3 de julho de 2022
Colunistas Ligia Cruz

The Oscar goes to…

O pior do homem se vê quando ele está com medo, acuado entre as incertezas dos seus próprios atos e a realidade. Na solidão de suas decisões comete erros de julgamento, para não fracassar frente ao mundo.

Imagem: Google Imagens – Metrópoles

É como estão contextualizados os principais atores da guerra na Ucrânia: Volodymir Zelensky, Vladimir Putin, Joe Biden e a aliança dos países da OTAN.

Mais do que tudo isso, justificar a existência da OTAN, que posa de boa moça como uma força militar defensiva desde os anos 1950, nos dias de hoje não cola mais.

Que ninguém se esqueça que a mesma OTAN foi capaz de bombardear a Iugoslávia, na guerra dos Bálcãs, inclusive hospitais, sob a justificativa de que abrigavam armamentos. Ali crimes de guerra brutais e o genocídio foram cometidos no Kosovo. A Bósnia foi destroçada, numa correlação de forças desigual, uma tentativa de limpeza étnica catastrófica, em plenos anos 1990. Muito cinismo por parte da Europa, das monarquias e democracias, agora aplaudir Zelensky e mudar o discurso é apagar o passado.

Nenhuma guerra tem lado bom, nesta também não. E as vítimas não são só as pessoas, mas também a verdade.

Os movimentos de parte a parte têm sido ensaiados há anos e Putin, um belicista clássico não aceita desaforos. De outro lado, a Ucrânia tem sido o braço avançado da OTAN se esgueirando pela fronteira russa há anos.

Os rasgos entre a Rússia e a Ucrânia vêm de longe, circunscritos não somente à anexação da Crimeia, em 2014, mas aos conflitos na região de Donbas e um ranço ideológico entre a extrema direita ucraniana e a esquerda russa.

Volodomyr Zelensky se insere no contexto como o opositor útil aos propósitos das forças da OTAN, sem que seja país membro da aliança e nem da União Europeia. Um pau mandado que vê lucro em forçar o conflito ao extremo, cobrando propinas sistematicamente.

A fúria de Vladimir Putin é do mesmo tamanho da indignação do resto do mundo. Ele vê as decisões de Zelensky como temerárias, pois enfrenta suas forças de tamanho desigual.

Após provar aos ucranianos que pode desfilar por Kiev e tomar cidades, como vem fazendo em Mariupol, Odessa e o Donbas, a Rússia também soma suas próprias vítimas. Em guerras não há inocentes, só os civis que ficam no meio do fogo cruzado.

Mas as guerras também revelam os seus comandantes. O líder ucraniano tem se mostrado como um misto de oportunista e ególatra. Critica Putin pela frieza e vilania, mas foi capaz de atirar seus conterrâneos numa guerra suja e insana, por capricho, frente à sua queda de popularidade. A falta de aplausos para um ator é pior que o fracasso numa mesa de negociações.

Zelensky tem se mostrado um manipulador obstinado a conseguir seus intentos com discursos e atos teatrais. Ele já se deu conta que as “lives” que faz o projetam no mundo midiático como herói. E sabe também que, quanto mais jogar tintas num cenário cruel por si só, mais a sua imagem lucra.

Ou alguém,com um mínimo de reflexão, não questiona de que as cenas horrendas veiculadas podem ter sido armadas, pelo único ator entre eles, para sepultar a dignidade de Putin? É uma guerra de narrativas. Ele diz: “menos aplausos e mais armas!”. Mas é mentira.Ele gosta sim dos apupos e tem recebido, mais que isso: armamentos e muito dinheiro.

Como não tem condições de enfrentar o oponente com táticas de guerra, no mesmo nível, tanto pela força quanto pela argumentação, ele usa toda sua experiência como ator. E os fracos líderes europeus rendem-se à essas narrativas.

A cada dia que passa ele radicaliza mais, sem se esforçar o mínimo para acabar com o sofrimento que uma guerra trás. Qualquer líder genuíno faria o máximo para libertar seu povo da dor. Mas ele não. Não vai cair sem antes encenar o papel de “enjeitado” pelo mundo e de vítima depois.

Esse mesmo mundo ainda vai se dar conta de que ele é um produtor cenográfico digno de um Oscar. Se não bastasse o fato de insuflar o povo a atos heroicos, praticamente desarmados, com o peito nu, produz cenas em um terreno que domina. E os parlamentos dos membros da aliança entram no jogo, com cinco minutos de aplausos em pé, diariamente, em performances jocosas. Tudo o que Zelensky quer.

Porque não se questiona o fato de ele insistir na guerra, com o país mais armado do mundo. Por que razão os soldados russos praticariam atrocidades com os corpos de vítimas? Quem não faz uma leitura isenta dos fatos não percebe que a possibilidade de montagem de cenários existe.

O presidente ucraniano aparece em diversos vídeos,dançando de lingerie, meias finas e salto agulha; junto de outro ator ele se apresenta de pé, atrás de um piano, como se estivesse tocando com o pênis. Sem nenhum traço de julgamento sexista, mas no mínimo, suas apresentações demonstram ousadia.

Suas falas são vitimistas, com argumentos apelativos depressão aos países membros da OTAN, para forçá-los a abraçar sua causa contra a Rússia. E ainda vai lucrar depois com a reconstrução das localidades destruídas.

Definitivamente ele não é bobo. Um show man, que encena o papel de si mesmo como um herói lutando contra um dragão. Seu objetivo é desgastar a imagem de Putin, aniquilá-lo. Atribuir a ele crimes de guerra, como tortura e estupros à vítimas. E a ONU, que não serve para nada, manietada pelos Estados Unidos, entra no jogo, como salvadora dos direitos humanos.

Vladimir Putin é o ex-agente da KGB, interpretado como sujeito frio, ditador, calculista e capaz envenenar seus inimigos, mesmo fora da Rússia. De fato ele não é nem um pouco simpático e nem santo. A vingança contra quem o trai é conhecida. Ele pode, se quiser, experimentar novas e questionáveis armas no campo de batalha, mas não praticaria atrocidades contra um povo considerado seu.

Já Biden, é um velhaco limitado que se perde entre o discurso e as ações. O povo americano não quer mais guerras. A indústria de armamentos lucra, mas o ônus das batalhas para o país atinge a casa do trilhão de dólares. E o cidadão paga a conta com impostos.

Além do mais, a postura de Biden diante dos parceiros do mercado mundial está se enfraquecendo. A desvalorização do dólar pode ser o seu cadafalso. Mas até que se encontre a paz, os refugiados ucranianos vão continuar se espalhando pelo mundo.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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