9 de agosto de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Conta pra mim

O projeto “Conta pra Mim”, do ministro Carlos Nadalim, é tão bonito quanto uma joaninha amarela. E quase tão bonito quanto Audrey Hepburn lendo.

Uma das lembranças mais antigas e doces que tenho é do meu irmão lendo para mim. E ele não se limitava a ler, os velhos gibis do Tio Patinhas e Pato Donald, as obras-primas desenhadas por Carl Barks: ele INTERPRETAVA, berrando a plenos pulmões os numerosos “QUACS!!!” emitidos pelos patos de Walt Disney, para minha extrema alegria.

O único problema dessas leituras é que nem sempre ele disposto para fazê-las, o que me deixava frustrado – e motivado.
Motivado para APRENDER A LER, coisa que o fiz em tempo rápido: eu tinha pressa.
Havia um extenso mundo a ser explorado, um mundo formado por letras e imagens, dos quais os patos de Walt Disney foram só o portal: o armário de Nárnia, digamos assim.

Como professor, anos depois, pude conferir in loco, além da minha própria experiência, a influência do hábito da leitura na formação de um bom caráter. Claro que apenas gostar de ler não confere automaticamente um bom caráter a ninguém, mas, ah, que ajuda, ajuda.

Todo esse rame-rame, esse trololó, esse nhé-nhé-nhé é para dizer que o projeto do ministro Carlos Nadalim, intitulado “Conta pra mim”, e que visa estimular e favorecer a contação de histórias no seio da família, é, simplesmente, e acima de quaisquer ideologias, o ato mais bonito e relevante posto em prática por qualquer governo.

Quase tão bonito quanto Audrey Hepburn lendo.Quase…

Foto: Audrey Hepburn, por Mark Shaw)

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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