30 de abril de 2026
Silvia Gabas

Não me leve a mal, hoje é Carnaval

Mas levo a mal, sim, meu senhor, minha senhora, porque não é somente hoje que esse Carnaval esquizoide se espraia por todos os cantos deste desgraçado país.

Vivemos na verdade um eterno Carnaval onde a seriedade foi enterrada numa vala qualquer e o que restou foi o que vemos hoje, nessa festa maluca de alegria inventada, sem nexo, sem razão de ser, já que o clima mais propicio para esse triste país dos trópicos é de luto, tristeza infinita, choro e ranger de dentes pela morte definitiva de tudo aquilo que ainda nos levava a respeitar as instituições e os homens que as encarnam.

Hoje, mais do que nunca, sabemos e podemos afirmar, sem medo de errar, que os três poderes da República foram corroídos em sua credibilidade por ratazanas de grande monta, que perderam todos os escrúpulos, que já não se preocupam em esconder o que são, e tão seguros estão da força do seu poder que os acertos desse festim macabro são todos realizados em ambiente de luxo máximo, fumando charutos refinados, viajando em jatinhos exclusivos, frequentando resorts, festas, reuniões onde se entendem à vontade e quem disso tudo participa sabe que seu quinhão, sua parte no butim, está garantida e só engordará ainda mais suas polpudas contas bancários enquanto os otários que mantém sob rédeas curtas são esfolados e obrigados ao pagamento de impostos a cada dia mais impagáveis e o novo fenômeno de emigração de milhares de brasileiros para o vizinho Paraguai explica muita coisa.

O país está quebrado, suas lideranças corruptas estão todas desmascaradas e ocupam diariamente as manchetes de uma imprensa que de repente, acordou, denunciando tardiamente que todos os poderes da República estão envolvidos até a medula no maior escândalo de corrupção que o país já presenciou, o clima político é o pior possível, e a ação mais lúcida seria a de cancelar essa esbórnia toda, mas não, é pedir demais para um povo que não é sério nem nunca será.

O brasileiro cansa aquele que possui um mínimo de senso critico, de consciência política, de caráter. Ele se faz de surdo e cego, numa alienação que espanta até mesmo uma mula.

Riem do quê? Festejam o quê?

São otários espoliados dia sim, dia também, mas lá estão eles, que não movem um dedo sequer em todos os dias do ano para contestar ou se indignar com o que acontece nas entranhas do poder – olhe aí o escândalo do INSS, do Banco Master, dos Correios, dos índices educacionais e de corrupção, um dos piores do mundo – prontos para a folia inesgotável de manada que ri, canta e pula sem saber exatamente porquê.

Os donos do país, os corruptos poderosos agradecem essa alienação que leva a massa ignorante à conivência idiota com aqueles que os esmagam. Não tenho a menor paciência. Não são meus semelhantes.

Que vão todos para os quintos dos infernos!

Silvia Gabas

Com formação em Direito e Serviço Social, leitora compulsiva, com olhar atento para as grandes questões do mundo, dando sua contribuição através de textos publicados nas suas redes e sociais e na revista Stampa, entre outros veículos de comunicação.

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Com formação em Direito e Serviço Social, leitora compulsiva, com olhar atento para as grandes questões do mundo, dando sua contribuição através de textos publicados nas suas redes e sociais e na revista Stampa, entre outros veículos de comunicação.

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