3 de julho de 2022
Walter Navarro

O Brasil é um empata-foda sem gols


Naqueles idos, Waltinho O Intrépido subiu à montanha e se perguntou-se-se-se a si mesmo:
– Como pode um rapaz guapo, subido, fino, elegante, culto, fodão, pica-grossa; bonitinho, mas ordinário e mentiroso; perder 69 minutos de sua vida, em frente à TV, num frio de gripar pinguim, para assistir a Brasil 0 X 0 Venezuela? E na Bahia!
O Brasil, país partido por natureza, divide-se entre o que fazer antes e depois da Copa América. Fico com o depois e já me explico-me-me-me.
Depois do fim do teatro, do fim do rádio, do fim do cinema, do fim da TV, do vinil, do CD, do telefone fixo, da História e do papel higiênico, chegamos ao fim do futebol brasileiro. Logo depois do fim da música, cinema e civilização brasileiros.
O futebol reflete seu país, mas no Brasil, claro, é pior. Ainda contaminado pelo banditismo, a seleção brasileira parece aquelas do PT e dos fracassos. Repito, precisamos de um Bolsonaro na CBF.
O Brasil escapou por pouco de ser uma Venezuela, já o nosso futebol…
Iniciemos pelos comentaristas. Para fugir da voz histérica e modorrenta de Galvão Bueno, temos suplícios a escolher: SporTV e Fox.
Durante a transmissão de jogos na TV, sempre desce o Juca Chaves em mim: “Quando crescer quero ser comentarista esportivo, para dizer coisas sábias e inteligentes na TV…”. É de fazer Jó bater a cabeça em pregos!
Nosso último título de campeão da Copa do Mundo foi em 2002, na dinastia FHC. Com Lula, Dilma e Temer foi um vexame atrás do outro, com o cúmulo de todos: perder em casa, a Copa de 2014 e ainda levar o 7X1 de sinistra e germânica memória, em pleno Mineirão. Mais humilhante que 1950.
Foi a primeira, única e última vez que Belo Horizonte apareceu no mapa-múndi.
A Copa América incluiu dois estranhos no ninho, as potências futebolísticas Japão e Qatar.
A presença do Qatar, próxima sede da copa, é até compreensível, no mínimo, por educação.
Mas, e o Japão? Sinceramente, pelo nível de intimidade com a bola, deveria disputar a atual Copa do Mundo de futebol feminino, sinônimo de tédio desengonçado. Aos sete anos eu jogava melhor.
Por que não convidaram alguma outra potência no lugar do Japão? Porque seria ridículo ter, por exemplo, as europeias Itália, Alemanha ou França, campeãs de uma Copa América…
Pela lógica, seria mais coerente convidar Espanha e Portugal, afinal de contas, a culpa desta América Latrina é de ambos.
E por esta estratégia caminha a seleção brasileira, rumo ao próximo fracasso. O Brasil passa quatro anos enfrentando e passando aperto com seleções de quinta categoria. Aí, vem a Copa do Mundo, com times fortes, de verdade e pronto, fiasco.
E que seleção mais mequetrefe a nossa! A começar pelos jogadores. Não sou praticante, mas ainda assim é um absurdo eu não conhecer os jogadores. Da maiorio, nunca vi ou ouvi falar.
Conheço o goleiro Alisson, um tipo de Ken sem Barbie, espécie de Neymar no gol; que só faz bonito na Europa. Liverpool? Campeão, né?
Na grande família de nomes terminados em “Son” temos outros ilustres anônimos: Ederson e Richarlison, “no comments”.
Na seara dos Alliens: Willian (com n); Everton Cebolinha que mais parece um misto de Mônica com Cascão; David Neres, que está mais para Nevers; Allan, saído de alguma mesa do Kardec; Fernandinho, que não é o Beira-Mar; Éder Militão, que deve jogar na Lituânia; Marquinhos, muito famoso, na família dele, suponho e o dois em um, Alex Sandro, no lugar de Alessandro.
Entre os que conheço, de leve, ainda bem: Cássio, grande, literalmente, goleiro do meu Corinthians; Daniel “Dani” Alves que em 2022 terá 80 anos de idade e sempre fez nada na seleção; o Fagner, que deveria tentar a carreira de cantor no Ceará e Miranda, que podia ganhar a vida colocando bananas na cabeça, como Carmem.
O pior de todos, Thiago Silva o chorão bunda mole de 2014, cuja boca parece uma buceta de puta do Mangue arrombada por mil marinheiros, nos anos 40; Lucas Paquetá, que já vi no Flamengo; Gabriel Jesus, que ouvi sendo negociado por milhões, em conversa de mesa ao lado da minha, num hotel em São Paulo, 2015 e que, por mim, deveria estar jogando na seleção de Camarões.
Entre os corpos estranhos, temos estes dois, com nome e futebol de contínuo de Machado de Assis: Firmino e Casemiro; o último também serve como fustão.
Entre pouco futebol, muitos cabelos ridículos, tatuagens repugnantes, insisto nos nomes bizarros para a tradição de nosso futebol.
Assim como atores devem ter o “physique du rôle”, jogadores de futebol devem ter nomes à altura, como Pelé, Garrincha, Zico, Reinaldo e os Ronaldos, Romário, Tostão, Rivelino, Jairzinho Bolsonaro, etc…
Mas vejam os nossos acima e ainda: Philippe Coutinho! Filipe Luís e Arthur! Pelo amor de Deus! Misericórdia! Jesus me chicoteia! E lá são nomes de craque? Estão mais para hipismo, hóquei no gelo, esgrima entre outros esportes viris, como o de Diego Hypólito.
Agora, a urtiga do bolo, o técnico Tite que, com seu cabelo “boi lambeu”, tem cara de açougueiro irlandês bêbado e corno. Pior que ele só o inominável Dunga que, por crassa incompetência, deveria estar recolhido e recluso como muitos dirigentes e ex-presidentes da CBF, esta máfia redonda e murcha.
E o apelido dele, Tite? Parece nome de doença: otite, vaginite, gastrite, hepatite…
Sabem o nome verdadeiro? Não é Adoniram como o Barbosa que, na verdade era João Rubinato; nem Agenor, como Cartola e Cazuza. É Adenor Leonardo Bachi. Bach escapou por um “i”, mas da Vinci, sifu!
PS: Não vou mandar nossa seleção tomar onde deveria. Mas rima com o próximo adversário na Copa América do Qatar e do Japão, dia 22: Peru.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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