18 de abril de 2024
Colunistas Walter Navarro

Merry Christmas, Mr. President!

Aproveito que muita gente está de ressaca ou rebatendo, para perguntar: é senhor ou você? Se não tem tu, vai tu mesmo, ou talvez não vá ninguém; porque te considero um irmão mais velho, com braço forte e mão amiga.

Meu caro, à medida que envelhecemos os presentes de aniversário e Natal vão rareando.

Neste Natal, ganhei apenas quatro, pela ordem: uma garrafa de whisky do primo Paulo e outra do Pampulha Iate Clube – PIC que caminham para o inexorável fim; uma grana de minha que vai durar até o ano que vem e uma espuma de barba, da irmã Nívea, que vai me deixar mais liso e engolível por uns quatro meses.

E você? Imagino que um presidente, caminhando para o segundo mandato, deve receber muitos presentes. Uns sinceros, a maioria de puxa sacos.

Quisera eu ter a honra de presenteá-lo com algumas coisas, mas ainda não tive o prazer de conhecê-lo, “comme il faut”. O máximo foi aquele aperto de mão, em Copacabana, no dia 7 de Setembro, lembra? Foi o mais forte dos dois milhões que te deram, na mesma tarde.

Por falar em milhões, já te brindei também com quatro votos: dois em 2018 e dois, agora. Mas desconfio que os de 2022 tenham ido para o Molusco, com L de Ladrão. Tudo bem; esqueçamos esta eleição que não valeu um tostão.

Por falar em esquecer, neste Natal, espero que ganhe um 4×4. Explico! Desejo-te uma memória com elefantíase, sobre estes últimos quatro anos e, principalmente, uma amnésia de quatro minutos para esquecer a porra destas quatro linhas e assim, partir para mais quatro anos de pura felicidade, risadas, ordem, progresso e liberdade, ainda que à tardinha.

Aí sim teremos tempo para muito mais. Por exemplo, tenho certeza que, ainda em 2023, vamos tomar aquela Tubaína que passarinho não bebe, nos jardins do Alvorada. Num lusco fusco que penetrará a noite e os anais da história. Eu disse: história!

Pode combinar com o Heleno e o Paulo Guedes; eles têm cara de também apreciar piadas picantes. Sobre o PT tenho várias, daria para escrever mais um livro. Porque, como você mesmo disse, para que mentir sobre o PT se nós podemos falar a verdade? Para que falarmos a verdade, se temos as piadas?

No mais, tudo bem? Beleza? Pronto pra outra? Teve ceia ontem ou almoço hoje? Você tem cara de quem gosta de arroz com passas, farofa com bacon e tender com fios de ovos… em um tacho ou panela funda, com um litro de água, dissolva um quilo de açúcar misturando bem. Leve ao fogo médio, sem mexer, até obter uma calda em ponto de… kkkkkkkkkkkkkk. Tu és um sátiro, Capita!

Por isso teu povo te ama. Enquanto o Ladrão promete picanha com Fazuéli, que o povo verá nem na vitrine do açougue, você nos brinda com a verdade de um vulgar pastel, caldo de cana, um churrasquinho de gato e uma toalha xadrez.

Agora, o principal, o momento gratidão.

Eu que já tinha jogado a toalha e adotado o mantra de que “o Brasil não tem jeito”, mudei de ideia e de pessimismo; mesmo acreditando que otimista é alguém mal informado.

Eu que estava à beira de conjugar Mencken: “toda a pessoa normal se sente tentada, de vez em quando, a cuspir nas mãos, içar a bandeira negra e sair por aí cortando gargantas”; vi túnel e luz.

“Merci”, Presidente!

Vou resumir tudo o que você fez, te agradecendo por recuperar o sonho de Stefan Zweig que, fugiu do nazismo, para Petrópolis e escreveu “Brasil: País do Futuro”, em 1941. Zweig caiu na real e, um ano depois, suicidou-se com a mulher, Lotte.

Desde então, mesmo sendo um país que vai pra frente, o Brasil nunca chegava ao futuro, condenado a um eterno presente de misérias, corrupção, burrice, chatice e perigos.

Hoje, quase decorei o Hino Nacional, o da Independência e o do Exército. A bandeira do Brasil decora meu quarto em Barbacena e em Belo Horizonte. E eu, que só falava de Paris…

Bom, quem sou eu para te aconselhar, mas não vá para Nova York, quer dizer, não vá para Miami porque hienas e aventureiros estão de plantão. A não ser que deixe a onça aqui, fumando…

Se for, bom descanso, 22 abraços no Donald e breve regresso. Quero saber o que achou da Copa do Mundo e marcar a próxima, em 2026 aí, no mesmo Alvorada, se a “belle” Michelle deixar.

PS.: Ah! Feliz ano novo, de hoje até 2026! Só para recomeçar.

Walter Navarro, Lapônia, 25 de Dezembro de 2022

Walter Navarro

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *