Bob Marley e Bob Mugabe, o sonho e o pesadelo

Bob Marley canta no histórico show da Independência do Zimbábue, 18 de abril de 1980 (Foto: Divulgação)

Uma das coisas mais tristes do mundo é quando uma pessoa saudada como herói, guerreiro, libertador, se transforma em ditador.
Outra das coisas mais tristes do mundo é ver pessoas inteligentes, sensíveis, poetas, sonhadores, não perceberem quando o sonho acaba e vira pesadelo.
Em 1980, apenas um ano antes de morrer tão jovem, aos ínfimos, ridículos 36 anos, Bob Marley cantou para Robert Mugabe, então o líder guerrilheiro que enfrentou os colonizadores brancos, venceu e transformou a Rodésia em Zimbábue, uma nova nação africana livre dos invasores imperialistas.
Estaria Bob Marley lamentando hoje, se estivesse vivo e ainda absolutamente ativo aos 72 anos, a queda do companheiro Mugabe, assim como tantos grandes artistas que povoaram nossas vidas com suas canções belas e indispensáveis lamentaram a ida de Fidel Castro para se encontrar com as centenas de cubanos que mandou matar?
Robert Mugabe governou o Zimbábue com mão de ferro durante 37 anos. Ao finalmente ser apeado do poder agora, deixa seu país com uma taxa de desemprego de 95%, 14% da população infectada pelo vírus HIV e uma inflação anual de 348%, a segunda maior do planeta neste momento, atrás apenas dos 1.400% do socialismo século XXI da ditadura Chávez-Maduro.
Ele mesmo não passou jamais por qualquer tipo de dificuldade financeira, naturalmente. A sra. Mugabe, Grace, é chamada de Gucci Grace, por motivos óbvios.
Quando os ex-heróis, ex-libertadores, viram ditadores, costumam praticar para si mesmos o capitalismo mais selvagem possível. Estão aí as dachas da nomenklatura soviética que não nos deixam mentir.
Estaria Bob Marley lamentando a queda do homem para quem foi cantar em Harare em 1980?
Ou, muito ao contrário, comporia um reggae para festejar a boa notícia com o povo oprimido, sofrido, nas filas, nas vilas, favelas do Zimbábue?
Fonte: Blog do Noblat

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