14 de julho de 2024
Adriano de Aquino Colunistas

“Scientia potentia est”

Imagem: Google Imagens – KD Frases

‘Conhecimento é Poder’

Essa frase foi escrita pela primeira vez na versão de 1668 da obra Leviatã de Thomas Hobbes.

No século XIX, uma versão aproximada se firmou na tradição liberal britânica e começou a influenciar o pensamento político inglês.

É desse período a criação do termo ‘Fourth estate’ (ou contrapoder) difundido principalmente pelos autores Thomas B. Macaulay e Thomas Carlyle.

Neste conceito de quarto poder, o papel da imprensa passou a servir de guardião dos propósitos dos cidadãos contra os abusos de poder.

Porém, para cumprir esse papel, era necessário que a imprensa adotasse uma postura independente em relação aos grupos dominantes.

Mas, quando se fala em poder, desvios de função estão sempre de tocaia.

No correr do tempo, varando o século XX, a frase “Conhecimento é Poder” estendeu um puxadinho e passou a ser citada como ‘Informação é Poder”.

Assim, grandes empresários do setor da informação/comunicação e noticia exerceram no correr do século XX poder hegemônico na sociedade.

Tal poder se tornou tão consolidado que, não apenas os ‘donos’ do negocio, mas também seus funcionários, se tornaram ‘vozes’ privilegiadas no tocante aos rumos da sociedade.

Muito antes do advento da Internet, que quebrou a hegemonia dos meios de comunicação sobre a opinião pública, um acontecimento marcou profundamente a trajetória crescente do que mais a frente se consolidaria como Indústria da Comunicação & Entretenimento.

A polêmica Joseph Pulitzer versus Randolph Hearst, marcada por uma briga ferrenha pela maior tiragem, colocou no ringue -cara a cara – o jovem filho de um senador rico da Califórnia, Hearst, que viria a ser um magnata com mais sorte e mais glamour, uma versão playboy da mídia, que nocauteou o compenetrado Pulitzer.

Porém, Pulitzer, ostenta até hoje o titulo do “Homem que deu prestigio à Imprensa”.

Com a chegada da Internet, as empresas de comunicação e entretenimento passaram a enfrentar uma crise de grande repercussão econômica e de credibilidade.

A crise é tão grande a ponto de se tornar enredo de filmes de grande sucesso como Mad City (1997) que aborda o poder dos ‘Meios de Comunicação de Massa sobre a opinião pública, fazendo uma espécie de jogo com as emoções. O filme fala do poder e dos métodos de manipulação da mídia para favorecer os interesses de particulares e da conquista de público cativo (audiência) e a história de um parlamentar americano que usa estratégias de mídia manipuladora para chegar à presidência dos Estados Unidos’

No Brasil de hoje, as grandes empresas de comunicação entraram em rota de colisão não com as instâncias do poder constituído, mas com o grande público.

Exato! Um ‘conglomerado’ circunstancial de grandes empresas de comunicação adotou o método ‘tudo ou nada’.

Isso é: os ‘donos’ do negócio ainda veem a população, potencial consumidora das seus produtos, como ‘audiência cativa’- passiva e exposta – ao velho método de manipulação midiática.

Porém, o acontece nas ruas, o fato em si, revela exatamente o contrário.

A internet, estendida pela dinâmica das redes sociais, tem a pauta mais realista do momento sociopolítico e cultural brasileiro.

As manifestações de ontem foram colossais!

Esse é o fato!

As ‘narrativas’ midiáticas, ao gosto dos comentaristas de plantão, sequer são vistas e ouvidas por uma pequena parcela de quem lá estava, de celular em punho, compartilhando para seus seguidores o que se registrava em tempo real, viralizando exponencialmente o fato nas redes sociais.

Os ‘quatro’ poderes podem até se juntar para conter esse tsunami informacional mas, para mim, é missão impossível.

Perdeu, Mané!

Essa é a noticia!

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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