Rescaldo das eleições

votosFoto: Arquivo Google

Chegamos ao fim de mais uma eleição no Rio e, infelizmente, com a certeza de que o eleito e o não eleito não representavam a maioria do eleitorado, pois a soma dos votos brancos, nulos e abstenções superou o quantitativo do candidato eleito. Há, ainda, um pormenor: o número de abstenções foi representativo, o que é um indicativo de que está na hora de se rever a legislação eleitoral, visando ao fim da obrigatoriedade de votar e o sistema de maioria absoluta. No caso do Rio, a maioria não queria nenhum dos dois candidatos, é o que se lê na frieza dos números.
A dificuldade sentida pelos cariocas, no último domingo, para escolher o seu prefeito reforça a necessidade de uma imediata revisão no sistema político-eleitoral brasileiro. Uma veemente demonstração disso foi a vitória da rejeição sobre ambos os candidatos, no Rio de Janeiro. E nesse quadro em que os eleitores optaram pelo não voto ajudando a candidatura menos intolerável, não custa lembrar Pablo Neruda: “Você é livre para fazer suas escolhas, mas será prisioneiro das consequências.”
Não entendo o porquê de os votos válidos serem apenas em que o eleitor direciona sua intenção para este ou aquele candidato. Se eu votar nulo ou em branco não estou dando minha opinião de que não desejo ver eleito o(s) indivíduo(s) em foco? Afinal, estarei expressando a minha opinião na urna! Ou não?
O resultado das eleições e o grande número dos não votos devem ser vistos pelos políticos, em especial, pelos novos prefeitos e vereadores, como a voz do silêncio. Não se trata de um mero protesto. A vida nas cidades se mostra violenta, insalubre e desumana. O silêncio eloquente não mais se contenta com corrupção, irresponsabilidade fiscal e gestão incompetente. A democracia se faz diariamente, entre as eleições, e não somente no dia da votação. E a verdadeira reforma deve começar com a dos políticos.
Como já acontecera no primeiro turno, as urnas deram uma resposta aos políticos que insistem em se fingir de surdos. Como já acontecera diante das manifestações de 2013. Se não houver uma reforma política a cargo de uma comissão apartidária e de alto nível, quiçá uma Constituinte, tenho certeza de que em 2018 os votos em branco e nulos e as abstenções baterão os atuais recordes. Irão para o “Guiness” como o registro da insensibilidade de muitos que vivem em Brasília, a nossa Ilha da Fantasia.

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