30 de maio de 2026
Ney Lopes

Virada: herdeiro de Bolsonaro ultrapassa Lula

A Pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem, 15, mostra o senador Flávio Bolsonaro pela primeira vez, numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um eventual segundo turno. Esse é o fato mais importante. Os números demonstram o crescimento de Flávio entre eleitores de direita (45% para 71%) e avanço entre os independentes (11% para 21%). Fica evidente o empate nas urnas e a tendência de subida da direita.

O alarme acende para o lulismo, com o resultado de 68% dos evangélicos desaprovando o governo e apenas 28% de aprovação. No geral, a desaprovação do trabalho de Lula subiu para 52% e a aprovação oscilou para 43%.

Mudança de cenário

A comparação com meses anteriores revela inequívoca mudança do cenário, o que indica gradual desgaste do favoritismo de quem já ocupa um cargo eletivo, mesmo dispondo de benefícios, como maior visibilidade, controle do orçamento e uma máquina administrativa ao seu dispor. Muitas vezes, o detentor do poder, já atingiu seu limite de votos, enquanto os concorrentes têm espaço para crescer entre os indecisos.

A lição da pesquisa é que a eleição está “meio a meio”. Não há cenário de favorito claro, diante da total polarização, o que deixa a aberta a decisão final do eleitor. Flávio Bolsonaro se consolidou como nome único da direita, ao herdar cerca de 92% do eleitorado de fiel ao seu pai. Lula mantém base forte, mas parou de crescer. Continua competitivo, mas perdeu capacidade de ampliar vantagem.

Percebe-se, que o país se dividiu ao meio”, com 43% temendo a continuidade do governo e 42% temendo a volta do bolsonarismo, com rejeições equilibradas de Lula, atingindo 55% e Flávio 52%.

Eleitores com mais de 60 anos

No contexto eleitoral, um dado importante a ser considerado é que um levantamento da Nexus-Pesquisa confirma que a chamada Geração Prateada, de pessoas 60+ aptas a votar, cresceu cinco vezes mais do que o eleitorado geral nos últimos 16 anos, o que significa expansão de 20,8 milhões em 2010 para 36,2 milhões em março deste ano, ou seja, 23,2% dos votantes.

Numericamente, a geração 60+ passa a ter um peso relevante, constituindo um em cada quatro eleitores do país e, portanto, capaz de influenciar no resultado final. A pesquisa traz a reflexão sobre a importância dos eleitores com mais de 70 anos, que participam das eleições por convicção ou identificação política e, ao lado dos eleitores mais jovens, entre 16 e 18 anos, constituem as faixas de brasileiros a serem conquistados pelos candidatos. Em cenário político acirrado, essas pessoas têm a possibilidade de mudar os rumos de uma eleição.

Estratégias futuras

A análise amiudada da pesquisa confirma que o nordeste continua sendo o grande “porto seguro” político do presidente Lula, especialmente em um momento de cenário nacional bastante desafiador para o governo. Ele tem 55% de aprovação, contra 24% de Flávio.

Já o filho de Bolsonaro terá que manter a Estratégia de “Bolsonarismo Moderado”, para evitar prejuízos eleitorais, face a rejeição política paterna. Continuar se distanciando da imagem de “radicalismo” para atrair o eleitor de centro. Focar em pautas econômicas e críticas à gestão atual, aproveitando que 52% dos brasileiros desaprovam o governo Lula no momento.

Uma verdade não pode ser esquecida: as pesquisas agora são apenas “retratos do momento”. Com a rejeição alta de ambos os lados, o eleitor indeciso e o “voto útil” na reta final serão os grandes arquitetos do resultado eleitorado.
Curtinhas

Filme

O mordomo da Casa Branca – Prime Vídeo – História verdadeira – Um jovem vê seu pai ser morto sem piedade, após estuprar a sua mãe. A sua vida dá uma grande guinada quando tem a oportunidade de trabalhar na Casa Branca, servindo o presidente do país, políticos e convidados que vão ao local.

Frase

“Sorte é saber reconhecer as oportunidades que a vida te dá de presente.”

Mudança na data da posse

A partir de 2027, as posses de presidente e governadores ocorrerão em 5 de janeiro para o presidente eleito e em 6 de janeiro para os governadores eleitos. Isso significa que, mesmo que o presidente Lula perca a reeleição em 2026, continuará por 4 dias de 2027 no cargo.

Papa reage

Trump fazer pouco caso do Papa é uma posição eleitoralmente estúpida nos Estados Unidos. O catolicismo não está em declínio no país. Está em ascensão. Em relação aos últimos acontecimentos, o Pontífice foi incisivo: “Basta de idolatria do eu e do dinheiro! Basta da exibição de poder! Basta de guerra! A verdadeira força se mostra no serviço à vida”.

Fonte: Blog do Ney Lopes

Ney Lopes

Jornalista, advogado, ex-deputado federal, ex-presidente da CCJ da Câmara Federal, ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, Procurador federal.

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Jornalista, advogado, ex-deputado federal, ex-presidente da CCJ da Câmara Federal, ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, Procurador federal.

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