4 de julho de 2022
Yvonne Dimanche

Carnaval, alegria do povo – Lembranças

gigiGigi da Mangueira – Foto: Google Imagens

Queridos leitores, finalmente estreando no novo Boletim. Fiz uma pequena viagem e me ausentei de tudo, inclusive do prazer de escrever para a minha coluninha semanal. Mas, eis que volto e o que encontro nas redes sociais? Diversas pessoas querendo acabar com o carnaval, porque o clima no país não anda muito bem.
Até entendo um pouco esse pretenso boicote. Os seculares problemas políticos, doenças novas surgindo, desemprego, grana curta, tradicionais empresas em processo de falência, enfim toda a sorte de infortúnios, mas precisamos viver, não é? Eu já não curto mais nada da festa momesca, pois os anos pesaram e a mente, ainda que tenha o frescor de uma adolescente, o corpo parece ser contra qualquer farra.
No entanto, mesmo distante, já fui muito carnavalesca, desde a mais tenra idade. Nos meus primeiros anos, minha família e eu assistíamos aos blocos e – pasmem! – aos desfile das escolas de samba. Isso nas calçadas, sem pagar nada. Eu e meu irmão de tênis com um pedaço de papel dentro informando todos os nossos dados, caso nos perdêssemos. Imagina se minha mãe iria me perder.
Foi em 1964 que eu aprendi a idolatrar o samba e a torcer pela minha linda Império Serrano quando ouvi “Aquarela Brasileira“. Foi uma emoção indescritível. Depois da separação dos meus pais, o carnaval de rua ficou um pouco abandonado, mas isso não foi nenhum problema para mim, porque o da minha rua sempre satisfez qualquer criança. Todas fantasiadas, com direito aos prédios imundos, cheios de serpentinas, confetes. Os pais bebendo, cantando as deliciosas marchinhas, enfim uma farra sem fim.
Até que fiquei mocinha e a partir de então comecei a brincar em clubes. Meu Deus! Que delícia, moças e rapazes dançando, a paquera correndo solta. Era bom demais. Guardo com carinho na minha memória afetiva um rapaz que quando me viu fantasiada de cigana, se ajoelhou no chão e cantou “Prendi questa mano, zíngara“, uma música que fez sucesso na voz do cantor italiano Bobby Solo, portanto nada carnavalesca. Para quem não sabe, zíngara é cigana em italiano. Não deu em nada esse flerte, só ficou nisso, mas fez um bem enorme ao meu ego.
Um tempo depois voltei para as escolas de samba. Ia aos ensaios de praticamente todas elas. Sabia cantar todas as músicas, eta tempo bom. O Rio sempre foi uma festa na minha época, fora isso os blocos e bandas.
Enfim, confesso que vivi. Só deixei de brincar quando me casei, mas tive o prazer de fechar esse círculo com chave de ouro quando a música “É hoje” arrebentou na avenida em 1982.
Dessa forma, vamos deixar de rabugice senhoras e senhores que acham que carnaval é alienação e vamos deixar o povo se divertir. Nós merecemos.
Na foto, abrindo a coluna, Gigi da Mangueira, moradora de Ipanema e que por muitos anos desfilou pela Mangueira quando ninguém fazia isso. Uma deusa.
Um lindo carnaval para todos e até o próximo Boletim.

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