21 de abril de 2024
Veículos

Test-drive com o Fiat Mobi Trekking 2023, o urbaninho antiestresse

Passei uma semana urbana tendo esse pequenino Fiat Mobi como meu principal meio de transporte aqui no Rio. Pequenino e – nesta versão Trekking – bem equipadinho, ele tem, pelo menos em tese, o perfil ideal exatamente para esse tipo de uso: em deslocamentos em cidades com trânsito pesado, por quem não precisa levar passageiros no banco de trás, pelo menos não costumeiramente. Falo um pouco dessa minha experiência neste post, que ilustro com fotos que fiz e depois montei em “estilo história em quadrinhos”.

Antes de ir em frente, vale comentar que, em 2020, fiz um test-drive bem completo com uma versão anterior desse mesmo Mobi, que rendeu post no blog e vídeo na TV Rebimboca (abaixo), que sugiro que você confira para ter mais detalhes sobre o espaço interno e outras coisinhas, que talvez não mostre tão bem aqui.

Naquele já distante 2020, além dessa mesma mecânica que traz agora, versão Drive do Mobi tinha como opção o mesmo motor 1.0 aspirado de três cilindros que é usado nas versões mais baratas do irmão maior dele, o Argo. E isso, acredite, fazia uma diferença considerável na performance do modelinho e, principalmente, no prazer de dirigi-lo – que era bem maior.

Não que o 1.0 Fire de quatro cilindros, único disponível hoje, seja ruim. Ele rende até suficientes 74 cv de potência e 9,7 kgfm de torque, é econômico (comigo, fez por volta de 13 km/litros na cidade, com gasolina) e tem justas famas de robustez e baixo custo de manutenção. Mas o Firefly, de três cilindros, além de render um pouco mais – até 77 cv e 10,9 kgfm –, oferece mais torque em baixas rotações e sobe de giro um pouco mais rápido. E isso dava ao Mobi um tantinho a mais de agilidade, providencial no trânsito e, especialmente, em manobras como ultrapassagens na estrada. E, como disse, fazia dele um carrinho mais gostoso de guiar.

O câmbio, agora como antes, é manual com cinco marchas e, se não é esportivo ou “suíço” em seus engates, é macio e preciso o suficiente para não aborrecer.

Jeitão simpático

Não deve ser fácil desenhar um carro urbano, subcompacto, que tenha linhas sedutoras, ou que passe arrojo ou desperte paixões à primeira vista. As margens para se trabalhar são – com o perdão do óbvio trocadilho – pequenas e imagino que, na prática, os engenheiros e designers partam dos ocupantes para “vestir-lhes” o carro em volta, com o mínimo viável. Levando-se isso em conta, acho que o pessoal da Fiat foi feliz com o Mobi.

Ele não nega sua origem genética, lembrando bastante seus antepassados Uno (da última geração) e o, digamos, tio dele, o Panda italiano. Mas ele está longe de ser uma simples versão encurtada desses modelos e o resultado, se não esbanja os tais predicados que listei no parágrafo acima, tem um jeitão (ou jeitinho) bem simpático.

Por dentro, a previsível simplicidade dos materiais usados – variações de plásticos em diferentes tonalidades e texturas – é um pouco quebrada pelo desenho bacaninha de painéis, console etc. O painel de instrumentos é outra herança do finado Uno, e praticamente igual ao da picape Strada, enxuto em mostradores, mas relativamente fácil (depois que você se acostuma com ele) de ler e usar. E, como essa é uma versão “top”, tudo se complementa na tela da boa multimídia, em termos de recursos e de informações.

No mais, forrações bem montadas e bancos em tecido – sendo que os da frente, do tipo “peça única, em que o encosto de cabeça é integrado, são um pouco estreitos e, ao menos para o meu biotipo, foram um pouco cansativos em trajetos de mais de uma hora. Ainda assim, o acabamento geral é bom e o conjunto ar-condicionado, isolamento da cabine e a maciez da suspensão suficientes para deixar a maior parte da balbúrdia urbana lá fora na dianteira. E, apesar das diminutas dimensões do carro, o espaço ali espanta qualquer sensação de claustrofobia. Já no banco de trás…

Bom, aí também já seria querer demais. Crianças pequenas, em cadeirinhas não muito grandes, vão bem ali. E, dobrando-se o encosto traseiro, os parcos 215 litros informados para o porta-malas se multiplicam consideravelmente. Carro para, no máximo, casal, sem dúvida, mas que não vai negar fogo em situações ocasionais, em que outros adultos usarão as portas de trás para se espremer ali depois de um cinema, rapidinho, para seguir ao restaurante, ou fugir de chuva inesperada.

Bom de vaga

Mas é na hora de estacionar o Mobi que qualquer tipo de renúncia – em termos de conforto, prazer de dirigir ou status – que você possa ter de fazer para tê-lo vai ser mais bem recompensada. Shoppings, vagas de rua, espaço na garagem de um condomínio “moderno”… nada é capaz de fazer o motorista desse carrinho perder tempo ou tirar o seu humor. Além do já exaustivamente mencionado tamanho P (são pouquinho mais de 3,5 m de comprimento), ele manobra bem, tem direção leve e, por seu desenho, não exige nem muita prática nem qualquer habilidade especial. Especialmente se, como o modelo que usei, você ainda contar com uma providencial câmera de ré.

Nesses tempos em que a maioria parece desejar carros maiores e mais altos, como os hoje muito bem vendidos SUVs e picapes, um subcompacto como esse Mobi pode soar até fora de moda. Mas é infinitamente mais prático e menos estressante, quase um remedinho contra alguns tipos de neurose urbana. Custa, hoje (4 de abril de 2023) custa a partir de R$ 72.290.

Fonte: Rebimboca Comunicação

Henrique Koifman

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

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