Porque o Windows Phone morreu? Cinco motivos e um bônus nacional


Escrito por: Emily Canto Nunes
Recentemente, a Microsoft anunciou, de uma jeito pouco oficial — por meio da conta de Twitter de um executivo, Joe Belfiore — que o Windows Phone está, de fato, morto, e agora enterrado pela Microsoft. Conserto de bugs e atualizações de segurança estão garantidas enquanto existirem pessoas usando a plataforma e demandando deles, mas é só. Ou seja, nada de Surface Phone nos próximos anos.
Andromeda OS: a alternativa para os órfãos de Windows Phone
Isso me fez lembrar da notícia que escrevi em 2014 de que o Windows Phone era o segundo sistema operacional mais utilizado no Brasil, atrás do Android, é claro, mas na frente da Apple. Também, pudera, enquanto a estratégia da Apple foi sempre de apostar no premium, a Microsoft, junto da Nokia, estava no caminho certo de oferecer produtos com um bom custo-benefício. O que eles não imaginavam no início de 2014 é que aquele aparelho lançado pelo Google com a Motorola em novembro, o Moto G, impactaria não apenas na parcela Android do mercado, mas nele como um todo, e que logo esse discurso de custo-benefício seria incorporado por todas as fabricantes.
Bônus: o efeito Moto G no Brasil
Você pode achar que eu estou exagerando, mas vale lembrar que o Moto G, primeira e segunda geração, foi o modelo mais vendido no ano seguinte, 2014, tanto no Brasil quanto na América Latina. Mas para além do Moto G aqui no Brasil, o que mais atrapalhou a Microsoft e seus aparelhos Nokia rodando Windows Phone? De certa forma, grande parte das boas decisões da Microsoft ou encontraram um obstáculo no caminho, ou foram feitas no tempo (ou melhor, timming), errado.
Cinco motivos do fracasso do Windows Phone
PC no centro de tudo
Não, não podemos fizer que a culpa é do computador, mas que a demora da Microsoft em ver que o mundo estava se tornando móvel e que não estava apenas indo na direção dos notebook, laptop e tablet, é uma das razões do fracasso do Windows Phone, especialmente no que diz respeito a timming. Enquanto todas as fabricantes estavam se voltando para o Android e para seus smartphones, a Microsoft estava de olho no mercado de computadores, trabalhando apenas no Windows. O Android enquanto plataforma aberta e “grátis” do Google surgiu em 2007, o Windows Phone levou mais três anos para nascer, chegando apenas em 2010.

A Microsoft tentou levar o Mobile para o PC / © ANDROIDPIT

Nokia
A começar pela Nokia, não há dúvidas de que a Microsoft fez certo ao comprar uma companhia conhecida por seus aparelhos de qualidade fabril e uma marca forte em vários mercados. É a estratégia Apple de controlar hardware e software que também deu certo para Google e Motorola por um tempo. Porém, aquele vai e volta de chamar de Nokia ou de chamar de Microsoft não ajudou. Fora que durante muito tempo, a Microsoft tentou empurrar seu sistema operacional para fabricantes que trabalham com Android, sem sucesso. Era setembro de 2013 quando a Microsoft comprou a Nokia, um pouco tarde para quem já estava perdendo espaço.

Ah, os Lumia / © ANDROIDPIT

Sistema operacional
Por vezes, é melhor fazer o feijão com arroz do que inovar, não é mesmo? Pois é. Desde sempre, o Windows Phone foi, no geral, um sistema operacional bastante elogiado, que conseguiu de fato se aproveitar do casamento hardware e software e que trouxe inovações como aplicativos que funcionavam como widgets, porém, desde sempre, a briga maior é em torno das plataformas, mas do que dos fabricantes. Pergunte a um usuário de iPhone porque ele não vai para o Android.
Você encontrará argumentos para todas as respostas dele — a da câmera é uma das mais fáceis de rebater —, mas quando ele disser que gosta do sistema, você terá perdido essa batalha. Não é impossível aprender a mexer em outro sistema operacional, mas ninguém efetivamente gosta de sair da sua zona de conforto. E mudar de sistema operacional é muito mais complicado do que mudar de marca de smartphone.
E foi aí que o Windows Phone se complicou: com Android consolidado com opção ao iOS, pouco espaço sobrava para a conquista de usuários para uma nova plataforma. E nesses momentos, ser uma plataforma muito diferente das outras disponíveis, parece mais atrapalhar do que ajudar, especialmente se você é paga e fechada e o concorrente “grátis”e aberta.
Aplicativos
Bom, essa é velha, mas vale a pena relembra. No início da corrida, o desenvolvimento era feito primeiro para iOS, depois para Android e por fim para Windows Phone. Com o passar do tempo, esse pódio até se inverteu, com alguns apps saindo antes para Android ou ao mesmo tempo que para iOS, mas para Windows Phone, por vezes nem saía.
E não tem nada mais frustrante do que ter um smartphone, mas não ter como baixar aquele app do momento que está todo mundo testando. Vamos lembrar aqui do Instagram, que demorou séculos para chegar descendentemente à plataforma da Microsoft. E não necessariamente é culpa da Microsoft, a gente sabe que eles investiram até dinheiro para trazer mais apps e mais rapidamente à loja, mas uma comunidade de desenvolvedores não chama assim por acaso, é ela que de certa forma dita o passo do desenvolvimento de novos aplicativos e versões.
Usuários
Esse, na verdade, é o motivo número pelo qual o Windows Phone não deu certo. Nada sobrevive sem usuários usando a plataforma, exigindo melhorias e mais aplicativos disponíveis. Nesse tópico os culpados podem ser muitos, inclusive o marketing, que pode ter faltado aqui, mas a verdade é que sem crescimento na base de usuários, nada sobrevive, nem o Orkut, não é mesmo?
E você, lembra de mais algum motivo para o fracasso do Windows Phone?
Fonte: Androidpit

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