20 de abril de 2024
Cinema

Asterix & Obelix: O Reino do Meio / Astérix & Obélix: L’Empire du Milieu

De: De Guillaume Canet, França, 2023

Nota: ★★★½

(Disponível na Netflix em 6/2023.)

Astérix e Obélix sempre viajaram demais, desde que vieram ao mundo em 1959 pela imaginação e pelo traço brilhantes de René Goscinny & Albert Uderzo. Nos 34 livrinhos, os dois amigos da única aldeia da Gália que resiste aos invasores romanos estiveram em Lutécia (atual Paris), em Roma, na Germânia (atual Alemanha), no Egito, na Bretanha (atual Reino Unido), na Helvécia (atual Suíça), na Córsega, na Bélgica, e até mesmo na América do Norte, em meio aos pele-vermelhas.

Mas eles jamais haviam ido tão longe quanto neste quinto filme live action com suas aventuras, Asterix & Obelix: O Reino do Meio, de 2023, caprichadíssima produção de 65 milhões de euros. Aqui, nossos heróis vão ao outro lado do mundo, à China, ajudar o reino da imperatriz e sua filha, cobiçado por vários nobres ambiciosos, um deles associado a… Júlio César!

Faz todo sentido que uma nova aventura de Astérix e Obélix se passe em boa parte na China. Afinal, o país que no filme é o Reino do Meio hoje é a segunda maior potência econômica do planeta. Os olhos do mundo estão voltados para lá, muito mais que quando Jean-Luc Godard fez A Chinesa/La Chinoise e Marco Bellochio lançou A China Está Próxima/La China è Vicina (ambos de 1967). Muito mais do que em 1979, quando saiu o álbum 24, o último inteiramente escrito por Goscinny e desenhado por Uderzo.

René Goscinny, gaulês de Paris, de 1926, morreu em 1977. Albert Uderzo, gaulês da pequena cidade de Fismes, de 1927, continuou a tradição iniciada com o amigo, e chegou ao livro número 34. Morreu em 2020.

Este Asterix & Obelix: O Reino do Meio é o primeiro dos cinco filmes live action com os dois heróis que não se baseia em história criada por Goscinny e Uderzo. A trama é original, foi criada diretamente para o filme por Julien Hervé e Philippe Mechelen, que também assinam o roteiro juntamente com Guillaume Canet.

Mas esses três aí foram absolutamente, absolutamente, absolutamente fiéis ao espírito dos criadores dos personagens e dos álbuns. O filme tem todas as características das histórias em quadrinhos criadas por Goscinny e Uderzo. É impressionante.

Impressionante – e delicioso. O filme é uma maravilha, um bálsamo, uma poção mágica de alegria para os fãs de Astérix e Obélix. Como os anteriores. (Mais adiante há uma tabela com informações básicas sobre os cinco filmes.)

Guillaume Canet co-escreveu, atuou e dirigiu

Este L’Empire du Milieu é o primeiro dos cinco que não tem o gordo e grandalhão Gérard Depardieu como o gordo e grandalhão Obélix, o gaulês que, quando menino, caiu no caldeirão da poção mágica do druída Panoramix, e se tornou fortíssimo para toda a vida, sem necessidade de, ao contrário de Astérix e todos os demais da aldeia, tomar um golinho da poção para ter uma força descomunal na hora de enfrentar os romanos.

Obélix é aqui interpretado pelo nada gordo Gilles Lellouche. As mágicas dos maquiadores e das equipes técnicas, no entanto, deixaram o magro Gilles Lellouche do tamanho que é o Obélix do traço de Uderzo.

E Astérix vem na pele de Guillaume Canet, esse ótimo ator e diretor de um punhado de belos filmes, inclusive dramas densos, pesados, como Não Conte a Ninguém (2006), e comédias dramáticas sensíveis sobre relações afetivas, como Até a Eternidade (2010) e Estaremos Sempre Juntos (2019). Além de interpretar o herói da história, Guillaume Canet foi co-autor da trama e diálogos e dirigiu o filme.

A parceria de Canet e Lellouche é antiga; os dois são amigos, já trabalharam juntos em diversos filmes. Lellouche atuou nos três filmes dirigidos por Canet citados logo acima.

Dão-se bem como amigos na França destas primeiras décadas de novo milênio, dão-se bem como os dois amigos da Gália de dois milênios atrás, invadida pelo exército de Júlio César.

O imperador Júlio César sempre foi espinafrado nas histórias de Goscinny e Uderzo. Coisa mais natural do mundo. Para o povo da Gália, os romanos eram os invasores, os usurpadores de sua liberdade, e Júlio César, a imagem do Mal em Si – da mesma forma com que o povo daquela mesma terra, então chamada França, veria, quase dois mil anos depois, os invasores nazistas e seu chefe, Adolf Hitler.

Assim, César, nas histórias de Astérix, é um ditador sanguinário, um mau caráter, um grandecissímo filho da puta – que mal esconde o Mal em Si atrás de uma máscara de homem extremamente vaidoso, arrogante, cheio de soberba, ao mesmo tempo em que se demonstra a rigor inseguro e um tanto sonso.

Não me lembro de ter visto o terceiro dos cinco filmes, o de 2008, Astérix aux Jeux Olympiques, em que Júlio César é interpretado por Alain Delon, aquele ator mais belo que o deus Apolo, mas muito provavelmente Delon fez um César detestável, a antipatia em pessoa. Neste L’Empire du Milieu aqui, o ator escolhido, o ótimo Vincent Cassel, faz um imperador absolutamente execrável, em tudo por tudo. Está perfeito no papel.

É interessante lembrar que, no segundo filme, Cleópatra foi interpretada por Monica Bellucci, aquele exagero de mulher – Monica Bellucci e Vincent Cassel foram casados durante 14 anos. Neste filme de agora, a imperatriz egípcia que já esteve nas telas na pele de Monica Bellucci – e algumas décadas antes na de Elizabeth Taylor, no filme que quase levou a 20th Century Fox à falência –, vem com outra mulher de beleza extraordinária, Marion Cotillard (na foto abaixo). Não por coincidência, ela é a senhora Guillaume Canet, mãe dos dois filhos do diretor do filme.

Marion faz apenas uma participação especial: embora Cleópatra seja importante na trama, e seja citada muitas vezes, ela aparece em poucas sequências.

Todas as características dos quadrinhos estão lá

O primeiro dos cinco filmes live action das aventuras de Astérix e Obélix sem Gérard Depardieu, o primeiro com história inteiramente criada sem a participação de Goscinny e Uderzo, o primeiro em que o diretor interpreta Astérix.

Mas é o quinto que é delicioso como ler e reler um álbum de Astérix. O quinto que é absolutamente fiel ao espírito das histórias originais.

Meu, é impressionante: todas as características marcantes dos livrinhos da dupla Goscinny & Uderzo estão lá na tela – mesmo as coisas mais difíceis de se transportar da história em quadrinhos para o cinema live action. Nisso – me peguei imaginando – Guillaume Canet teve mais sorte que Claude Zidi, o diretor do primeiro dos cinco filmes, Astérix e Obélix contra César, de 1999, porque ao longo desses 24 anos que separam um do outro os milagres dos efeitos especiais evoluíram demais, evidentemente. A tal da CGI, computer-generated imagery, se desenvolveu de forma extraordinária.

Então, ao longo dos 112 minutos deste Asterix & Obelix: O Reino do Meio (que passam bem depressa, como se fosse uma horinha apenas), temos os seguintes fatos:

  • Antes de enfrentar um inimigo, ou antes do início de uma batalha, Astérix pega seu cantil e bebe um golinho da poção mágica preparada pelo druída Panoramix (o papel de Pierre Richard) – e aí zás, pluft, ploct, pláct, zum, tuíííííííííííímmm, plá! Astérix-Guillaume Canet pula pra cima uns cinco metros, sai fogo e fumaça de sua boca, suas narinas, seus ouvidos – exatamente como mostram os desenhos de Uderzo e a gente completava com nossa imaginação.
  • Obélix faz um pequenino gesto com a mão direita, solta os quatro dedos do polegar, atingindo com eles, muito suavemente, o queixo de um inimigo, um legionário romano – e o ator que representa o coitado do legionário romano alça vôo para o alto, em velocidade supersônica.
  • O bardo da aldeia, Chatotorix, como o conhecemos no Brasil, Assurancetourix no original, pega sua pequena harpa, ou seja lá qual for o nome daquele instrumento de cordas que ele toca, e começa a cantar – e imediatamente leva um peixe na cara, que o derrubo no chão, zonzo. O peixe, claro, foi enviado, com pontaria certeira, infalível, por Ordemalfabetix (Ordralfabetix no original), o peixeiro da aldeia. O bardo Chatotorix é interpretado por Philippe Katerine. Ordralfabetix, o peixeiro, por Jason Chicandier.
  • Entra em cena, com alguma pompa e circunstância, o chefe da aldeia, Abraracourcix no original, Abracourcix no Brasil – de pé, sobre uma espécie de grande travessa, carregado no alto por dois aldeões. Daí a muito pouco tempo ele está levando uma bronca, um esculacho da mulher, Naftalina no Brasil, Bonemine no original. (Bonemine é o papel de uma atriz simpática, Audrey Lamy. Abraracourcix é feito por Jérôme Commandeur, um ator que – segundo Mary e eu sentenciamos na hora – não está bem.)
  • Os piratas, mal-encarados, horrorosos, avistam de longe um navio e se preparam para atacá-lo. Apesar de terem se dado mal em todas as histórias anteriores, eles acham que daquela vez vai dar tudo certo. Esfregam as mãos, antecipando a glória. Mas, à medida em que o barco deles se aproxima do outro, eles reconhecem os terríveis gauleses que toda hora afundam seu navio. Tentam mudar de rumo, mas não dá mais – e daí a pouco o navio pirata vai à pique, como já havia acontecido em quase todos os livros…

Aqui vai a tabela sobre os cinco filmes com Astérix e Obélix até agora.

Um bom humor delicioso, o tempo todo

Neste O Reino do Meio, o amor está no ar.

Lá pelas tantas, Falbala, a moça mais bela da aldeia, passa na frente de Obélix, e o grandalhão se desmancha todinho.

A paixão de Obélix por Falbala é antiga, aparece em várias das histórias – mas, nos filmes live action, a bela moça só havia aparecido no primeiro, Astérix e Obélix Contra César, de 1999, interpretada por aquela gracinha que é Laetitia Casta. Aqui ela é o papel de Angèle, de quem eu nunca tinha ouvido falar, mas que seguramente é bem conhecida do público francês. Nascida em 1995 em Bruxelas, Angèle Van Laeken é cantora e compositora, produtora, modelo e atriz. Seu primeiro disco, lançado em outubro de 2018, foi o mais vendido na França no ano seguinte.

Falbala-Angèle não dá a menor pelota para Obélix-Gilles Lellouche – mas rapidamente o coração dele bate mais forte por outra mulher. E a qualidade de Tat Han que atrai Obélix, que o deixa fascinado, mesmerizado, não é a beleza – mas a força, o domínio absoluto da arte de lutar. Tat Han (o papel de Leanna Chea) é a guarda-costas da princesa Fu Yi (Julie Chen), a filha da imperatriz da China.

As sequências que mostram os dois fortões na paquera são absolutamente sensacionais, hilariantes.

E de repente, no meio de uma luta, sem precisar de poção mágica e sem ter caído no caldeirão quando era criança, essa Tat Han começa a voar – como em O Tigre e o Dragão (2000) de Ang Lee e outros filmes sobre artes marciais chinesas. São igualmente sensacionais essas sequências.

Obélix cai de amores pela guarda-costas da princesa Fu Yi – e Astérix, naturalmente, cai de amores pela bela princesa. À primeira vista, assim que bate o olho nela. Coup de foudre, como dizem os atuais gauleses – mas só dele por ela. A bela princesa também terá o seu coup de foudre, quando a narrativa já se aproxima do fim – e o roteiro foi esperto em colocar Astérix junto de Fu Yi no momento em que ela bate o olho no rapaz por quem se apaixona imediatamente. Astérix vê, saca, percebe que perdeu a batalha, que não tem mais jeito.

Nos dois momentos – aquele em que Astérix se apaixona à primeira vista pela princesa, e aquele em que a princesa se apaixona à primeira vista pelo Homem da Máscara de Bambu –, ouvimos alguns acordes da canção “Say you, say me”, aquele imenso sucesso mundial com Lionel Ritchie.

É uma das muitas belas sacadas bem-humoradas dos roteiristas e do diretor Guillaume Canet: são usadas várias canções pop bastante conhecidas que caem bem em momentos específicos da história. Produz um efeito engraçado a gente de repente ouvir uma canção pop no meio daquela história passada há dois mil anos…

Há um momento em que, precisando enviar uma mensagem, alguém nota que acabou a bateria do pombo, e pergunta a uma amiga se ela não teria um carregador de pombo para emprestar.

Tudo, tudo é bem-humorado no filme – assim como nas histórias originais de Goscinny e Uderzo. A começar dos nomes dos personagens, que sempre apresentam jogos de palavras, referências a algo engraçado. O cachorrinho de Obélix, por exemplo, se chama Idée Fixe, Idéiafix no Brasil. Há na aldeia uma mulher chamada Ielosubmarine, como a canção dos Beatles. O bardo da aldeia, o cantor insuportável, se chama no original Assurancetourix, como já foi dito – uma palavra que Goscinny e Uderzo inventaram a partir de “assurance tous risques”, seguro contra todos os riscos. Os tradutores dos livros fizeram uma bela opção ao usar Chatotorix para o nome do bardo.

O romano mais forte das hostes de César, uma criação original dos roteiristas deste filme, se chama Antivirus (o papel de Zlatan Ibrahimovic). O escrivão de César, o sujeito que fica ao lado do imperador puxando o saco dele e anotando tudo o que ele fala, se chama Biopix (o papel de José Garcia). Um dos nobres ambiciosos que querem o trono da imperatriz se chama Deng Tsin Qin (o papel de Bun-hay Mean) – que, falado rapidamente em francês, soa parecido com “dancing queen”.

Ah! O capitão do navio que leva Astérix e Obélix da Gália até a China, interpretado por Orelsan, se chamas… Titanix. Mas o navio dele não afunda, não.

O pessoal que fez as legendas em português do filme disponível na Netflix parece que pegou o espírito da coisa e entrou na brincadeira. Assim, a guarda-costas Tat Han – que remete a tatame – virou Chi Nee Lin, parecido com chinelinho. E o malandro fenício que se finge de gaulês e leva a princesa e sua guarda-costas para a Gália, para pedir a ajuda dos gauleses invencíveis da aldeia, que se chama Graindemaïs, virou, nas legendas, Pipocote. (É o papel de Jonathan Cohen, o quarto nome de ator a aparecer nos créditos, depois de Guillaume Canet, Gilles Lellouche e Vincent Cassel, logo acima de Julie Chen, que faz a princesa Fu Yi.

Julie Chen…

Este foi o primeiro filme da moça, escolhida entre 300 outras para o papel. Guillaume Canet conta: “Para a princesa, eu penso ter visto 300 atrizes antes de escolher Julie Chen… Foi muito complicado, porque era preciso encontrar uma atriz que fosse ao mesmo tempo de origem chinesa, tendo as bases do kung-fu e um charme louco. Julie tem uma história incrível: ela sonhava em fazer cinema, mas trabalhava como auditora!”

A ver se ela vai dar certo.

Talvez a piada mais sensacional de todas as do filme seja a de que o maior desejo, o sonho da vida da princesa Fu Yi, a filha da imperatriz da China, era… viajar até Lutécia e fazer compras lá.

Qualquer pessoa, francês ou não, que já tenha visto ou ouvido falar das hordas de vorazes turistas vindas da República Popular da China, a China Comunista, comprando tudo o que vêem pela frente nas caras lojas de Paris vai se divertir esplendorosamente com a piada…

Anotação em junho de 2023

Asterix & Obelix: O Reino do Meio/Astérix & Obélix: L’Empire du Milieu

De Guillaume Canet, França, 2023

Com Guillaume Canet (Astérix),

Gilles Lellouche (Obélix)

e Vincent Cassel (César), Jonathan Cohen (Graindemaïs, nas legendas, Pipocote), Julie Chen (princesa Fu Yi), Leanna Chea (Tat Han, a guarda-costas da princesa; nas legendas, Chi Nee Lin), José Garcia (Biopix, o escrivão de César), Zlatan Ibrahimovic (Antivirus, o romano mais forte), Ramzy Bedia (Epidemaïs), Bun-hay Mean (Deng Tsin Qin), Linh-Dan Pham (a imperatriz chinesa), Tran Vu Tran (príncipe Du Deng), Philippe Katerine (Assurancetourix, aqui Chatotorix), Jérôme Commandeur (Abracourcix, o chefe da aldeia), Audrey Lamy (Bonemine, aqui Naftalina, a mulher de Abracoucix), Pierre Richard (Panoramix, o druída), Jason Chicandier (Ordralfabetix, o peixeiro), Franck Gastambide (Barbe Rouge), Vincent Desagnat (Perfidus), Orelsan (Titanix, o capitão do navio), Laura Felpin (Carioca), Issa Doumbia (Baba), Thomas Vandenberghe (Sinus), Marc Fraize (Plexus), Florian Ordonez (Toufix), Olivio Ordonez (Abdelmalix), Raphaël Carlier (Cubitus), David Coscas (Radius), Tatiana Gousseff (Ielosubmarine), Yann Papin (Abribus), Angèle (Falbala, a moça mais bonita da aldeia), Matthieu Chedid (Remix), Marcel Canet (Astérix criança), Gabin Jouillerot (Obélix criança)

e, em participação especial, Marion Cotillard (Cleópatra)

Roteiro original Philippe Mechelen e Julien Hervé

Adaptação e diálogos Guillaume Canet, Julien Hervé, Philippe Mechelen   

Baseado nos personagens criados por René Goscinny & Albert Uderzo

Fotografia André Chemetoff

Música Matthieu Chedid

Montagem Simon Jacquet

Casting Laurent Nogueira, Mathilde Snodgrass

Desenho de produção Aline Bonetto, Mathieu Junot

Figurinos Madeline Fontaine, Ludivine Roux

Produção Alain Attal, Yohan Baiada, Pathé, Trésor Films, Les Enfants Terribles, TF1 Films Production, White and Yellow Films.

Cor, 112 min (1h52)

Fonte: 50 anos de filmes

Sergio Vaz

Jornalista, ex-diretor-executivo do Jornal Estado de São Paulo e apreciador de filmes e editor do site 50 anos de filmes.

Jornalista, ex-diretor-executivo do Jornal Estado de São Paulo e apreciador de filmes e editor do site 50 anos de filmes.

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