Que céu está sobre minha cabeça que não reconheço?

Esses caminhos que me trouxeram até aqui, não sei aonde começaram e nem porque aqui me deixaram.

Que cheiro tem essa terra que não é o cheiro de minha fralda?

Essa melancolia que pode ser do fim do mundo ou do meu ou do teu ou da nossa agonia.

Meus risos e lágrimas já se misturaram num só e, nem mais feliz ou triste me deixam.

Que mundo é esse sem cor, sem tesão, sem loucura que querem me impor, quem são esses zumbis?

Não sou daí, nem daqui, quero voltar pro meu mar, minhas areias aonde cresci e respirei, aonde conheci e fui conhecido. Quero gargalhar e desesperar, quero sentir a vida como ela deve ser e, não essa que querem me vender. Me recuso a ter seguro de vida, seguro saúde, seguro desemprego, ou qualquer outro seguro. Me excita não ter seguro, me enlouquece a possibilidade da queda, do tombo, mas, mais ainda, a do voo de ícaro. Me encanta ser um Fênix.

Me rumo, mas antes me desaprumo. Me perfumo e perfumo o que antes nada cheirava.

Quero transformar, não quero conformar.

Quero derrubar pra construir algo que não se erguerá com esses tijolos podres.

Quero alma, quero grito, quero orgasmo e quero eunuco.

Quero o silencio na tua boca e não nos meus ouvidos.

Quero a tortura e a carícia.

Quero ser animal acorrentado e violentado pela força do teu tesao e desejo e, não esqueço, já foi assim, lembras?

Nesse mundo sem graça, o disco arranhou e já troquei o vinil a agulha, até a vitrola, mas, o disco… arranhou; e nesse trecho do caminho não quero estar, não sou eu, não é o que conheço, creio ou desejo.

No planeta em que me fiz, aprendi a amar, a revoltar e, se preciso, lutar…

Quero ver sangue nos olhos desse mundo, quero sangue de revolução.

Vamos acordar desse pesadelo, dessa caretice, dessa chatice, nem que seja pra acordar na outra linha desse trem.

São meus votos de feliz natal e de um verdadeiro ano novo.

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