que não, no Palácio do Alvorada, sendo homenageado pelo presidente Jair Bolsonaro, que fez aniversário, não dia 31, mas 21 de março.
Por falar em dia 21, aniversário e (ex) presidente, ninguém sabe, realmente, quando nasceu Lula, se dia 21, dia 27 de outubro ou no dia de algum amigo.
Com o perdão de Olavo de Carvalho, mesmo achando uma besteira este negócio de astrologia com ascendente em horóscopo, espero que Lula tenha mesmo nascido dia 27. Porque, se foi num certo dia 21, como queria o Paulinho da Viola, teríamos o mesmo signo, Libra. E, aqui entre nós, Lula está mais para Escorpião que para Balança, símbolo da Justiça, da Lei.
Brincadeira. Tenho vários amigos de Escorpião (23 de outubro a 21 de novembro), inclusive minha irmã, Adriana, nasceu no alegre dia de finados, 2 de novembro.
A única coisa que tenho em comum com Lula é o Corinthians e já é muito. Data venia com habeas corpus e habemus papa, porque sou corintiano desde 1977, quando ele nem existia, enquanto Molusco das Trevas.
Mas voltando ao Sérgio Moro, dia 1º de agosto de 1972, não teve charuto no maternidade e festa apenas na casa dele.
Na minha também teve. Meus irmãos mais velhos, os gêmeos, Nívea e Newton também nasceram dia 1º de agosto, mas em 1961.
E desde 1979, mais ou menos, eu tinha outro aniversário a comemorar, o do meu melhor amigo, em Campinas, Walter George Münch, também nascido num 1º de agosto de 1961, mesmo dia e ano de meus irmãos.
Mas, em julho de 1984, Walter se matou, com um tiro no ouvido, também em Campinas e não quero falar disso. Talvez um dia…
Prefiro voltar ao ilustre aniversariante de hoje.
Lembro-me de nada em especial no ano de 1972, aos 10 anos de idade.
Como eu nem sabia o que era mulher, minha distração maior eram os livros, jogar futebol, estudar e séries de TV como “Agente 86”, “Batman”, “Jeanne é um Gênio”, “A Feiticeira”, “Os Waltons”, “Túnel do Tempo”, “Terra de Gigantes”, “Perdidos no Espaço”, “Tarzan” e claro, “Viagem ao Fundo do Mar”. Com certeza reveria todas, neste 2019, com o mesmo prazer.
Para não ficar só nas séries do além, tinha uma ótima brasileira, a primeira versão de “A Grande Família”, puro Oduvaldo “Vianinha” Filho que morreu exatamente dez anos antes do Walter, talvez, no mesmo dia 16 de julho.
Eu era feliz e sabia muito bem. A vida era muito mais simples e divertida. Em compensação, hoje é muito mais complicada, logo, muito mais divertida também.
É engraçado saber que, quando eu tinha 20 anos, Moro era um menino de 10 anos, talvez também lendo e estudando muito, jogando bola e grudado em horrorosas séries de TV. “No meu tempo é que eram boas…”. E eram mesmo.
Eu já viajando pelo mundo e ele começando, vendo e sentindo tudo pela primeira vez.
Nesta faixa de idade as diferenças são gritantes, mas ironicamente, diminuem muito com o tempo. Eu com 30, ele com 20, já poderíamos ter algo em comum. Principalmente hoje; eu rumo aos 57 e ele, hoje, carimbando os 47.
Conheço absolutamente nada de Sérgio Moro, mas consigo imaginá-lo estudando Direito, pensando em ser juiz, talvez até ministro ou presidente da República.
A única certeza que ele não tinha e muito menos eu, é de que seria um símbolo, um ícone, um divisor de águas que nem passarinhos escoceses bebem. Não um super-herói, posto que é coisa de série de TV e de Cinema, mas um homem, um super-homem de “Assim Falou Zarathustra”, do Nietzsche.
O especial em Sérgio Moro é que, antes dele, parece que não havia Justiça, STF, essas coisas, no Brasil. Tivemos apenas um tal de Joaquim Barbosa, em seu melhor papel, o de “Tudo que é Sólido Desmancha no Ar”.
Que forças terríveis e ocultas deram Doril a Joaquim Barbosa?
Qual o espinafre de Sérgio “Popeye” Moro?
Que força estranha reina num cara que, finalmente, tirou do Brasil o vergonhoso sinônimo de impunidade?
Não sei se estarei vivo daqui 10 anos, mas espero e torço para que ele esteja, não salvando a Pátria, mas simplesmente fazendo seu trabalho, como um simples mortal.
E como finalmente está bom morar num País Tropical: Feliz ano novo, caro Moro. E “encore merci!”.
PS: Como diria meu pai, Lula “tá Sérgio, mas vai ficar preso assim mesmo”.
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Walter Navarro

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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