Há quatorze anos o destino colocou uma vira lata na minha vida!


Estava  passando um fim de semana na Ilhabela com umas amigas e o tempo estava chuvoso e acinzentado. Fomos então  caminhar pela praia, quando de repente uma delas  parou e encontrou uma “coisinha” que parecia tudo menos um filhote abandonado .
A bichinha estava suja de lama, cheia de pulgas e com um barrigão cheio de vermes.  Quase batia no chão.
“Ela é sua Pri. Vamos levar para São Paulo”! disse ela.
Eu tinha acabado de perder um cachorro que adorava, e jurei que nunca mais ia querer animal de estimação,. Duram poucos anos e a gente sofre muito quando eles se vão.
Pensei e resolvi trazer a bichinha feinha que só  para casa.  Voltamos na Mercedes  da amiga que achou a cachorrinha e pensei pensei i:  Ela  começou bem ! Da sarjeta para uma Mercedes.!
Minha amiga sempre querendo me  ajudar e me incentivando a adoção,  me deu   sua linda  bolsa de palha italiana,  colocou um  lençol  dentro e a cachorrinha já tinha casa, cama e madrinha.
No dia seguinte, já na minha casa,  levei-a   no  veterinário, e durante um mês cuidei da sua saúde. Eram remédios contra vermes, pulgas e falta de vitaminas. &n bsp; Liv Ulman – esse foi o nome que escolhi para ela em homenagem a atriz que adoro!- dormia na bolsa de palha, comia e fazia as necessidades no jornal, super educada e inteligente. E sobretudo  com um olhar lindo de agradecimento e humildade  pela adoção. E eu cada dia gostando mais e mais dela.
Dei a ela o nome de Liv Ulman (em homenagem a atriz que adoro!) . E também porque era outono,lembrava  folhas  ,leaves,  live. life,  de viver,  entre outras.
Dai para frente ela foi se desenvolvendo , foi ficando cada dia mais bonita e  super inteligente ( típico dos viralatas) .
E foi num  sábado cinzento em SP e sem ter o que fazer,  levei-a para o parque Ibirapuera caminhar comigo.  Lá fomos  abordadas por dois rapazes que convidaram a Liv para participar de um  passeio pelo parque com cães  de todas as raças.
Concordei e fomos até as barracas da Pro-Plan, patrocinadora  desse evento onde  começaram   a pentear,  colocar fitinhas e lacinhos nela. Ganhou um numero que concorria a um premio do concurso. Liv só me olhava querendo dizer…não gosto dessa frescura de lacinhos, etc e tal
Logo chegaram os outros cães de raça,  um mais classudo e lindo   que o outro. Galgos,  Goldens Retrivesr, Labradores,  Pastor belga, Shitsu, entre outros  Alguns  cães de raça pareciam estar  o nariz em pé   bem como seus donos. Um deles iria ganhar pela beleza e porte enquanto a Liv não tinha a menor chance era o que eu achava.
Logo começou o passeio com os cães  na coleira acompanhados com seus donos .Uma banda de Jazz ia  tocando na frente da caminhada e os cachorros seguiam .Liv brincava com todos os cachorros e seus donos, pulava em cima deles, parava quando queria brincar com algum animal. Isso fazia com que todos se simpatizassem com ela e  com sua alegria e vivacidade.
Quando o passeio acabou, todos se reuniram para a premiação. Eu já estava indo embora com a Liv,  quando ouvi meu nome e o dela no autofalante –  O quê??  Que surpresa!!! Levei um susto.
Liv ganhou a premio como “A linda e simpática Vira-lata do Parque Ibirapuera”.  Subimos no palco e ela ficou me olhando e deu as costas para o público que estavam adorando e rindo do jeito dela!
O premio dos vencedores eram  pacote imenso  da ração Pro Plan e os donos ganharam  uma lata preta bem legal onde tinha camisetas, bonés, nécessaire, entre outras coisas.
Liv ficou conhecida no parque. Todos brincavam com ela e  a chamavam pelo nome. Eu feliz com ela e super orgulhosa.
Um dia dentro do parque parou um ônibus de turistas,  perto de onde eu e Liv estávamos sentadas na grama.  Os gringos desceram e logo vieram brincar com ela. Perguntaram o seu nome e quando disse o nome Liv Ullman foi a festa! Eram noruegueses e adoravam a atriz e escritora norueguesa Liv Ulman. Pediram para tirar fotos com ela e eu babava de orgulho dessa bichinha  de quatro patas.
Os anos foram passando e com ela conheci muita gente andando com seus animais, e que até hoje são meus amigos.
Liv foi ficando velhinha, já não enxergava, mas era mais querida do que nunca. Adorava ela  e não imaginava  ficar sem ela! Foram quatorze anos sempre ao meu lado, me defendendo, zelando pela  casa com seu latido estridente  e sempre uma querida!
Um dia caminhando pela rua  com ela já  bem velhinha, passou  uma pessoa e me disse: “Que sorte que ela teve, é  cega  e velha e você ainda  lavando passear! ”
Eu na mesma hora retruquei :
“Sorte dela não!!!  Sorte a minha de ter uma animal tão fiel, tão grato, e tão humano! Melhor do que muita gente!!
Meu recado: Adotem um vira-lata
É barato e chique!

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