3 de março de 2024
Adriano de Aquino Colunistas

Antonio Risério

Foto: Google Imagens – Mundo Negro (meramente ilustrativa)

A sanha censora de um punhado de jornalistas contra um artigo do Antonio Risério, publicado na FSP, está gerando manifestações repúdio coletivos e individuais,como o bom texto de Mércio Gomes.

Aos que não sabem de Antonio Risério

por Mércio Gomes, antropólogo, autor de O Brasil Inevitável (Topbooks, 2019)

“Não conhecem Antonio Risério os mais de 180 autointitulados jornalistas da Folha de São Paulo que escreveram à Direção do jornal demonstrando seu desapreço e até repúdio a uma suposta leniência da FSP para com a publicação de opiniões descabidas, desonestas, falsas e perversas.

Sobretudo contra o negro, agora o preto, de quem eles se acham defensores e porta-vozes. A esses mentecaptos juntaram-se algumas dezenas de desmiolados ideologizados em páginas do Instagram, Facebook e outras mídias.

Todos indignadíssimos, moralistíssimos, acham que Risério é um racista inveterado (ou ao menos que foi longe demais em suas provocações intelectuais) e que brinca com palavras, tergiversa e sofistica (de sofismo mesmo) para arrefecer, arrasar o ímpeto libertador do movimento negro brasileiro e dos bem pensantes brancos que fazem um imenso esforço intelectivo para tentar articular um pensamento sobre a presença do racismo no Brasil, no mundo, na consciência humana, urbi et orbi.

Paira no ar, articulada pelo sociólogo Jessé de Souza, a ideia de que o Brasil é infestado e carcomido de racismo, não só o racismo estrutural, contra a raça negra (haveria também um racismo contra classe social), mas também um racismo até mais perverso e caviloso pois difundido por todos os poros da nação, que atinge a todos que estão por baixo na escala social, que continuam a ser escravizados pelo sistema devastador do capitalismo (independente de sua origem, cor e credo).

Esse duplo racismo é representado desde sempre no Brasil pelo velho colonizador branco de chicote na mão que está presente em todo brasileiro não preto. Pela fantasias racialistas desse pregador e seus seguidores de última hora, a mestiçagem nem existiu no Brasil, a não ser como parte do domínio do macho branco.

Índios e negras, pretos e índias jamais se encontraram nas ribanceiras da vida, nunca constituíram família juntos, nem mesmo juntos fizeram a vida social e simbólica da cultura de base brasileira. Esse racismo onipotente e totalitário determinaria todas as condições de pensamento e atividade no Brasil – e sem dúvida, no mundo todo.

Jessé de Souza diz até que o racismo está na própria concepção da civilização ocidental, judaico-cristã, e derivaria da própria filosofia grega, desde Platão! Pode até ter havido escravidão e racismo em outras civilizações, em outras plagas, mas o racismo mesmo só vai existir de direito na civilização ocidental.

Eis que, segundo Jessé, o racismo é fruto da divisão do ser humano em corpo e alma, algo que a filosofia platônica teria criado, o cristianismo teria consagrado ao divinizar a alma e animalizar o corpo. E quem seria a alma pura e autoconsciente? Quem seria o corpo decadente e bestalhão? Quem mereceria o céu, e quem o inferno?

Os detratores de Risério, por trás dos quais escondem-se outros covardes, talvez nem saibam das consequências maléficas das remoas de Jessé de Souza, mas eles certamente as absorveram como fungos e vírus que penetraram por dentro de sua couraça de autodefesa e pretensa retidão moral.Risério, do alto de sua frondosa cabeleira alaranjada e esgueirando um característico sorriso ao mesmo tempo maroto e sardônico, percebe que talvez seus detratores estejam falando de algo que ele deve conhecer, mas, no caso, quase lhe é incompreensível, e relaxa, releva, perdoa, despercebe, sabendo que futucou com verve e sabedoria a ferida narcísica que essa geração de sicofantas brasileiros e mundiais debalde procura um bálsamo para se aliviar.

Frondosa é a árvore de onde ele emerge como um ramo fresco e vigoroso, espargindo folhas tenras e flores cheia de néctar por todos os lados. Raiz, Padre Vieira; tronco, Bonifácio, ramos, Euclides, Rosa, Gilberto, Darcy; e tendo por céu o azul de Itaparica.

Risério não quer saber dessa gente. Ele mira mais longe e mais profundo. O Brasil e sua renovação. Em breve os jovens começarão a trilhar um caminho mais aberto e os seus pais poderão se sentir aliviados e esperançosos de que o troco é mais relevante do que o pagamento”.

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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