De Citroën ZX 16v coupé em 1993

Eis-me, ao lado, novamente jovem, em plenos anos 1990. Desta vez, o carro é um Citroën ZX 16v Coupé modelo 1993 ou 94. A foto faz parte do já mencionado (veja em alguns dos posts dos meses anteriores) conjunto que achei durante esse já longo distanciamento social, sem sair de casa, arrumando gavetas, armários e HDs. As imagens são todas do comecinho dos 1990s, feitas durante alguns dos meus primeiros test-drives, para a antiga revista Ele Ela.

Relembrando: o Brasil acabara de reabrir as importações de automóveis e recebi a missão de criar uma seção fixa sobre carros para a publicação, onde trabalhava como redator. Uma demanda do departamento comercial, de olho nas várias concessionárias de importados que começavam a pipocar por aqui e que poderiam, quem sabe, render anúncios.

Trabalho divertido, especialmente no caso desse carro aí, versão esportiva e arisca do ZX. Um dos primeiros esportivos de verdade que tive a oportunidade de guiar, diga-se de passagem. Passei apenas algumas horas ao volante, tempo suficiente para fazer acelerações, retomadas e outras manobras em – naquele tempo – desertas avenidas da Barra da Tijuca, próximo ao falecido Autódromo.

Me lembro bem de como os bancos de couro do carro eram particularmente bons, e de como ele era rápido em arrancadas e retomadas, especialmente depois que eu peguei a “manha” de manter o motor em rotações acima dos 3 mil rpm. A estabilidade parecia não ter fim, e pra isso as rodas traseiras ajudavam se mexendo um pouquinho, graças ao então novo eixo direcional.

E fui fazendo as curvas cada vez mais rápido, sem chegar sequer perto dos limites de aderência. Meses depois, soube que alguém teria capotado aquele mesmíssimo ZX em outro test-drive e fiquei imaginando como.

Perto do que temos hoje em termos de tecnologia e de acessórios, claro, aquele Citroën era até simples, mas fiquei impressionado com o desenho bacana que tudo, dentro e fora do carro tinha, como era marcante. Aquelas linhas retas, criadas pelo estúdio italiano Bertone, que faziam com que ele fosse, ao mesmo tempo, discreto e instigante. E o som enfezado com que o motor respondia ao pé direito, as marchas fáceis de trocar, embora um pouquinho longas (se não me engano) e freios bastante bons, especialmente comparados aos dos modelos nacionais que eu estava mais acostumado a dirigir.

Depois de umas duas horas de diversão, por sugestão do fotógrafo, acabamos entrando no Clube de Ultraleve, que ficava naquela região, em busca de um cenário bacana para as fotos. E foi lá que essa aí foi feita. Na revista, a imagem mostra o ZX sendo sobrevoado por um ultraleve colorido, pilotado pelo jornalista Armando Nogueira – que encontramos lá por acaso e que descobri ser o presidente do clube. Se encontrar esse exemplar da revista, posto aqui também.

Hoje, ficou difícil encontrar um carrinho desses rodando por aqui. Nem esse, nem mesmo as versões mais mansas do ZX, que chegaram a vender razoavelmente bem, resistiram aos anos – e à manutenção cara, à falta de peças e consequentemente, à enorme desvalorização.

Vamos à ficha técnica do ZX Coupé 16v (dados garimpados na internet):

Motor 2.0 (1998 cm³) de 4 cilindros em linha e 16 válvulas, dianteiro, transversal

Câmbio manual de 5 marchas, tração dianteira

Potência: 155 cv

Torque: 19 kgfm

Freios dianteiros com disco ventilado, traseiros com disco sólido

Pneus e rodas dianteiros e traseiros 195/55 R15

Dimensões (mm)

Comprimento 4085, Largura 1707, Entre-eixos 2540 e Altura 1386

Capacidades (litros)

Porta-malas: 345

Tanque de combustível: 54

Peso: 1170 kg

Coeficiente aerodinâmico (cx) 0,31

Desempenho

Velocidade máxima: 214 km/h

Aceleração 0-100 km/h: 8,3 s

Fonte: Blog Rebimboca

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