Três tristes tigres e a pu(ri)tana de Havana

Um esqueleto francês e um cubano. O francês: “meus ossos são grandes e fortes, tenho boa estatura, sempre me alimentei bem, e você, por que tem ossos tão fraquinhos, não te deram a ração de soja e banana? E o cubano: “É que ainda estou vivo…”.
Não aguento mais falar de Cuba, mas já que vocês insistem… Eu ainda estava no primeiro dia? Falta terminar a primeira noite…
“Buenas”, depois de degustar uma lagosta, entrei num bar onde rolava ótima música cubana ao vivo. Os caras são musicais por natureza e os grupos têm sempre a mesma formação: flauta, percussão, teclado, violão e baixo acústico. É um Buena Vista Social Club atrás do outro. A cantora era uma delícia em todos os sentidos e me deixou em posição de sentido… Fiquei na ponta do balcão e logo fui abordado, sem agressividade ou vulgaridade por uma cubana de vida fácil. Era seu aniversário, me pediu uma cerveja, perguntou meu nome, de onde eu vinha e quantos centímetros eu tinha pra emprestar… Não era o meu tipo. Preferi cobiçar as curvas da estrada de Santos da cantora que não parava de rebolar. Dei sorte, um australiano sentou-se ao lado dela, puxou papo e pelo jeito depois puxou e chupou outras coisas.
Voltei ao hotel para mais umas cervejas e depois babar no travesseiro, sem morder, fronha, claro.
Dia seguinte. Andei a pé pra caramba, em círculos, até me perder de mim. Foi sob sol queniano que conheci o comércio de Cuba: camelôs vendendo desde tubos de conexão Tigre Triste, até bijuterias baratas, lata velha, garrafa vazia, passando por coisas tão úteis quanto gel pra careca.
Assim descobri; Adão e Eva eram cubanos: viviam sem roupas, descalços, não podiam comer maçã e se achavam no paraíso…
Vi os consulados da Alemanha e da Bulgária, o país mais corrupto da Europa, de onde veio o pai da presidente de vocês, a formosa Dilma…
Vi escolas cheias e praças vazias. Peguei um táxi e voltei à Habana Vieja. Outro deleite, cheio de cores e cervejas.
Queria conhecer outro bar/restaurante bacana. Entrei no sei lá o quê de Bolonha. De novo, só turistas, música ao vivo e muita cerveja Bucanero ou Cristal “la preferida de Cuba”. A preferida dos turistas seria um slogan mais honesto…
Fui abordado por um nativo sorridente, Alfredo, que se apresentou como “relações públicas” do bar. Logo percebi que ele tinha uma treta com os garçons. Em vez de relações públicas, Alfredo era muambeiro, traficante e cafetão. Ofereceu-me charutos, maconha, cocaína e mulheres. Vocês me conhecem. Adivinhem o que comprei… charutos Montecristo número 4, claro, o preferido do Comandante Che Guevara. Afinal de “cuentas”, sou como Tim Maia: não bebo, não fumo, não cheiro, não meto. Só minto um pouquinho.
Devidamente abastecido e entorpecido dos vícios de Cuba, voltei ao hotel, capotei e sonhei com o Congresso do PC Comunista, cheio. Presentes Fidel e Raul. Alguém vê passar um rato e grita: mata, mata! Ao que outros gritaram: Aproveita e mata o irmão também…
Por falar no nosso homem em Havana, dizem que o cargo do Raul agora é “comediante em jefe…”.
Bom, dia seguinte, depois de nababesco café da manhã – o cara das omeletes, como o inventor da Coca-Cola, deveria ser canonizado em vida – e de apreciar, sem moderação, apetitosos biquínis na piscina; voltei ao lugar do crime. Melhor, do creme sem castigo. Optei por um programa mais cultural, o Museu Nacional de Belas Artes! Um regalo! Da arte cubana, só conhecia e adorava o Wifredo Lam. Esbaldei-me e ainda conheci muitas outras belas artes. Recomendo um Google para vocês: além de Lam, René Portocarrero e principalmente a mais grata surpresa: Angel Acosta Léon, que se jogou no mar, voltando da Europa, aos 30, 32 anos, um gênio!
Não fiz fotos e me dei mal! A livraria, do belo e confortável museu, não tinha um só catálogo, um só livro dos meus favoritos, por simples razão: Cuba não tem papel nem pra limpar a bunda, não ia ter para livros, né? Uma pena… Ela já não é mais minha pequena…
Fui às compras: grande bandeira de Cuba, uma camisa azul do Che Guevara pro meu irmão cruzeirense – que vergonha! – lindas esculturas em madeira, cinzeiros, canecos e pratos em cerâmica, reproduzindo pinturas; isqueiros e outras bobagens pesadas. Voltei de cocomóvel, um triciclo em forma de coco. Fiquei com pena das pernas do motorista, mas quem mandou votar no Fidel!
PS: À noite, no mesmo bar, reencontrei o australiano. Foi ele quem me contou como comer uma cubana sem fazer força. Conto semana que vem, se, claro, eu quiser…

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