14 de abril de 2024
Colunistas Walter Navarro

A Guilhotina Argentina e a Gelatina de Nitroglicerina

Vi todos os jogos da Copa do Mundo do Qatar. Só não vi os que aconteceram simultaneamente. Também escrevi muita coisa sobre, acompanhando as várias fases.

Aí, depois da final, há exatos 10 dias, com Argentina x França, o fim de ano e sua carregada agenda me atropelaram e ficou faltando este registro.

Tirando os argentinos, alguém ainda quer saber de futebol em 2022? Bom, para fechar o ciclo, vou escrever, mas não apenas sobre a Copa.

Um resumo! Copa mais interessante do que eu esperava, apesar de machista e elitista. Apesar dos 6500 operários mortos na construção dos estádios.
Apesar do Iêmen, ali pertinho. Copa das “zebras” e dos pênaltis.

Gostei da mudança no calendário, do inverno para o verão, pelo menos no Brasil. Seguir os jogos no frio de julho, tarde da noite ou cedo pela manhã não combina muito com festa e cerveja.

Por falar nisso, tenho outras sugestões para a próxima Copa do Mundo, ainda mais estranha, porque vai acontecer, pela primeira vez, em três países: México, Estados Unidos e Canadá.

Interessante pela TV, mas péssimo para os torcedores seguirem seus times: caro e cansativo, como no Brasil, em 2014. Foi complicado, assistir a um jogo em Porto Alegre e outro em Manaus. Imaginem em três países. Mais que em 2002, no Japão e na Coreia, nosso Penta.

Para evitar mais um fracasso, com estes milionários pernas de pau da Seleção Brasileira, sugiro convocar apenas os que jogam no Brasil. A não ser que haja outro Neymar em 2026. Mas um Neymar que jogue o que Neymar jogava no início de carreira.

Outra sugestão: Copa do Mundo a cada três anos. Quatro é muito tempo. De espera para nós e para a forma física dos atletas. Em quatro anos um jogador pode ir do auge ao porão, machucar-se ou simplesmente envelhecer. Aos 35 anos já são considerados velhos, como o Messi que, provavelmente, jogou sua última Copa.

Última sugestão. Toda seleção que já foi campeã mundial está automaticamente classificada. Uma Copa sem a Itália é “chama sem luz. Jardim sem luar. Luar sem amor. Amor sem se dar”; perde muito em graça e tesão. Ainda mais quando são duas Copas seguidas, como agora.

Bom, voltemos ao tema, para o apito final.

Apesar de minha confessa francofilia; torci pelo Messi, não para a Argentina. Isso porque o saltitante Macron “Lacron” e o escroto do Alberto Fernández não mereciam uma Copa do Mundo, ambos amiguinhos do Maduro e da Venezuela que não foi à Copa por motivos óbvios. No mais, não é ridículo, até no futebol, a Venezuela estar na mesma situação que a Itália? É.

Lembram do Macron na Cop 27, em novembro, no Egito? Só faltou pagar uma felação para o Maduro. O mesmo durante e depois da final da Copa.
Macron batia palminhas a cada empate da França, uma moça! Depois, foi consolar Mbappé no campo… Certamente acabou nos vestiários para praticar um pouco de “mange rolá”…

Imaginem o cenário “fictício”, claro, de uma guerra do Brasil contra a “rapa”. Brasil contra seus vizinhos, incluindo a Guiana Francesa do Macron.

A França é uma potência militar, mas segundo especialistas franceses, não aguentaria três dias de guerra contra a Rússia de Putin. Como não aguentou, recentemente, a guerra com um país pobre como o Mali, na África.

Aliás, sem ajuda, a França nunca venceu uma guerra. Definitivamente não é uma Inglaterra x Argentina, em 1982, pelas Malvinas, que escolheram continuar como Falklands.

Lutar contra a Argentina – mesmo campeã no futebol, mas na miséria em que se encontra – seria até covardia. E precisamos nem do Exército, basta alertar o Ricardo Darín, importar as formosas refugiadas e abrir as comportas de Itaipu para aquilo virar um enorme Piscinão de Ramos.

Venezuela Fazuéli? Faz-me rir… Misericórdia!

Bom, vamos lá! Grande jogo! E a Argentina mereceu. Melhor: ele “meressi”, “messi bocu”.

Quanto à França, Mbappé, aos 23, sem Macron, tem pelo menos mais três Copas.

O resto? Para ficarmos ainda na França, em abril, o francês David Foenkinos lançou um livro muito interessante, chamado “Número Dois”, contando a trágica história do menino de dez anos que não foi escolhido para viver o sucesso planetário, “Harry Potter”, no cinema.

Eram centenas de candidatos. No fim, restaram dois. Daniel Radcliffe ganhou o papel, que mudou sua vida, porque, segundo a diretora de elenco, “tinha uma coisinha a mais” que o outro.

“Número Dois” trata disso, da “coisinha a mais de um e da coisinha a menos do outro”. Coisinha que lançou um ao estrelato, fama, riqueza e jogou o outro no limbo.

Em suma, assim cambaleia a humanidade, entre as luzes do 1º lugar e as trevas dos perdedores. O importante é competir? Kkkkkkkkkkk. Conta outra.

Ao vencedor, as batatas gratinadas. O segundo lugar é morrer na praia, mais humilhante que chegar por último. “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”, já o segundo vai recitar Manuel Bandeira eternamente: “a vida inteira que poderia ter sido e que não foi”.

Em pouco tempo, da Copa do Mundo de 2022 só restará a Argentina que, apesar de tudo, é um grande país. Quem sabe agora o Brasil para com esta palhaçada de tratar os argentinos com desdém; não como inimigos, “hermanos”, mas como irmãos? Péssimos são os políticos de lá, tão ignóbeis quanto os nossos.

E nós? Sinceramente, temos coisas mais importantes a resolver até dia 30, concordam? Não podemos; como o número dois, morrer na praia…

O Brasil está uma gelatina de nitroglicerina na geladeira. Frágil, mas consistente. Melhor não sacudi-la, muito menos enfiar a colher.

PS: “A paz, queremos com fervor; a guerra só nos causa dor. Porém, se a Pátria amada…”. 142 beijos e abraços.

Walter Navarro, Miami, 28 de Dezembro de 2022

Walter Navarro

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *