9 de agosto de 2022
Sylvia Belinky

Turista em sua própria casa


Tem sido difícil escrever ultimamente. Hoje, a única coisa constante é a mudança de todas as coisas para pior e já ter alguma idade; fazer essa assertiva, nos torna antipáticos e “velhos”.
Aí, eu fico me analisando e tentando descobrir se estou sendo muito generosa para comigo mesma ou se, de fato, tenho e desenvolvo bons relacionamentos com as pessoas porque acredito que todos tenhamos dentro de nós uma centelha, algo que, muitas vezes, não aparece de cara, ao primeiro contato, mas está lá; basta ter paciência e esperar que vai aflorar!
Tenho pensado que há várias atrações nessa minha cidade tão prenhe de eventos, exposições, coisas lindas de se ver, de se curtir, um presente diferente para cada um de nós.
E, quando você não consegue interessar quem está mais próximo de você, vai certamente conseguir com alguma alma gêmea que, como diz a palavra, é alma, não é visível; então, você vai ter que usar de perspicácia e pontaria, atirar para onde lhe pareça mais propício.
Santo de casa não faz milagre e, certamente, isso se dá porque a gente convive muito e o outro tem mais motivos para se cansar de suas investidas.
Com meu marido tem sido assim. Nessa semana que passou, convidei uma amiga bastante recente e propus um programa de turista na própria “casa”: fomos à cidade, ao Farol Santander, que continha 4 exposições e tratamos de ver todas.
Por mero acaso, em frente a esse edifício havia um outro, o do Banco São Paulo: 14 andares de puro deleite, o edifício art déco mais característico da América Latina, lindo, todo decorado, com chão em mosaico, com medalhas de bronze nele incrustadas, tendo dois motivos: uma estrela e um pequeno mapa do Brasil; sancas de alabastro e de jade, paredes de jacarandá negro, planta extinta, esculpidas à mão.

O edifício dos Almeida Prado levou 3 anos para ser construído, foi tombado pelo CONDEPHAAT e hoje abriga – por pouco tempo, já que foi comprado por outro banco – a Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo.
Dentro, uma criatura abnegada nos deu diversas informações sobre essa obra de arte; alguém genuinamente apaixonada por tanta beleza, que fez a descrição e contou histórias e lendas sobre ele – e nos pediu que indicássemos para amigos e conhecidos essa visita realmente privilegiada.
Conforme o prometido, estamos tentando alardeá-la aos quatro ventos e até falando dela… no Boletim!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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