
A investigação pela PF de um ministro do STF depende de autorização do plenário da Corte
Olá caríssimos leitores, cada dia que passa, diante dos fatos que vêm acontecendo no Brasil envolvendo os três poderes da república eu tenha a convicção que o país se perdeu ao longo do seu percurso e o futuro parece ser tenebroso e sombrio.
Em um país que se pretende democrático e regido pelo império da lei, causa perplexidade, para não dizer indignação o rito peculiar que envolve a responsabilização de ministros do Supremo Tribunal Federal. No topo da pirâmide do Judiciário brasileiro, onde se exige a máxima transparência e compromisso com a Constituição, vigora um mecanismo que, na prática, levanta suspeitas sobre a existência de uma blindagem institucional.
A regra é clara, ainda que desconfortável: qualquer investigação conduzida pela Polícia Federal contra um ministro do STF depende, previamente, da autorização do próprio Supremo. Ou seja, cabe aos próprios pares deliberarem sobre a abertura de investigações que podem atingir um de seus integrantes. Um modelo que, no mínimo, desafia o princípio da imparcialidade, pilar essencial de qualquer sistema de Justiça.
Na prática, cria-se uma espécie de “foro íntimo privilegiado”, onde a Corte atua simultaneamente como guardiã da Constituição e filtro de eventuais responsabilizações internas. É o juiz julgando se deve ser investigado por seus próprios colegas. Um arranjo que, embora revestido de legalidade, carrega consigo o peso da desconfiança pública.
Defensores desse modelo argumentam que tal prerrogativa visa proteger a independência do Judiciário contra abusos ou perseguições políticas. De fato, não se pode ignorar o risco de instrumentalização de órgãos investigativos. No entanto, o remédio adotado parece excessivo: ao concentrar tanto poder decisório dentro da própria Corte, abre-se espaço para questionamentos legítimos sobre corporativismo.
A sociedade brasileira, cada vez mais atenta e crítica, já não aceita estruturas que aparentem privilégios ou imunidades veladas. O princípio republicano exige que todos absolutamente todos, estejam sujeitos às mesmas regras, sem exceções que comprometam a credibilidade das instituições.
Se a Constituição assegura direitos e garantias, também impõe deveres e limites. E entre eles está a necessidade de prestar contas. O STF, como guardião maior da Carta Magna, deveria ser o primeiro a dar exemplo.
Sem mecanismos externos efetivos de controle ou, ao menos, sem maior transparência nesse processo de autorização de investigações, o risco é evidente: transformar a legítima proteção institucional em um escudo de autopreservação.
No fim das contas, a pergunta que ecoa nas ruas e nos debates públicos é simples, e incômoda: quem vigia os vigilantes?

