O Boletim: lá se foram 24 anos, e agora?

Amigos, lá se foram 24 anos. Sim, o 1o Boletim foi editado em 20/01/1997, é claro que de uma forma totalmente diferente do que é hoje. Eu recebia alguns textos, selecionava, editava e publicava. Era apenas um e-mail que continha as colunas de quem me mandava. Até mesmo o Editorial, não se chamava assim, ele era chamado de ASSUNTO DA SEMANA.

Lembram do som da conexão discada?

Eu tinha todos, desde o primeiro, COM BACKUP, mas infelizmente, em 2006, julho, um pequeno pico de luz “fritou” meu HD principal e, por azar, no momento, eu estava fazendo o bkp para o HD externo. Resultado: perdi o HD principal e meu HD de bkp… já sofri e chorei muito por isso, mas tentei de tudo.

Cheguei a enviar os HDs para uma empresa em SP que garantia recuperar os dados, cobrando o absurdo de mais de mil reais… enviei e, 15 dias depois recebi de volta os HDs (interno e externo) dando como impossível a recuperação dos dados… foi uma puta tristeza… felizmente eles devolveram 80% do valor pago…ao menos…

Uma outra empresa, aqui no Rio, no Flamengo me fez uma proposta: se eles conseguissem recuperar os dados de qualquer um dos dois HD’s eu pagaria 2 mil reais, se não conseguissem, eu não pagaria nada… também enviei e eles me devolveram sem conseguir recuperar…

Portanto o bkp mais antigo que tenho hoje (em três ou 4 HDS – internos e externos) é de 01 de julho de 2006. A minha ideia, aliás, sugestão da amiga Junia Turra, era que eu deveria (e queria) republicar o primeiro editorial (assunto da semana), mas já que, tecnologicamente, foi impossível, achei melhor acatar a sugestão da grande amiga e republicar o Editorial mais antigo que eu tinha, que é este de 01/07/2006. Segue abaixo:


ENTREVISTA DO LULA

Foi impressionante o desconforto do presidente em sua entrevista. À certa hora, tentando explicar o esquema de corrupção que o PT montou na máquina pública, disse que havia corrupção em todo o país, tentando com isso passar para a opinião pública que aquilo não fora invenção do PT.

Claramente, as perguntas foram objetivas e, mais claramente, as respostas, de novo, foram evasivas e cínicas. Não valeu a pena ouvir as respostas do presidente: o seu discurso foi vazio e nas nuvens. Se o repórter, sem desmerecer o competente Pedro Bial, fosse Carlos Lacerda, David Nasser ou Carlos Castelo Branco, o presidente nem teria aceitado falar. Continuaria mudo.

Mais uma vez, o presidente se esquiva de responder as perguntas sobre a corrupção em seu governo e no seu partido. Usando como escudo a afirmativa de que todos são inocentes até o julgamento final, e que em seu governo tem atuado na apuração das irregularidades, transformou a entrevista em perda de tempo para o espectador e num programa de promoção pessoal.

As perguntas do Bial foram respondidas pelo presidente como em todas as suas entrevistas (não sabia de nada, não ouviu nada e se soubesse nada teria acontecido, pois ele não permitiria). Não acredita no mensalão nem nos fortes e indefensáveis indícios de corrupção. Somente depois que provado pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal. Nada acrescentou além do que já estamos cansados de ouvir, mas usou quase todo o tempo para falar dos feitos do governo, numa propaganda antecipada de candidato à reeleição que ele diz não saber se participará.

Se considera que todos são inocentes até prova em contrário, o mínimo que se poderia fazer era afastar, imediatamente, o denunciado, assim impedindo que ele pudesse, no exercício da função, encobrir pistas, destruir provas e até queimar arquivos. Quanto às companhias de Sua Excelência, acho que ele deveria ter mais cuidado em sua escolha.

O presidente, em mais uma metáfora futebolística, mencionou que não se pode julgar se um jogador é bom ou ruim antes do início do jogo. Fico pensando a que jogo ele se refere. Não deve ser o do governo, pois já iniciou há três anos. E, em três anos, assistimos a assalto aos cofres do governo, mensalões, pagamento de propinas, milhões de reais indo e vindo em cuecas, malas e contas bancárias. E o presidente insiste que não sabe de nada e que precisa aguardar as conclusões das CPIs.

Quando menino, lembro de ter ouvido no rádio que o capitão de um navio que naufragava havia se recusado a deixar a embarcação. Lembro que meu pai me explicou que aquela atitude era uma questão de responsabilidade e de honra. Ontem, o presidente Lula deu a entender que nada tinha a ver com o naufrágio do navio chamado PT: “O PT vai sangrar muito para poder se colocar diante da sociedade outra vez…” Aparentemente, a grandeza foi substituída pela esperteza.

Lula, depois de tudo o que aconteceu, quer que as pessoas peçam desculpas a ele. Provavelmente acha que o povo brasileiro é cego e surdo. Gostaria de responder ao presidente com três ditados: “Pior a emenda que o soneto”, “O pior cego é aquele que não quer ver”, “Para bom entendedor, meia palavra basta”.

Desculpas, senhor presidente, é o senhor e seu partido que devem àqueles que achavam que a esperança venceria o medo. Desculpas, senhor presidente, devem ser pedidas pelo PT, que acusava tudo de corrupção e todos de corruptos, e apregoava ser o único detentor da ética, da moral e do respeito à coisa pública. Infelizmente, num país em que a massa — que verdadeiramente elege governantes — não tem acesso à educação, informação e cultura, basta um discurso demagógico e acusador para um político se eleger.

Ora, senhor presidente, se quer realmente fazer história nesse país, envie um projeto de lei transformando a corrupção em crime hediondo, acrescido do confisco imediato dos bens das pessoas envolvidas no ato de corrupção. Será o começo da redenção desse país.

Não podemos aceitar que o presidente da República diga que levou uma facada nas costas e que não sabia de nada. Isso não é verdade! O PT aparelhou as repartições do país e sabe de tudo o que acontece. Não podemos aceitar isso. É obrigação do governo apontar os responsáveis para puni-los.

Facada nas costas foi dos brasileiros que se despiram de todas as convicções para votar nessa trupe. Facada nas costas é o que acabou de acontecer com o prédio do INSS em Brasília, destruindo provas irrefutáveis da corrupção que assola o país.

Muito pior do que a facada nas costas que o presidente Lula diz ter recebido de seus companheiros foi o enorme peso de uma responsabilidade, para a qual não tinha capacitação, que colocamos em suas costas na eleição de 2002.

Facada nas costas recebemos nós, que com esperança e otimismo ajudamos a eleger este senhor que ocupa o cargo de presidente da República. Que as eleições de 2006 nos tragam mais inspiração na hora de votar, porque se for para decepcionar que seja com outro candidato e de outro partido que não o PT, símbolo da dissimulação e da dubiedade.

Fica impossível acreditar nos comícios antecipados do presidente Lula para sua reeleição de que tudo é obra e arte do super-homem Delúbio, réu confesso, que fez tudo sozinho, sem autorização e sem conhecimento do PT. Presidente, quem foi traído foi o povo, que votou nestas pessoas que estão arrombando o país, para tentar se perpetuar no poder.

O presidente Lula diz que não interessa saber quem o traiu. Esquece-se ele de que, como presidente da República, representa o povo brasileiro?

Quem foi traído fomos nós, contribuintes. O dinheiro roubado é nosso. Fruto de nosso trabalho e entregue ao governo na forma de tributos e impostos para o bem comum. Exigimos saber quem nos roubou e é obrigação dele apurar e punir os culpados. Agora, é engraçado que outros roubem para aumentar a base de sustentação do governo do PT e ele, fundador e presidente de honra do partido, não soubesse de nada.

O Lula é incansável mesmo. Não se cansa de nos indignar.

O próximo voto é uma encruzilhada.

Quem nasceu. Como eu, na década entre 1945 e 1955, sentiu em suas vidas os efeitos das três correntes políticas que governaram e ainda governam o país: a extrema-direita, representada pela ditadura militar, os centristas representados principalmente pelo PSDB e PMDB e a esquerda (?) representada pelo PT.

Todos têm um discurso e um programa de governo, cujo eixo central é resolver os problemas de saúde, miséria, educação, segurança, habitação e economia, que afligem uma população que já não aguenta mais tanta falação sem resultados. Os problemas se agravam e esses políticos somente pensam em se perpetuar no poder. As mesmas caras de 10, 20 anos atrás lá estão ou os seus descendentes.

A melhor maneira de dizer-lhes que não mais os queremos é anulando nossos votos. Não digam que esta atitude é antipatriótica ou antidemocrática. Antidemocrática e antipatriótica é a atitude deles que deveriam dar oportunidade para brasileiros mais bem intencionados. Não se espantem quando digo que eles deveriam dar oportunidade para outros, é que hoje no Brasil, para se candidatar você é obrigado a se filiar a algum partido, que normalmente é dirigido por um destes políticos profissionais, destas décadas, então…

Pelo que tenho lido e ouvido, é evidente uma tendência nas próximas eleições, pelo voto nulo. Motivo? O descaso da classe política pela inteligência do povo, como recentemente ocorreu na absolvição do deputado Romeu Queiroz, acusado de receber grana do esquema do valerioduto. É claro que o voto nulo não interessa aos políticos. Prova disso é a urna eletrônica, projetada sob a orientação deles, não dispor de tecla específica para tal voto. É inadmissível uma manifestação legítima, prevista no Código Eleitoral, não estar contemplada na urna eletrônica, da mesma forma que o voto em branco.

O voto nulo parece ser uma alternativa a ser explorada como forma de reação da sociedade à total falta de credibilidade e decadência moral do Congresso. Embora o voto popular seja a expressão máxima da participação e da responsabilidade social e política, o povo e a sociedade esclarecida já se cansaram de fazer bem-feito a sua parte para depois assistir aos pseudopolíticos eleitos desmoralizando as casas republicanas, ignorando os interesses públicos em prol de benefícios próprios. Dentro das vias democráticas só nos resta a opção de protestar com o voto, no caso, o nulo.

Porém, há outra corrente, igualmente numerosa, que indica como caminho o voto “virgem”, ou seja, votar num candidato que esteja concorrendo pela primeira vez. Assim teríamos a certeza de que mudaríamos as moscas do doce, varrendo do mapa os atuais corruptos. Esta corrente alega que assim, os novos eleitos, sabedores desta reação do povo, se comportarão (odeio a mesóclise) bem para que tal não aconteça com eles nas futuras eleições.

No entanto, esta corrente pelo voto virgem tem seu argumento derrubado com um exemplo simples: A filha de Roberto Jefferson seria uma alternativa confiável? Pois é, não sabem? Muitos políticos estão preparando cônjuge, filhos, netos etc como seus prepostos eleitos. E o Severino? E o José Dirceu e o Genuíno? Não teriam eles seus preposto?

Devemos aproveitar a oportunidade e mostrar aos nossos representantes que eles se esqueceram que a capacidade de tolerância dos oprimidos provém da ignorância de suas alternativas. A certeza de impunidade foi capaz de fazer com que perdessem todos os limites, inclusive da nossa capacidade de reação, mas agora, seguindo esta linha, podemos ver uma luz no fim do túnel.

Enfim, na democracia, o poder pertence ao povo, que cede direitos aos políticos, que, em contrapartida, têm o dever de exercer impecavelmente seus mandatos, em prol do bem comum desse povo. Doce ilusão!!!

Mas se patrimonialismo, o nepotismo, o fisiologismo, a plutocracia, o toma-lá-dá-cá, o ‘é-dando-que-se-recebe ‘ e outras mazelas reinantes desde 1500 continuarem a impedir que adotem essas propostas, só nos resta votar nulo. Fora todos!

Texto publicado em O Boletim em 01/06/2006

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