9 de agosto de 2022
Vinhos

Degustações comparativas – de volta ao básico

Que tal aprender sobre vinhos e se divertir ao mesmo tempo?

Esta é a proposta deste texto: como fazer uma degustação comparativa, sem formalidades, sem termos complexos, num encontro entre amigos e com diversão assegurada.

Este tipo de degustação é muito usado nos cursos profissionalizantes para Sommelier, em todos os níveis. Afinal, eles têm a obrigação de conhecer, profundamente, os vinhos que vão nos oferecer em seus restaurantes ou lojas.

Nós, pobres mortais que apreciamos um bom vinho, podemos ter uma atitude bem mais relaxada com relação a extensos conhecimentos. Mas não podemos deixar de compreender qual ou quais vinhos nos agradam mais. A ferramenta que vai nos treinar nisto é a degustação comparativa.

De uma forma simples e direta, a maneira mais fácil de fazê-la é reunir alguns amigos e abrir duas ou três garrafas de vinho, ao mesmo tempo. Devem ser diferentes entre si, tintos, brancos ou qualquer outra combinação. Nesta primeira degustação a escolha será livre. O local não é relevante: um restaurante, uma residência ou ao ar livre ao lado de uma piscina. Além dos acessórios de sempre, temos que ter taças em dobro ou triplo.

A “regra do jogo” é simples: provem cada um dos vinhos servidos e escolham qual é o seu melhor. Anotem, fotografem, registrem. A partir deste resultado, outras provas poderão ser organizadas. Garantimos que na próxima degustação todos vão querer dar um passo adiante, acrescentar alguma sofisticação e, obviamente, aprender mais um pouco.

Não é difícil fazer isto. Aqui vão mais algumas ideias.

1 – Castas diferentes:

O objetivo é passear desde um vinho leve até um bem encorpado. Entre os tintos, comecem com um Pinot Noir ou mesmo um Beaujolais (Gamay), passem por Merlot, Cabernet Franc, até chegar em pesos pesados como um Tannat, Cabernet Sauvignon ou tintos da região do Douro.

Entre os brancos, comecem com um Pinot Gris seguindo com Chardonnay e finalizando com Viognier.

Procurem comparar a sensação de volume na boca que cada uma das castas passa. Se o paladar estiver apurado, comparar as notas frutadas (tintos) ou florais (brancos) é um bom treino.

Um interessante possibilidade nesta mesma linha é comparar vinhos que passaram por madeira ou não.

2 – Regiões produtoras

Está é uma das mais instrutivas, divertidas e fáceis de organizar. Escolham uma determinada casta e sirvam vinhos de diferentes regiões que a utilizam. Por exemplo, um Merlot nacional, um chileno e um italiano. Podemos usar um corte, desde que haja uma nítida predominância da casta escolhida.

Há diversas variações possíveis aqui. Um boa sugestão seria escolher vinhos da casta Malbec elaborados em diferentes regiões da Argentina: Mendoza, Patagônia e Salta. Outra possibilidade, neste mesmo país, é comparar as regiões de Mendoza: Lujan de Cuyo, Maipú e Vale do Uco. O resultado pode ser surpreendente!

Dentro desta lógica, podemos adaptar para outros países ou regiões. Portugal, Espanha, França e Itália são cheios de diferentes denominações que servem como uma verdadeira escola de estilos, aromas e sabores. Basta um pouquinho de paciência para escolher os vinhos com critério.

3 – Verticais e horizontais

Se existir uma “pós-graduação” em degustação comparativa, estas duas fazem parte do currículo. A Vertical abrange diversas safras de um mesmo vinho. A Horizontal busca comparar os vinhos de uma mesma safra, mesma região, diferentes produtores e mantendo a escolha de castas iguais.

No primeiro caso o ideal, para uma prova caseira e que não pese no bolso, é escolher safras não consecutivas. Três ou quatro garrafas seriam suficientes. O espaçamento entre as vinificações de 2 anos, no mínimo. O objetivo é perceber como cada safra evoluiu com o tempo. Em linhas gerais, os vinhos mais novos serão mais “duros” e os mais velhos mais “fáceis” de beber.

A horizontal é um pouco mais difícil de organizar, exigindo algum planejamento. Um ponto de partida bem interessante e relativamente fácil de obter os vinhos é olhar para a casta Merlot no sul do Brasil – Vale dos Vinhedos. Escolham, de uma mesma safra, três ou quatro produtores, misturando as grandes vinícolas com as de pequeno porte ou “boutiques”.

Com certeza teremos ótimas surpresas.

O que servir com estas provas?

Esta resposta dependerá do objetivo da reunião. Se for só treinar e aprender, o ideal é sermos minimalistas: pão ou bolachas neutras, azeite e água. O importante é limpar o paladar entre cada vinho. Após a parte “séria” do evento, nada impede que se sirva algo mais substancioso.

Saúde e bons vinhos!

Foto de abertura: “Garrafa de vinho” criada por aleksandr samochernyi para Freepik.

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Engenheiro, Sommelier, Barista e Queijeiro. Atualiza seus conhecimentos nos principais polos produtores do mundo. Organiza cursos, oficinas, palestras, cartas de vinho além de almoços ou jantares harmonizados.

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