Terra Plana!

O assunto mais comentado da semana, claro, foi a saída do ministro Henrique Mandetta da Saúde.


Mas sobre isso tudo já foi falado. Todos já sabem que sua demissão se deve única e exclusivamente ao desalinhamento ideológico com Jair Bolsonaro.

Ainda não entrou naquela cabeça dura do presidente (ou entrou, mas ele optou por salvar a Economia no lugar de vidas) que o isolamento social é primordial para conter o maledetto vírus nesse momento.

Em entrevista ao Fantástico do último domingo, Mandetta chutou o pau da barraca e deixou bem claro que não fazia parte da turma do “amém” de Jair Bolsonaro.

Que no lugar de lamber suas botas iria dar continuidade ao seu trabalho de ministro sem deixar de lado a preocupação de um médico que conhece o sistema público de saúde do país.

Já se sabe que o escolhido, Nelson Teich, concorda com o isolamento vertical, ou seja, que se coloque na horizontal (muitos, literalmente) somente as pessoas que fazem parte do grupo de risco: idosos, hipertensos, diabéticos ou os que tenham qualquer outro tipo de doença preexistente.

Ele ainda está pisando em ovos sobre a cloroquina, defendida por Bolsonaro até pra lavar calçada. Mas se quiser continuar ministro vai ter que admitir que todos seremos salvos pelo “elixir milagroso” – é assim que alguns estão tratando a droga, ainda sem eficácia comprovada e, pior, tida até agora, como um provável complicador da saúde por causa dos graves efeitos colaterais.

Vamos aguardar. E torcer para que essa pasta não precise mudar o nome de Ministério da Saúde para Ministério da Doença!

Jair Bolsonaro tem encontrado muitos adeptos do negacionismo nessa sua luta para fazer o país andar. Um dos mais ferrenhos defensores de que tudo não passa de um exagero da imprensa, da OMS e do nosso próprio Ministério da Saúde é o deputado federal Osmar Terra.

Osmar já foi ministro do Desenvolvimento Social do governo Temer e também ministro da Cidadania do atual governo. Em fevereiro último, teve de ceder sua cadeira ao Onyx Lorenzoni, aquele que é uma espécie de Torre no jogo de xadrez do tabuleiro de Jair Bolsonaro. (Torre é a peça que pode correr sem restrição do número de casas e em todas as direções: frente, trás, direita e esquerda.)

De volta à deputância, Osmar Terra ganhou um dia desses o “prêmio” de parlamentar que mais dissemina fake news sobre o coronavírus, segundo o site de checagem de notícias “Aos Fatos”.

Um médico fazendo isso? Coisa feia, doutor!

Num áudio enviado a Flávio Bolsonaro, Terra diz que a pandemia de coronavírus está “desabando” no Brasil e que é momento de “comemorar”.

E na última terça-feira publicou em sua página no Twitter: “A não ser que falte alguma informação, tudo indica que São Paulo já atingiu o pico da epidemia e está diminuindo rapidamente o número de casos novos!!!”.

No dia seguinte a essa declaração, o hospital de referência em São Paulo, Emílio Ribas, anunciou que estava com 100% dos leitos ocupados por pacientes de Covid-19.

E aí, seu Osmar? Quem ficar doente agora “vai pá onde?”

E entre um surto e outro, Osmar Terra Plana desceu do seu disco voador e, finalmente, nos deu uma boa noticia nesta quinta-feira, horas antes da nomeação de Nelson Teich: afirmou de pé junto que não queria ser ministro da Saúde.

A população agradece, senhor!

Mas será que temos mesmo pelo que agradecer?

Em um vídeo de abril do ano passado, Nelson Teich declara que, com poucos recursos financeiros, há que se fazer uma escolha.

Entre um jovem “que tem a vida toda pela frente” ou um idoso que já está no fim da linha, ele ficaria com o primeiro.

Em sendo assim, sai a operação “cata véio” e entra a operação “mata véio”.

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