20 de janeiro de 2026
Walter Navarro

Dia de matar presidente

Hoje, 22 de novembro, logo pela manhã, sem motivo, comecei a cantarolar versos de “O Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles, musicados por, quem diria! Chico Buarque! Até postei o poema em alguns lugares e para certas pessoas: “Toda vez que um justo grita/Um carrasco o vem calar/ Quem não presta fica vivo/Quem é bom, mandam matar”.

Dia 22! Dia 22! 22… Dois patinhos na lagoa… O que mais me evocava esta data querida?

Não demorou muito e lembrei-me que, há exatos 62 anos, em Dallas, o presidente John Kennedy foi assassinado. Não com uma facada, porque americanos gostam de um bom tiro de fuzil e lá de longe.

John, com J!

John era um cara carismático, eleito democraticamente pelo povo e não por urnas de duplo sentido. Era um cara popular, vivia contando piadas, sorrindo, rindo, fazendo rir e sorrir. Como bom irlandês, gostava de mulheres e coisas muito mais simples, como caldo de cana e pastel.

Mesmo não sendo um santo, como todo político, como todos nós, ele encarnava um ar de modernidade rimando com liberdade.
Liberdade aquela coisa de Tiradentes, a quem Cecília Meireles dedicou seu poema.

Tiradentes que, na verdade, chamava-se Joaquim José, duplamente com J! “Foi trabalhar para todos/E vede o que lhe acontece/Daqueles a quem servia/Já nenhum mais o conhece/Quando a desgraça é profunda/Que amigo se compadece?”.

Nenhum! Deve ser medo de Bicho Papão, de avião, de amar ou de 8 de janeiro.

Até hoje ninguém sabe quem mandou matar Kennedy e o que ele aprontou para merecer isso, como se fosse um Lincoln e outros dois presidentes. Tentativas, com facadas, cuspes e etc. não contam.

Kennedy achava-se, vangloriava-se, como todo Mito, de ser “imbrochável, imorrível e incomível”. Depois do tiro ele nunca mais falou isso.

Mas nem só com balas e facas mata-se um presidente. Na cadeia, por exemplo, pode ser envenenado, entrar em uma briga esquisita, cair do beliche, sofrer maus tratos, ficar doente ou mais doente e receber nenhum tratamento. Coisas de republiquetas, como os Estados Unidos, aí: “Tombado fica seu corpo/Nessa esquisita batalha/Suas ações e seu nome/Por onde a glória os espalha?”.

Deve ser horrível morar num país como os Estados Unidos, sem Justiça, Liberdade e Democracia, onde a temporada de caça aos presidentes está sempre aberta.

Bom, como ainda tenho muito trabalho, neste dia 22, vou direto ao ponto. Muito antes de Kennedy, perseguiram, condenaram, prenderam, torturaram e mataram o Messias, Jesus, com J! Aí, deu no que deu, no que Deus dará! O último a sair que apague a luz, se ainda tiver luz.

P.S.: Realmente, a história se repete: quem não presta, como o Ladrão Barrabás, mandam soltar, fica vivo/Quem é bom, mandam matar.

Walter Navarro, Barbacena, 22 de novembro de 2025

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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