24 de maio de 2022
Walter Navarro

Eu sei o que é “Golden Shower”


E “grelo duro”. Vocês também sabem muito bem. Pelo menos entre quatro paredes ou num ponto de ônibus. E não é fazer xixi dentro da piscina. Até o Papa sabe, ou não, como diz o Caetano…
E se o Bolsonaro não sabia, agora sabe de cor e salto alto.
Muita gente sabe, nem todos praticam; já praticaram ou apreciam. Nelson Rodrigues dizia que, se a gente soubesse o que cada um de nós faz entre as mesmas quatro paredes, ninguém cumprimentaria ninguém…
Eu sei o que é empalamento, sodomia, pedofilia, zoofilia, coprofilia e suicídio, mas nunca pratiquei.
E mais. Eu sei o que você fizeram no verão passado. E o “Golden Shower” que fizeram neste e em outros carnavais.
Eu sei o que a gente fala “inbox” no Facebook e no WhatsApp. O que falamos e exibimos.
Se bem que ainda prefiro ao vivo, em cores, perfumes e sabores; bem mais sensorial e gostoso.
O tão venerado Caetano Veloso, inclusive por mim (enquanto artista), adaptou uma letra, “Elegia”, de Augusto de Campos, acho… “Deixa que minha mão errante adentre atrás, na frente, em cima, em baixo, entre…”
Lindo verso, não é?
Chico Buarque, que o clichê não cansa de rotular como aquele que tem “alma feminina”, canta em “Flor da Idade”: “a mesa posta de peixe deixa o cheirinho da sua filha” ou seria “a mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha”?
Lindo e misterioso verso, né?
Não tenho a eternidade para os outros exemplos de sexo na arte e no Kama Sutra.
Mas e o agora mais que famoso “Golden Shower”, chuva dourada…?
É, além do que sempre foi, o mais novo ataque contra Bolsonaro.
Teoricamente e na prática, o presidente do Brasil perguntou no Twitter, o que era “Golden Shower”, após ter postado um vídeo pornô, condenando os abusos, a libertinagem do nosso carnaval. Inocente! Sabe de nada…
Segundo procurei e achei, o vídeo mostrava três homens “singing in the rain”, kkkkkkkkk. Em São Paulo: “três homens dançam em cima de um ponto de ônibus durante um bloco de carnaval. Um deles, seminu, toca nas próprias partes íntimas e depois deixa ter seus cabelos molhados pelo xixi de outro, que urina na sua cabeça, em plena luz do dia, na prática conhecida como ‘golden shower’”.
Visão dantesca! Pobre Bolsonaro e de quem viu. Parabéns e sorte de quem gosta deste tipo de cena e viu.
As críticas e bombas: “Um presidente não pode postar isso, escrever aquilo…”; “que falta de absurdo!”, “e a liturgia do cargo?”, “quebra do decoro (parlamentar)” e blá blá blá…
Crianças, sinto muito, mas Bolsonaro, não é um Mito, é um homem. Ele não mija na cabeça de outros homens, mas mija.
No Japão Imperial da II Guerra Mundial, os japoneses só descobriram que o imperador Hiroito era um homem e não um Deus, quando ele falou ao rádio. E quando depois, frente a milhares de súditos, explicou que o Japão tinha perdido a guerra, depois de Hiroshima e Nagasaki.
Bolsonaro também, ele, como Marielle, até sangra e é mortal, não é verdade Adélio?
Não sei em que música o Cazuza cantava: “Você caga e anda como todo mundo”.
Psiu! Além de sangrar, Bolsonaro anda, caga e mija.
E riram, fizeram piada dele, usando a triste bolsa da colostomia, coletora de fezes. Triste para muito mais gente que, ao contrário do presidente, usa e usará pelo resto da vida.
Atiraram a primeira tonelada de pedras em Bolsonaro, pelo vídeo escatológico postado. A diferença é que não se trata de nenhuma forma de parafilia. Ele apenas criticou o que sempre criticou, em campanha e agora.
Que tipo de imagem e filmes você aí, guarda, aprecia ou envia?
Já viram um filme do Pasolini, chamado “Saló ou os 120 Dias de Sodoma”, do Pasolini? E “A Comilança”, de Marco Ferreri? E “O Império dos Sentidos”, de Nagisa Oshima? “O Último Tango em Paris” do Bertolucci, com certeza, né? Tudo filme de “arte”… Menos para as almas sensíveis. Não são para os fracos.
Costumo dizer que o direito de imagens de Lula ou Dilma termina quando começa o direito dos meus olhos.
Não creio, não imagino que Bolsonaro envie vídeos de seu mastro viril, reluzente e cheio de veias para a ministra Damares, no lusco fusco ou na calada da madrugada. Nem acho que seja apreciador de um bom “Golden Shower”. Não me interessa.
Eu não postaria vídeos de homens mijando um no outro. Filme pornô, só vejo com lésbicas. Por isso, acho mais indecente, imoral, quando Bolsonaro soletra palavras como PT, corrupção, politicamente correto, Champinha & Maria do Rosário, STF ou Brumadinho, entre outros palavrões.
PS: Quanto ao “Golden Shower”, pessoalmente, prefiro e recomendo a “chuva ou ducha de prata”, quando a mulher bebe apenas vinho branco ou champagne e depois… Tim-tim!

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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