Diário da crise CXXVIII

Hoje foi um belo dia de outono. Mas as notícias não andam nada boas. Um prédio de quatro andares, possivelmente construído pela milícia, desabou em Rio das Pedras, na zona oeste do Rio.

E em Brasília, o Exército passou do verde para o amarelo, ao decidir que o ex-ministro Eduardo Pazuello não deve ser punido por participação em ato político ao lado de Bolsonaro.

O que significa isto? Pazuello já foi nomeado secretário de estudos estratégicos, embora saibamos todos que estudo não é o seu forte.

Agora, o Exército decide arquivar o processo contra ele, concluindo que não desrespeitou o estatuto disciplinar.

Como assim? Generais como o próprio Hamilton Mourão já se manifestaram sobre o assunto. É evidente que ele desrespeitou o estatuto militar.

Por que essa notícia é tão ruim? Porque o Exército perde sua condição de instituição neutra e decide abertamente tornar-se o exército de Bolsonaro.
Isto já implica não só numa ameaça concreta de avanço do autoritarismo como lança grandes dúvidas sobre as eleições de 2022.

Bolsonaro já tem um trabalho nas PMs e pode lançar mão delas. Agora consolida seu domínio sobre o Exército e certamente vai usar esses trunfos para contestar a derrota em 2022.

É como se o edifício da democracia estivesse desmoronando como o prédio de Rio das Pedras.

A partir de agora, as próprias forças políticas brasileiras vão ter que demonstrar uma grande maturidade. É necessária uma ampla união dos democratas e, sobretudo, muita prudência, habilidade tática e visão estratégica para contornar uma situação historicamente grave.

A decisão do Exército em não punir Pazuello significa que serão absolvidos também todos os que se manifestam politicamente. Pelo menos todos os que se manifestam a favor de Bolsonaro.

A notícia acabou de sair. Vou esperar as repercussões, refletir um pouco mais. Há tempo, pois hoje é feriado. Usei parte da tarde para escrever um artigo e dei uma longa entrevista para a rádio alemã, Deutsche Welle. Fui informado, e isso é uma boa surpresa, que a líder dos Verdes, Annalena Baerbock é uma forte candidata a substituir Angela Merkel.

Se isso acontecer, teremos dois grandes países, Alemanha e EUA, levando ao topo a agenda ambiental.

Fonte: Blog do Gabeira

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