23 de maio de 2022
Walter Navarro

O dia em que Zeca Dirceu teve razão


Calma, idolatradas leitoras, caros leitores! Este título é apenas meu lado publicitário latindo mais alto.
Esperei a poeira baixar para divagar sobre aquele massacre da serra elétrica que saiu pela culatra.
Zeca Dirceu e asseclas são uma turba alucinada, massa ignara, vulgo apoplético.
Quero falar de verdades absolutas que, como bruxas e coincidências, não existem, mas, vai que…
“A mulher tem que ser uma puta na cama e uma dama na sociedade”. É uma verdade! E antes que me acusem de taxidermista, o homem também precisa ser um Canalha na cama e um “gentleman” em sociedade. Em sociedade tudo se sabe, em suruba tudo se cabe.
“Não basta à mulher de César ser honesta, há que parecer honesta”.
“Viúva alegre, porém honesta. Bonitinha serelepe, mas ordinária”.
Voltando ao Zeca Dirceu, de sinistra memória e linhagem, até mesmo gênios como eu, a cada 100 anos, falam meia besteira. Na esteira rolante, até quem come capim religiosamente, um dia, arrota caviar iraniano.
É a Ira do Irã, como queria o Djavan!
Zeca Dirceu tinha e tem razão ao invocar, por tortas palavras, todo aquele que é “tchutchuca com os fortes e Tigrão com os frascos e comprimidos”.
Zeca Dirceu apenas errou o alvo. E errou feio.
Se uma coisa que o ministro Paulo Guedes está longe de ser é um ou uma “tchuchuca”, palavra (sic) que eu nunca tinha ouvido antes, graças aos deuses e céus. Tinha que sair de onde foi expelida, não é verdade?
Paulo Guedes é inteligente até dormindo, até de boca fechada; está na cara dele, nos óculos, nos cabelos dele.
Tivesse Paulo Guedes sido meu professor, provavelmente eu nunca teria abandonado o curso de Economia, primeiro na UNICAMP, depois na UFMG; dois grandes currais de petistas muares pleonásticos e similares.
Traumas da Unicamp: Epistemologia e cálculo puro. A vida é muito curta para aprender alemão e passar seis meses estudando o modo de produção na Grécia Antiga. PQP! Era “de todo um arcabouço teórico perfazendo” sei lá o quê, para baixo. Misericórdia e Jesus me chicoteia!
Traumas da FAFICH da UFMG: Contabilidade e outras cadeiras de duplo sentido, como certos legumes e frutas: cenouras, nabos, bananas, pepinos Di Capri e mandiocas da Dilma. Dilma, aquela que falsificou diploma na mesma UNICAMP, antes de sair por aí estocando ventos e soltando flatulências verbais, fiscais e venenosas.
Paulo Guedes que, sozinho, enfrentou aqueles vermes gigantes; que se comportou até o limite da humanidade e civilização, definitivamente foi um Tigrão. “Tchutchuca” é o Zeca Dirceu que aproveitou a companhia da matilha para vomitar, como os mascarados Black Blocs, covardes que só atacam em bando.
Antes que me esqueça, “tchutchuca” é a mãe do Zeca Dirceu e a mãe do Zé Dirceu. Lula está preso, babacas! E Zé Dirceu, quase lá, de novo.
A conversa está boa, mas vai ficar melhor, espero.
Zeca Dirceu estava certo em me lembrar que sim, estes seres abissais; fortes com os fracos; mas mocinha, lambe botas e puxa saco com ricos e poderosos, existem sim e aos montes.
Convivo com vários para ter outra certeza e dizer outra verdade: esta gente é o tipo mais nefasto porque nada pior que burro com poder.
E os imbecis estão no poder exatamente porque são a maioria. Em Terra de cego, quem tem um olho, eles mandam cegar.
O cara trata os empregados, faxineira, garçons, balconistas como escravos. Humilha, ameaça, assedia e agride moralmente. Grita, dá ordens histéricas; acredita ser dono e senhor do material.
Mas, entre os mais poderosos e ricos, é uma moça! Um anjinho, bajulador, bem educado, comportado e humorado. Amigo e reserva moral. E neste meio, um protege o outro, é corporativismo e amor entre iguais. Reprodução em cativeiro, onde uma muleta sustenta a outra e as duas pisam na garganta de quem está por baixo ou, por enquanto, está por baixo…
Para literalmente desenhar esta gentalha arrogante, tem o filme “The Wall”, baseado no álbum homônimo do Pink Floyd, lembram?
O filme tem atores e animação. Uma das sequências animadas e trágicas mostra um professor humilhando, gritando com um menino. Muito macho ele… Só que, no jogo de sombras chinesas, o mesmo professor, aparece como uma marionete e enquanto agride o aluno, é agredido pela mulher. É sempre assim, quem apanha em casa, desconta nos outros. Quem não tem em casa, procura na rua.
Quem fica em pé no final e quem afunda com o Titanic?
Alguém aí ainda fala de Zeca Dirceu, além de mim, aqui, agora e provavelmente pela última vez? E do Paulo Guedes?
Hoje mesmo, na Globonews, antes de sair, vi um trecho – e vou procurar o programa inteiro, daqui a pouco – de nova entrevista concedida por Paulo Guedes aos abutres da Globo. Abutres que viraram mansas andorinhas. Tudo ex Tigrão com Guedes e Bolsonaro, durante as eleições; hoje, um bando de gentis pardais. Como diria Nelson Rodrigues, deu até vontade de dar alpiste na palma da mão a todos eles e elas.
PS: Tem muito Tchuchuca-Cola que é Fanta Uva; tem muito Tigre que é Piu-Piu. Basta apagar a luz, sair do armário.
Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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