22 de julho de 2024
Erika Bento

Londres em movimento


Transitar por Londres é uma aventura. Seja de táxi, ônibus, à pé, de trem, barco, bonde elétrico, metrô, moto ou bicicleta. Oh, e que aventura! A começar pelo preço. Comprar um carro, em Londres, não é difícil nem caro. Mas o seguro e a gasolina, já são outros quinhentos. Carro vale a pena para viajar ou transitar fora da área central, onde, somente para entrar, você já tem que pagar de £8 a £25, por dia, dependendo do tipo do carro. Sem contar o preço do estacionamento, o trânsito e as ruas apertadas (algumas). Portanto, esqueça o carro e vamos começar a nossa aventura de ônibus.
Eles são charmosos e foto obrigatória para qualquer turista. Mas pode ser um perigo! Descer aquela escadinha com o ônibus em movimento, é pedir pra cair. Todo mundo já caiu uma vez, ou pelo menos quase (neste caso, bem mais de uma vez). Os motoristas costumam ser educados e prestativos. Dão informação sobre as paradas daquela rota e até sugerem outras rotas, se o seu destino não for apropriado para pegar aquele ônibus. Eu disse que, em geral, são educados, porque têm aquelas bestas atrás do volante, também, é claro, mas estes são minoria.
O motorista é responsável pela segurança dos passageiros, portanto, se alguma discussão começar no interior do veículo, é normal eles pararem e só saírem do lugar quando a bagunça terminar. Ele também deve controlar que o passageiro tenha pagado a passagem, por isso, a máquina que lê o cartão do transporte é colocada ao lado do motorista e os passageiros entram, um a um, passando o cartão pela máquina, que acusa se você está com o ticket em dia ou não. Se não tiver, não entra mesmo! Não é raro fiscais entrarem no ônibus e pedir para verificar se você pagou pela passagem ou não.
Infelizmente, os ônibus não estão em perfeitas condições. Graças à falta de educação dos passageiros, é comum encontrar, jogado no chão, todo o tipo de sujeira. De lata de refrigerante, embalagens de fast food, até osso de frango! Mas esta porcaria toda é mais difícil de se ver nos ônibus que circulam exclusivamente no centro da cidade, onde o turista passeia e acha tudo lindo.
A frequência entre um ônibus e outro depende do horário. Pode ser de 5 a 20 minutos de espera. Quando o ponto não tiver o mostrador eletrônico sobre os ônibus que estão para chegar, você pode enviar uma mensagem de texto para o serviço de ônibus e receber instantaneamente o quadro de horário dos próximos ônibus ou acompanhar tudo em tempo real, através de um aplicativo no celular. É prático, funcional e (geralmente) perfeitamente cronometrado com os veículos.
Existem ônibus noturnos, que cobrem toda a cidade durante a madrugada, enquanto os trens e metrô fecham à meia-noite e reabrem às cinco da manhã, em geral. O único dia do ano em que não há nem mesmo um ônibus circulando é o dia de Natal. Os taxistas faturam!
Usei poucas vezes o metrô, até hoje. Prefiro os trens, que são mais rápidos e têm mais linhas (e olha que Londres tem 270 estações de metrô e, assim mesmo, são em menor número do que as de trem). Mas, nas vezes em que usei este transporte, a experiência foi positiva. São mais limpos, com intervalo pequeno entre um e outro e cobrem toda a cidade, embora com menos estações nos bairros. Enquanto em um determinado bairro você pode encontrar até sete estações de trem (que te levam para qualquer canto da cidade), neste mesmo bairro você pode encontrar apenas uma estação de metrô. São, ao todo, 11 linhas de Underground, ou Tube, se preferir.
Quando eu morava na Itália, meu transporte preferido era a bicicleta. Tinha a vantagem de morar em uma cidade plana e pequena e, por isso, chegava a fazer quase 20Km por dia de bicicleta. Minha saúde agradecia (e as pernas também!). Mas, agora, vivendo em uma capital, cheia de subidas e descidas (detesto!), ainda não tive a chance, mas tenho amigos que vão ao trabalho de bicicleta todos os dias e me dizem que o ciclista, em geral, é respeitado pelos motoristas. Embora não tenha tantas ciclovias como na Itália, as bicicletas podem usar a faixa exclusiva dos ônibus para circular, o que já é uma ajuda e tanto. Capacete é obrigatório, assim como coletes com faixas fluorescentes. Segurança em primeiro lugar!
Caminhar em Londres é meu esporte favorito. Às vezes, saio alguns minutos mais cedo ou desço algumas estações antes só para caminhar mais. Isso, quando a chuva dá uma trégua, o que tem sido raro ultimamente. Além de fazer bem, é delicioso apreciar as curiosidades das casas e lojas, sem contar com os tipos com quem a gente cruza pelas calçadas. E não custa nada!
Por falar em custo, vamos aos preços. Londres é dividida em seis círculos concêntricos. O primeiro é a área central e é considerada a Zona 1. Eles vão se abrindo até o limite da Zona 6. A partir daí, entre as zonas 7 e 9, é considerado fora da área metropolitana, cujo custo é diferente. As passagens de ônibus custam £2,40 e é caro, mesmo para quem ganha em libras, e valem para toda a cidade. Já o metrô e trem, o custo varia de acordo com as regiões por onde você vai circular. Se você costuma circular apenas entre as zonas 2 e 4, por exemplo, terá um custo X. Se você mora na Zona 3 e trabalha na 5, vai ter um custo diferente.
Os bilhetes são vendidos por unidade ou você pode comprar um cartão chamado Oyster, cujo preço da passagem cai quase pela metade. Este cartão é recarregável e você pode escolher entre carregar pelo custo diário (mesmo que você use o transporte público o dia todo, existe uma tarifa máxima que você vai pagar, que é bem mais barato do que pagar o preço unitário cada vez que for utilizar o transporte público), semanal, mensal ou anual.
Se você mora na Zona 4 e trabalha na Zona 1, pega trem ou metrô e usa o Oyster, você deverá carregá-lo a um custo de £45,00 POR SEMANA. O que é equivalente a 5Kg de carne moída ou 45 litros de leite. É caro ou não é? Mas, se você usar somente o ônibus, o custo cai para £20,20 (20 litros de leite ou 2 kg de carne moída), por semana, mas vai levar muito mais tempo por causa do trânsito.
Normalmente, o turista despreparado paga as passagens unitárias e acaba gastando o dobro do que gastaria se tivesse o cartão magnético. Portanto, quando vier a Londres, o melhor a fazer é comprar logo o seu Oyster. O custo é de £5,00 e o turista pode devolvê-lo no último dia, na última estação (que normalmente será a do aeroporto) e pegar o dinheiro do de volta do que ainda não foi gasto.
Ah! Ainda falta falar sobre os barcos e os táxis, mas estes ficam para uma próxima coluna. Agora tenho que correr que meu ônibus está quase chegando!
Coluna publicada em 17/01/2014

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