18 de janeiro de 2026
Ligia Cruz

Atentado tumultua as eleições no Peru

Rafael Belaunde, candidato à Presidência do Peru  • @BelaundeRafael

Campanha política nas Américas está se tornando uma atividade de alto risco.

Jair Bolsonaro sofreu um atentado contra sua vida, em Juiz de Fora, MG, em novembro de 2018, durante um comício. Um caso até hoje cercado de “mistérios”, mas que tem a clara assinatura de um ataque deliberado da esquerda para eliminar um candidato conservador da corrida presidencial, que estava crescendo nas pesquisas.

A facada recebida por Bolsonaro deixou sequelas profundas em sua qualidade de vida com inúmeras internações e cirurgias ao longo dos últimos oito anos.

No ano passado, Donald Trump foi alvejado por um sniper, durante as primárias americanas, na cidade de Butler, na Pensilvânia, EUA. Por sorte, dos oito tiros disparados de um rifle AR-15, apenas um o atingiu na orelha, mas um partidário de campanha recebeu um tiro fatal e morreu no local. O atirador foi descoberto e morto.

O fato reacendeu a discussão de que a esquerda vai às vias de fato e parte para a ofensiva para eliminar opositores quando se sente ameaçada, como aconteceu fatidicamente neste ano com Miguel Uribe, pré-candidato às eleições presidenciais da Colômbia.

O jovem senador, de 39 anos, não resistiu a disparos na cabeça, durante um comício, em Bogotá. Aliás, o país é pródigo em eliminar candidatos ao comando da nação – sete já foram assassinados.

Desta vez quem sofreu atentado foi o pré-candidato a presidente do Peru, Rafael Belaúnde Llosa, do partido Libertad Popular.

O empresário e ex-ministro das Minas e Energia, de 49 anos, foi interceptado por dois indivíduos em uma moto, que dispararam contra o para-brisas de sua caminhonete, quando ele saia de uma visita a um empreendimento imobiliário que gerencia, no distrito de Cerro Azul, no sul de Lima, em 2 de dezembro.

Belaúnde revidou ao ataque, disparando também contra os agressores e conseguiu escapar apenas com escoriações dos estilhaços do vidro.

O candidato pertence a uma família tradicional da política peruana, filho do ex-senador Rafael Belaúnde Aubry e neto do ex-presidente Fernando Belaúnde Terry, que governou o Peru por dois mandatos (1963 – 1968 e 1980 – 1985) e descendente de diplomata e de outros dois ex-presidentes.

No primeiro mandato, seu avô, um liberal conservador moderado, foi derrubado por um golpe militar que permaneceu no poder por 12 anos. No segundo mandato, após a redemocratização, recebeu um país altamente endividado, mergulhado numa crise social profunda, agravada pelos grupos de guerrilhas “Sendero luminoso” e “Tupac Amaru”. Saiu do governo com baixa popularidade devido à crise econômica.

Rafael Belaúnde é um candidato que se posiciona como centro-direita liberal, que rejeita extremos. O eixo principal de sua campanha é o livre mercado, crescimento com infraestrutura e segurança. Ele se descreve como: “nem radical de direita, nem estatista de esquerda”.

As eleições peruanas, que ocorrerão em abril de 2026, admitem até 117 chapas presidenciais, mas supõe-se que nas eleições de 2026 em torno de 40 pré-candidaturas serão inscritas.

Devido a esse número tão amplo o registro de preferências é muito pulverizado. Por isso, o candidato que tem maior aceitação, Rafael Lopez Aliaga (direita conservadora) tem apenas 10% da preferência; seguido de Keiko Fujimori (direita populista/filha do ex-presidente AlbertoFujimori), com 8%; e Mario Vizcarra (centro-esquerda), com apoio de cerca de 5%. Belaúnde está muito distante dos primeiros colocados, com apenas 3%. A expectativa é a de que este percentual cresça com a visibilidade dada pelo atentado.

O pré-candidato não tem certeza de que o ocorrido foi um crime de motivação política ou um comum. O país vive uma conjuntura de muita violência. Pelo sim ou pelo não, Belaúnde está se precavendo enquanto não sai o laudo do atentado e sua motivação.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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