5 de março de 2024
Colunistas Walter Navarro

“Perdeu, mané” é o novo “Tchau, querida”

Lembram da Dilma? Claro! Quem esquece uma tragédia daquele quilate?

Lembram do “Tchau, Querida”?

A deixa apareceu em uma orgia telefônica grampeada entre o Ladrão e Dilmandioca, em 2016. A frase de despedida virou piada e profecia: “Tchau, querida”. Semanas depois, impeachment e “Bye-bye, Darling”.

Salvo engano, esta mesma ligação confirmou a providência divina; quando Dilmanta chamou o “Bessias” e Deus nos enviou o Messias…

O “Perdeu, Mané”, de ontem, proferido por “Lulu Boca de Veludo”, aqui em Nova York, está com cheiro de feitiço contra o feiticeiro, cheiro de “Tchau, Queridos”; incluindo aí STF, STE, Carniça, Chuchu e PT. Desta feita, para sempre, oremos e esperemos!

Culpam Bolsonaro até pelo “11 de Setembro”, incluindo o hábito catártico de falar palavrões. Ora bolas, paciência tem limites e palavrão tem seu lugar. Aprendi com a Rita Lee: “quando alguém dá uma martelada no próprio dedo, a pessoa não diz: ‘Ai, que droga’; ‘Ui, que dorzinha chata!’; ‘Ops! Doeu’. A pessoa grita: ‘Puta que pariu!’; ‘Caralho’; ‘Merda’”. É ou não é?

Bolsonaro não pode falar “porra”, mas o sinistro ministro pode usar este linguajar típico das “comunidades” e do filme “Tropa de Elite”. Cadê o “decoro parlamentar” e a “liturgia do cargo”? No esgoto, junto com a Democracia?

E por “coincidência”, foi no final de “Tropa de Elite 2” que ouvi, pela primeira vez, sobre o “Sistema”. A câmera sobrevoa Brasília dizendo que ali nascia toda a corrupção e podridão que assolam o Brasil.

Por isso, também aqui, o “Boca de Sapo” não quis responder a uma simples pergunta: “No Brasil, o crime compensa?”.

Assim, se perguntarem por mim, se me procurarem às 6h, aviso que estou em Nova York e vi tudo, ao vivo.

Um cara seguia e questionava “Lulu Boca de Veludo”, educadamente. Perguntava, insistia, sobre as forças armadas e o famoso código fonte. Foi quando Lulu vira o pescocinho para trás e, com sua voz viril, em vez de engolir, cuspiu: “Perdeu, Mané! Não amola”.

“Perdeu, Mané”, ou sua variação, “Perdeu, Playboy”, é o que uma vítima escuta depois de assaltada. Logo, é uma confissão: “Fraudamos, sim, Palhaço, Trouxa, Idiota, Tolinho; cai fora, vaza”.

Em outras palavras, é o mantra dos ladrões e seus acólitos: “O choro é livre, aceita que dói menos”. Aqui, ó!

Um dia antes, “Lulu Boca de Veludo”, em outra ação pouco Republicana, almoçava ou jantava, impunemente, com o advogado do Ladrão, provavelmente recebendo os honorários.

Mas calma aí! Pausa para perguntar. Por que este apelido tão sugestivo, “Lulu Boca de Veludo”? Só o Roberto Jefferson sabe explicar, mas como ele anda meio preso, não posso perguntar; apenas desconfiar.

Vocês já viram o ótimo filme “Irina Palm”?

Maggie (Marianne Faithfull) é uma viúva em torno dos 60 anos, que precisa de dinheiro para pagar o tratamento médico de seu neto. Desesperada, vagueia pelas ruas de Londres, até encontrar uma oferta de “recepcionista” na porta do clube privê Sexy World. Maggie consegue o emprego e logo aprende as manhas da profissão, tornando-se a sedutora e famosa, “Irina Palm”.

Sabem qual era o trabalho dela? Sabem o que é “palm”, em inglês?

Este tipo de clube tem uma parede com vários furos… O cliente entra na sala, enfia o pênis (pau) no buraco e, do outro lado, sem saber se a mulher é mesmo uma mulher; velha ou moça, feia ou bonita; recebe “aquele tratamento”, com a boca ou com as mãos; com a “palm”, palma da mão… “Irina Mãos de Veludo”…

Um dia, com ou sem Roberto Jefferson, alguém vai me explicar a alcunha “Lulu Boca de Veludo”…

Mas a frase completa foi: “Perdeu, Mané, não amola”.

Amolar! Chatear, perturbar, encher o saco. Equivale a “vá ver se estou na esquina”, “vá pentear macacos” e principalmente, “vá amolar o boi”.

Sempre imaginei como podemos; não imolar, mas amolar um boi! Deve ser assim. Você vai ao pasto, escolhe uma vítima, um boi, posta-se ao lado dele e, com o dedo indicador, fica espetando o coitado e repetindo “Boi, ôoooo boi! Boiiiiiiii… Ôoooo boi”. Isso até que, depois de horas, cansado de ser amolado, o boi vai atrás da vaca e você fica lá, com o dedo no ar e com cara de idiota, de Mané.

Por falar em Mané, não o Garrincha, “o Senegal não terá o craque e estrela do time, Sadio Mané, nos primeiros jogos da Copa, disse um dirigente”.
Copa? Que Copa?

PS: Perdeu, Lulu! Não amola e volta para o Sexy World, em Londres, mas desta vez, com o codinome beija-flor de “Blue Velvet”.

Walter Navarro

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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