24 de abril de 2024
Colunistas Sylvia Belinky

Horários

Em matéria de horários no Brasil, somos considerados por aí, habitantes do quarto, nem do terceiro mundo, o que já seria um tremendo elogio para nós!

Brasileiros são mestres em não respeitar horários, em não levar a sério instruções vindas num convite para o que quer que seja!

Confiam que se vierem sem gravata e lá no convite diz que é obrigatório o uso, “Imagine que vão me barrar por algo tão simples e sem sentido algum!”

Confundem traje passeio com “vou do jeito que eu quiser”, “afinal se me convidaram, vão fazer questão é da minha presença, não da roupa que estarei vestindo” e lá vai o incauto de bermuda estampada e havaianas para o Teatro Municipal! “Mas eu paguei o ingresso”! “Tão de brincadeira comigo”!

Acho essas coisas uma tremenda falta de educação, assim como você convidar para um almoço em sua casa “entre meio-dia e meia, uma hora” e a pessoa aparecer às 14.30h com a cara mais lavada do mundo: “Atrasei um pouco, desculpa!”

Gente! Não tem comida que fique boa com esse atraso e, dependendo do cardápio, supondo que você tenha feito um suflê – que “desinfla” em 10 dez minutos: quem viu, que ótimo, quem não viu, come “soladinho” mesmo – de aparência, que de gosto, vai continuar ótimo!

Mas no final de semana passado vivi, pela primeira vez na vida, a experiência de alguém que chegou… duas horas antes do combinado!!

Era um almoço para amigos, nada de pompa e circunstância, mas se pensarmos que quem cozinha sou eu… Pode-se imaginar que fiquei um bocado atrapalhada e muito e muito p… da vida com a falta de “se mancol” – que, pelo que eu me lembre, não se vende mais nas farmácias!

Era a segunda vez que eu convidava essa pessoa para vir aqui e quero crer que ela se tenha imaginado como “persona gratíssima” – e até o era, mas não naquele horário, já que chegou e me pegou de avental, lenço na cabeça, terminando os brócolis alho e óleo, de luvas para não estragar as unhas feitas na véspera, decidindo se ia ou não fazer uma salada muito saborosa mas trabalhosa, que requer que todos os seus ingredientes sejam bem picados!

Como diriam os franceses, “a quelque chose malheur est bon” (“para alguma coisa a tristeza serve”) – e eu tirei a salada da frente instantaneamente!

Ela trouxe minha outra amiga – essa sim, amiga de muito tempo, visivelmente constrangida – é bom lembrar que eu moro fora de São Paulo, há uns 25 minutos do centro – num dia bom – e, (desgraçadamente para mim) domingo é um dia bom!

Minha convidada apressada estava “na dela”, feliz e satisfeita, embora eu claramente estivesse sem saber o que fazer: terminar de arrumar a mesa? Colocar os belisquets? Servir o vinho? Subir pra avisar o marido “da surpresa”: “Sai já dessa cama e vai lá fazer sala para eu vir tomar banho!”

Caramba! Que tremenda saia justa… e que porre!!

No final das contas, tudo deu certo, mas certamente foi uma experiência inédita para mim e bastante traumática!

Sylvia Marcia Belinky

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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