A 3a. via

Muitos falam em 3ª via, termo aplicado para um período específico dos confrontos políticos no Reino Unido, uma democracia parlamentar sólida,com partidos políticos fundados em princípios claros e um sistema eleitoral assegurado por instituições que respeitam a divisão de poderes e não se imiscuem em assuntos de Estado.
Para se entender a 3ª via, na prática, o Reino Unido é governado por um sistema bipartidário, os dois principais partidos são o Partido Conservador e o Partido Trabalhista. Há ainda a forte atuação do Partido Liberal Democrata.

Mesmo lá, o termo já caiu em desuso. Reeditá-lo para o momento político nacional é pura tolice.

A tropicalização do termo não encontra respaldo sequer nas vertentes da politicalha brasileira. O TSE registra 33 partidos políticos.
Alguns, verdadeiros sacos de gatos.
Têm um grande numero de caciques mantidos por currais eleitorais e líderes que oscilam entre coligações espúrias e apoios mercenários ao executivo.

Por outro lado, pensadores, analistas e intelectuais brasileiros, como bem frisa João Luiz Mauad no texto abaixo parecem só conhecer duas vias.

A primeira via é a democracia representativa no molde patrimonialista, visceralmente avessa a reformas e que se arrasta desde o fim do regime militar. Corre riscos quem ouse perturbar esse pacto sinistro.

A segunda via é a do Golpe.

Para esses pensadores, analistas e intelectuais, não tem graça nenhuma viver nesse país sem a constante e muito cogitada fórmula da pregação de ruptura institucional, oculta em cada esquina da política nacional.
Texto de João Luiz Mauad:
“Fernando Gabeira e Rui Castro, cada um à sua moda, publicaram artigos hoje dizendo que um golpe de estado está em gestação no País. Um outro jornalista do Estadão escreveu uma cartinha aos gigantes das redes sociais dizendo a mesma coisa e implorando por censura às vozes bolsonaristas.
Embora eu ache tudo isso um devaneio, senão um disparate – uma vez que Bolsonado, apesar das bravatas e do histrionismo, até agora não moveu um único dedo contra as instituições ou se insurgiu contra as decisões dos demais poderes, nem usou da força para produzir medidas arbitrárias -, vamos admitir, para efeito de argumentação, que eles estejam certos.
Ora, qualquer golpe de estado, em qualquer lugar do mundo, precisa do apoio das forças armadas. Acho que este é um ponto pacífico. Sem elas, nenhum líder, por mais carismático ou maluco, é capaz de conduzir um golpe bem sucedido, mesmo com apoio majoritário da população, o que não é o caso. Estamos todos de acordo até aqui, certo?
Até o momento, não vi nada que pudesse sugerir que as FFAA tupiniquins estejam dispostas a embarcar numa nova aventura autoritária, mesmo porque não estamos mais em 1964 e não há no mundo o clima de guerra fria que havia naquela época. Mas vamos admitir, ainda para efeito de argumentação, que as FFAA estejam realmente dispostas a embarcar na nau dos insensatos para manter um capitão bravateiro no poder – será que alguém acha mesmo que os generais dariam um golpe para beneficiar um capitão da reserva e não para governarem eles próprios? Eu não acho. Mas como estamos no campo das hipóteses, sigamos.
No caso improvável de as FFAA estarem mesmo dispostas a promover um golpe para tornar Bolsonaro um ditador, tudo de que precisam é de um bom pretexto, até para poderem justificar-se depois perante a comunidade internacional, a fim de evitar os embargos e bloqueios econômicos que certamente seriam propostos pelos governos democráticos ao redor do mundo.
Que pretextos poderiam ser estes? Eu enxergo pelo menos dois: Talvez uma revolta popular contra um processo “ilegítimo” de impeachment ou, quem sabe?, uma avalanche de decisões esdrúxulas do STF afrontando a divisão dos poderes.
É claro que eu não acho que algo do gênero vá acontecer. Porém, se achasse, trataria de tentar evitar ao máximo esticar a corda e dar a eles o pretexto de que precisam. O que é mais sintomático da loucura de muitos analistas é que, ao mesmo tempo em que dizem temer um golpe, têm incentivado e aplaudido ações e decisões capazes de produzir aqueles pretextos.
Por favor, me provem que a minha lógica é capenga”…

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