Diário da crise CDXXXVII

Hoje foi dia de Osmar Terra na CPI. Não sofri tanto porque chovia lá fora. Terra previu que teríamos cerca de duas mil mortes com a pandemia. Concluiu isto porque se baseou na H1N1 que ele acompanhou.

Não é o primeiro general derrotado por achar que a nova batalha é apenas uma repetição da anterior, a já vivida. A diferença é que alguns generais derrotados reconhecem o erro.

Terra mostra um quadro da pandemia em Manaus e acentua o longo período em que as coisas pareciam estáveis até que houve um crescimento alarmante. Foi a nova variante, a P1.

Que conclusão tiramos dessa exposição? O vírus se transforma para sobreviver na nova realidade. O pensamento de Terra é estático. E não devia ser assim. O cérebro humano é infinitamente mais complexo e capaz do que um vírus.
Terra afirma que lockdown não vale nada porque alguns velhos morreram em asilos sem nunca terem saído de lá, durante a pandemia. Ele se esqueceu dos funcionários.

O lockdown já foi comprovado por pesquisas. Além disso, a tese de Osmar Terra de que é preciso um alto nível de contaminação para superar a pandemia não se sustenta na Nova Zelândia, por exemplo. Sempre houve poucos casos e a epidemia foi controlada. Jacinda Ardern, a primeira-ministra, tornou-se a política mais popular do século.

Finalmente, Terra argumentou com o exemplo sueco em que houve poucas restrições. Na verdade, o nível de contaminação foi maior do que na Dinamarca e na Noruega. E o primeiro-ministro sueco acaba de cair por uma série de fatores, mas também por sua condução da pandemia.

Vivi oito anos na Suécia. Já tive a tentação de aplicar algumas fórmulas suecas no Brasil. Mas percebi muito rapidamente que são duas culturas diferentes, que a relação dos suecos com o governo é diferente da relação dos brasileiros. Desde o fim da II Guerra Mundial a social-democracia implantou uma política de bem  estar social e os suecos se sentem protegidos e responsáveis pelo país.

Osmar Terra cometeu muitos erros de avaliação. Por coincidência são os erros que Bolsonaro necessitava para realizar sua política de desprezo às restrições sanitárias, de apego a remédios milagrosos e resistência à vacina.

Hoje índios e policiais militares entraram em choque em Brasília. Não deveria ser assim. Centenas de manifestações de índios já aconteceram ali e sempre terminaram em paz.

Continua a caçada a Lázaro Barbosa no interior de Goiás. A imprensa se mostra um pouco impaciente. Houve uma deputada chamada Magda Mofatto que se fez filmar de fuzil em punho a bordo de um helicóptero dizendo que iria caçar Lázaro.

Vi sua entrevista, parece viver numa casa confortável. Não aguentaria um dia no mato. Foi apenas um gesto eleitoreiro.

As buscas são difíceis. Não há alojamento para todos, comida para todos, banho para todos. Lázaro conhece a região e desloca-se com o peso do corpo. A PM é urbana e se move com pesados equipamentos. Esta busca pode durar ainda alguns dias.

Fonte: Blog do Gabeira

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