16 de agosto de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Sério?! Que o cara que grita Loola Livre tem uma coleção de discos de vinil do Chet Baker?

E não me diga que o político faz leilão de livros para ajudar animais de rua?! Ah, mas nem vem que o torcedor do time adversário cuida da mãe velhinha, velhinha!
Qualé! O chefe opressor organiza a caixinha dos funcionários?! Jura que a moça do caixa de mau humor guarda um pão todo dia pro mendigo da esquina?! Jura?! Ah, para! O vizinho antipático do elevador na verdade visita asilos de idosos aos finais de semana?!
Mas era só o que me faltava! O professor que deixa de dar aquele meio pontinho se veste de palhaço nas festas infantis?!
Mentira que a moça que não deu seta terminou o casamento ontem à noite!
Não acredito que a terra na verdade é plana, que água gelada faz mal pro fígado, que o sol é o centro do universo, que os Beatles são melhores que os Stones, que as orelhas nunca param de crescer, que o céu azul e o mar verde na verdade não tem cor!
‘Cê tá brincando que no fim da estrada tem uma praia perdida, um pôr de sol reservado, um amor escondido?!
Foto: astrailorjp
A graça da Vida e das gentes, é o que eu miro crer todo dia, é que existências e coisas e seres não são pertença de uma cor só, nem de uma só textura: A Vida, as coisas, as gentes todas e mais um pouco, são de tudo que é de matiz e de tom e de forma.
Tem vez que são gume de adaga e aço farpado, tem que vez que são penugem de felino e cabelo de moça. E de todas as tonalidades como gotas de óleo numa calçada molhada de água de chuva de verão.
Ou as mil setecentas e trinta e nove tonalidades de um pôr de sol sobre um templo em um campo de girassóis no Japão.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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