Pelo Fashion Mall

Foto: BlogMax – Mundomax

Caminhava pelo interior do Fashion Mall, com os pensamentos envoltos em nuvens distantes, que teimavam em me torturar sobre obrigações que a atual crise me impunha, quando fui assolapado por uma linda mulher que estava sentada a beira das jardineiras centrais do shopping, e, com a agilidade de uma felina, se levantou e se colocou frente a frente comigo e, com um olhar profundo e com lábios vermelhos da cor do pecado, me balbucia com uma certeza inabalável: Eu já te vesti!

De pronto, minha mente que estava nas nuvens, pousou firme com os dois pés em terra e, perplexo com a revelação e com a bela imagem da misteriosa mulher, tive um pensamento de reflexo e, repeti pra mim mesmo: Ele deveria ter dito que já me despiu. Ela prossegue sem me deixar se quer respirar:
minha memória é de uma capacidade espantosa, nada eu esqueço, principalmente, quando é trabalho; cc lembra???

Não querendo ser deselegante com ela, me pus um sorriso no canto da boca, que poderia ter vários significados, e nada respondi. E continua: Foi há anos atrás, num comercial para o Santander, você tocava uma linda música ao piano… como poderia esquecer, que lindo, como vc toca bem.

À esta altura, mergulhei minha mente num caleidoscópio e tentei mirar lá no fim, e, pude relembrar de um piano de cauda que tínhamos em casa, que pertencera à minha avó, e que minha irmã tocava, mas, eu, pianista… nunca.

A única coisa que me impressionava no piano, àquela época, era o fato de me lembrar, com suas teclas pretas e brancas, a camisa do Botafogo.

Não, definitivamente, nunca fui pianista e nunca fiz um comercial para o Santander e nunca havia sido vestido por essa mulher. Mas…pera aí. ela pode ter feito um figurino de dança ou teatro. Então lhe perguntei: Foi esse comercial com certeza?

E ela, de novo, novamente, com a certeza de um monge, repete: Minha memória não falha.

Bem, de jeito algum tive a coragem de lhe dizer que estava enganada sobre suas e lembranças e muito menos, sobre sua memória infalível, então, lhe disse:
Desculpe, tenho de ir, já estou atrasado para uma reunião. Quando ia me retirando, ela me detém e dispara: quando vou poder lhe ver tocar de novo???

Me desesperei com a pergunta, e, de novo, num reflexo, lhe respondo: Quando você me despir!!!

Saí em largos passos, sem olhar pra trás para ver sua reação. Só tive um pensamento: Será que eu bati a porta na cara do destino?

E, se ela aceitasse?

Logo aplaquei meu remorso com essa dúvida, e disse para mim mesmo: você por acaso, toca piano?

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