3 de março de 2024
Colunistas Joseph Agamol

Essa é a imagem mais bonita que você vai ver hoje

Foto: Mark Brunner

Corria o ano de 1996. Era um dia comum na cidade de Ann Arbor, no Estado de Michigan, U.S.A. Quer dizer: QUASE comum. Havia um comício da Klan acontecendo – e os moradores se reuniram para mostrar que os participantes e suas ideias não eram bem vindos. Tudo transcorria em relativa harmonia, embora sob tensão: a polícia vigiava os dois lados.

A relativa tranquilidade foi interrompida quando alguém gritou que havia um nazi infiltrado entre os moradores contrários ao comício. Era um homem branco, de meia-idade, usando o símbolo dos confederados e com tatuagens suspeitas. Ele tentou fugir e a multidão partiu em seu encalço. Ele foi derrubado – e o pior do ser humano, quando reunidos em bando, aconteceu: começaram o linchamento.

Foi quando a jovem Keshia Thomas, uma adolescente de apenas 18 anos, correu e se lançou em cima do homem caído no chão – usando SEU PRÓPRIO CORPO para protegê-lo dos golpes da multidão enfurecida. O gesto salvou a vida do estranho. “Foi como se dois anjos tivessem me erguido – e me colocado sobre o homem que estava sendo linchado”, ela diria, depois, sobre seu gesto.

Meses mais tarde, um jovem foi até ela em uma cafeteria e agradeceu: era o filho do homem que ela salvou.

O então estudante de fotografia, Mark Brunner, que registrou o acontecido, disse que talvez o mais notável de tudo tenha sido o fato de Keshia ter feito pelo desconhecido algo que o homem provavelmente não faria por ela. Ele diz que Keshia simplesmente fez “a coisa certa”.

Hoje ela vive em Houston, no Texas, e diz que não gosta de pensar que o seu ato em 1996 foi o melhor em sua vida, e que pequenos gestos de bondade e gentileza podem e devem ser exercidos todos os dias.

Eu não sei quanto a vocês, mas a atitude de Keshia, há quase 30 anos, não pode ser definida usando o clichê de uma lição a ser aprendida sobre empatia e humanidade – embora também seja, claro.

O ato de se lançar sobre um homem que estava sendo espancado por uma multidão, sem pensar um instante sequer em sua própria segurança, usando seu corpo como um escudo para aparar os golpes, provavelmente salvando sua vida e dos filhos que ele possuía, é um daqueles momentos que brilham, fulguram, LAMPEJAM em sua essência pura, essência formada pela combinação de bondade intrínseca e bravura extrema que, ao fim e ao cabo, nos constituem, não apenas humanos:

Mas partículas expressivas do Todo que forma a presença e nos leva de volta a D’us.

Anjos, lembram?

Em nome de todos que não tiveram a oportunidade, eu lhe saúdo e agradeço, Keshia Thomas.

Joseph Agamol

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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