26 de maio de 2022
Joseph Agamol

A multidão invisível e a alma furiosa das ruas

Foto: Arquivo Google – Folha – Uol

Segundo a imprensa ultra-marrom, esse é um resumo das manifestações de ontem, 30 de junho:
Na Avenida Paulista era possível gravar uma cena de Eu Sou a Lenda – aquele filme onde a maior parte da humanidade desapareceu – tamanho o vazio na cidade.
Em Curitiba, a Boca Maldita só tinha meia dúzia de velhinhos jogando tranca.
Em Brasília? Bem, vocês sabem como é Brasília nos finais de semana, né? Nadinha de nada. Neca de pitibiribas. Néris.
No Rio, até as praias estavam vazias: não tinha nem vendedor de água a dois “real” nem do biscoito Globo, sal e doce.
E no restante do país? Se dava para gravar “Eu Sou a Lenda” em São Paulo, nos demais Estados poder-se-ia filmar The Walking Dead.
Vocês conhecem um documentário exibido pelo History Channel, chamado “O Mundo sem Ninguém”? É um exercício de futurologia que tenta mostrar como ficaria o planeta se a humanidade desaparecesse.
É um barato, com imagens muito legais das grandes cidades… sem ninguém, como diz o título.
É esse o cenário que a nossa mídia fofoqueira quer apresentar:
Uma multidão invisível.
Mas só que nós estávamos lá.
Ainda que tentem fingir que não nos viram ou subestimar nossa relevância.
Nós estávamos lá, e dando nosso recado.
Para quem não conhece, o cronista João do Rio lançou, em 1908, um delicioso livro de crônicas, chamado “A Alma Encantadora das Ruas”.
Pois bem, senhoras e senhores que se julgam os donos da nação: as ruas deram seu recado ontem.
Mas ela não estavam nem um pouco encantadoras.
Estavam é FURIOSAS.
Convém ouvir seu recado, viu?

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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